Depois que o Senhor Jesus subiu ao céu, os onze discípulos e um pequeno grupo dos que criam em Cristo ficaram sozinhos na terra. Mas não estavam tristes, como seria de esperar. Estavam muito felizes, pois o seu Senhor lhes havia deixado a promessa de enviar sobre eles o poder de Deus. Todos os dias se reuniam, louvavam a Deus e oravam, no grande cenáculo onde Jesus havia tomado com eles a sua última ceia.
Os onze discípulos escolheram um décimo segundo homem para ocupar o lugar que pertencera a Judas, o traidor. O seu nome era Matias. Com eles estavam Maria, a mãe de Jesus, e os irmãos dele, e as mulheres que haviam estado junto à cruz e ao túmulo, e vários outros, homens e mulheres, que criam em Jesus como o Cristo. O número total do grupo era de cento e vinte pessoas. Em todo o mundo, eram esses todos os que naquele tempo criam em Cristo.
Dez dias depois que Jesus subiu ao céu, chegou um dia que os judeus chamavam "o Dia de Pentecostes", ou "o Quinquagésimo Dia", pois caía exatamente cinquenta dias depois da Festa da Páscoa. Naquele dia, os que criam em Cristo estavam todos juntos no cenáculo, orando, quando de repente se ouviu um som como o de um vento impetuoso, que descia diretamente do céu. E algo semelhante a línguas de fogo pareceu pousar sobre a cabeça de todos os do grupo. Então o Espírito de Deus desceu sobre todos eles, e começaram a falar de Cristo e do seu evangelho com um poder que nenhum deles jamais conhecera.
Esse estranho rumor, como de um vento que soprava, foi ouvido por toda a cidade, e logo uma grande multidão se ajuntou naquele lugar, para saber o que significava aquele som. Ali viram aquelas pessoas, cento e vinte ao todo, cantando, louvando a Deus e proclamando as suas obras maravilhosas. E havia ainda outra coisa admirável. Aquelas pessoas que tinham ouvido o rumor e tinham sido atraídas ao lugar eram judeus de muitas terras, que haviam subido a Jerusalém para adorar — alguns de terras distantes do oriente, outros de terras do ocidente, e outros das ilhas do mar. E cada homem ouvia aqueles crentes em Jesus falando na língua da terra de onde ele tinha vindo! Era como se em todas as línguas da terra os homens estivessem contando as maravilhas de Deus.
"Que quer dizer tudo isto?", perguntavam alguns; e outros diziam: "Essas pessoas estão como que embriagadas de vinho!"
Então levantou-se Simão Pedro, com os outros apóstolos ao seu redor; pois daquele tempo em diante os doze discípulos foram chamados "apóstolos", que quer dizer "os enviados", porque agora eram mandados pelo mundo para conquistá-lo para Cristo. Pedro falou em alta voz a toda a multidão, e disse:
"Homens da Judeia e todos vós que habitais em Jerusalém, ouvi-me. Isto que vedes é o que o profeta, há muito tempo, disse que haveria de acontecer: que Deus derramaria o seu Espírito sobre os homens. Este é o grande dia do Senhor, em que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Jesus de Nazaré, homem que operou prodígios e sinais entre vós, vós o matastes na cruz, pelas mãos de homens iníquos; mas Deus o ressuscitou da morte. Nós, que o vimos vivo, vos declaramos isto: aquele que matastes na cruz é agora o Senhor e o Cristo."
Então muitos do povo começaram a perceber quão perversa fora a ação do seu povo ao matar Jesus, que Deus lhes enviara como seu Filho; e clamaram a Pedro e aos outros apóstolos: "Homens e irmãos, que faremos?"
E Pedro lhes respondeu: "Afastai-vos dos vossos pecados, crede em Jesus e sede batizados pelos apóstolos." E naquele dia três mil pessoas foram acrescentadas à Igreja de Cristo. E também elas se reuniam diariamente com os crentes no cenáculo, adoravam no Templo e ouviam o ensinamento dos apóstolos.
E todos os seguidores de Jesus eram como uma só família de irmãos e irmãs. Os que tinham dinheiro davam-no para ajudar os necessitados, e alguns que possuíam terras e casas as vendiam, e davam tudo em favor dos pobres. Todos eram felizes, louvando a Deus, amando e sendo amados uns pelos outros. E a cada dia mais e mais dos que iam sendo salvos se uniam à Igreja.