✦ ASTRONEXOVOZES DA BÍBLIA
A05

José e Asenete

José e Asenete
José e Asenete
Antigo Testamento★ narrativa
Apócrifo — fora do cânon bíblico. Esta história vem de José e Asenete, escrito antigo que as igrejas não incluem entre os 73 livros da Bíblia. É oferecida como documento histórico e literário, não como Escritura.

A Bíblia nos conta que, quando José se tornou governador da terra do Egito, Faraó lhe deu por esposa Asenete, filha de Potífera, sacerdote da cidade de Om. Uma antiga história, escrita há muito tempo, conta como isso aconteceu.

Na cidade de Om, que também se chamava Heliópolis, a cidade do sol, vivia o sacerdote Pentefres, homem rico e sábio, conselheiro de Faraó. Ele tinha uma única filha, chamada Asenete, e em toda a terra do Egito não havia moça tão bela. Filhos de nobres e filhos de reis a pediam em casamento, e brigavam por causa dela; mas Asenete desprezava todos os homens, e a nenhum queria olhar. Morava no alto de uma grande torre ao lado da casa de seu pai, em salas cheias de ouro, prata e pedras preciosas; e ali guardava os ídolos dos deuses do Egito, e os adorava; e dez moças a serviam.

Ora, no primeiro dos sete anos de fartura, José percorria a terra recolhendo trigo, e mandou dizer a Pentefres: "Descansarei ao meio-dia na tua casa". Pentefres alegrou-se e preparou um banquete; e disse à sua mulher: "José, o poderoso de Deus, está chegando. Demos-lhe a nossa filha Asenete por esposa".

Mas quando Asenete ouviu isso, irou-se e disse: "Por que haveria eu de ser dada a um fugitivo, filho de um pastor da terra de Canaã, um homem que foi vendido como escravo? Não! Eu me casarei com o filho mais velho do rei".

Enquanto ela ainda falava, José entrou pelo portão, no segundo carro de Faraó, puxado por quatro cavalos brancos como a neve. Vestia-se de branco, com um manto de púrpura sobre os ombros e uma coroa de ouro na cabeça, e o seu rosto resplandecia de formosura. Asenete o viu da sua janela, e o coração se despedaçou dentro dela, e disse consigo mesma: "Que foi que eu disse! Eis que o sol desceu do céu até nós no seu carro. Falei mal dele na minha tolice. Que o pai dele me dê a ele por serva, e eu o servirei para sempre".

José, sentado à mesa, ergueu os olhos e viu a moça à janela, e disse: "Que aquela mulher saia da casa". Pois estava cansado das mulheres do Egito, que o importunavam por onde ele passava. Mas Pentefres disse: "Meu senhor, aquela é a minha filha, uma virgem que despreza todos os homens, e nenhum homem jamais a viu, senão tu somente, hoje. Ela é tua irmã; se quiseres, ela virá saudar-te".

Asenete veio, então, e o seu pai disse: "Saúda o teu irmão". E ela disse: "Deus te abençoe, meu senhor, bendito do Altíssimo". E José respondeu: "Que o Deus que dá vida a todas as coisas te abençoe, donzela".

Então Pentefres disse a Asenete: "Beija o teu irmão". Mas quando ela se aproximou, José estendeu a mão e a deteve, dizendo: "Não convém que um homem que adora o Deus vivo beije uma mulher estranha, que bendiz com os lábios ídolos mortos e mudos". Ao ouvir essas palavras, Asenete sentiu-se ferida no coração e chorou. E José, vendo as suas lágrimas, compadeceu-se dela; pôs a mão sobre a sua cabeça e orou: "Senhor, Deus do meu pai Israel, que chamaste todas as coisas das trevas para a luz, abençoa esta donzela, renova o seu espírito, e que ela viva na tua vida para sempre". Depois José seguiu o seu caminho, e prometeu voltar dali a oito dias.

Asenete, porém, subiu à sua torre e fechou a porta. Tirou as suas vestes finas e vestiu roupa de luto; tomou todos os seus ídolos de ouro e de prata e atirou-os pela janela aos pobres, e atirou fora também toda a sua comida requintada; cobriu-se de pano de saco e espalhou cinza sobre a cabeça. Sete dias chorou e jejuou, e no oitavo dia orou ao Deus de José, dizendo: "Senhor, Deus dos séculos, em ti me refugio. Salva-me, porque pequei contra ti; a minha boca honrou ídolos mortos, e agora estou órfã e desamparada, porque o meu povo me odiará por eu ter destruído os seus deuses. Para ti eu fujo, como uma criança foge para o seu pai. Livra-me e perdoa".

E eis que, enquanto ela orava, a estrela da manhã se levantou no oriente, e o céu se abriu ao lado dela, e uma grande luz brilhou. Um homem veio a ela do céu, parecido com José na aparência, com manto e coroa; mas o seu rosto era como o relâmpago, e os seus olhos como chama de fogo. E disse: "Tem ânimo, Asenete. O teu nome está escrito no livro da vida, e nunca será apagado. Desde hoje és feita nova, e comerás o pão da vida, e serás esposa de José. E o teu nome não será mais somente Asenete; serás chamada Cidade de Refúgio, porque em ti muitas nações se refugiarão junto ao Altíssimo".

Depois o visitante disse: "Traze-me um favo de mel". E Asenete disse: "Meu senhor, não há favo de mel na minha despensa". Mas ele disse: "Vai e olha". Ela foi, e achou sobre a mesa um favo branco como a neve, cheio de mel, e o seu perfume era como o sopro da vida. E o homem sorriu e disse: "Bem-aventurada és tu, porque os segredos de Deus te foram revelados. Este mel, as abelhas do paraíso o fizeram, e os anjos de Deus comem dele". Partiu o favo e comeu, e com a mão pôs mel na boca dela, e disse: "Agora comeste o pão da vida, e são tuas a mocidade e a beleza que não murcham". E do favo levantaram-se abelhas, brancas e cor de púrpura, e voaram em círculos ao redor de Asenete; e depois, à palavra dele, partiram em direção ao céu. E ele estendeu a mão e tocou o favo, e subiu fogo da mesa e o consumiu, e o homem desapareceu da vista dela num carro como de fogo, rumo ao oriente.

No oitavo dia José voltou; e Asenete saiu ao seu encontro, e o rosto dela era como a luz da manhã, de modo que José se admirou. E ela lhe contou tudo. Então José a beijou e lhe deu a mão, e contaram a Faraó; e o próprio Faraó celebrou o casamento, pôs coroas de ouro sobre as suas cabeças e fez uma festa de sete dias para toda a terra. E com o tempo Asenete deu a José dois filhos, Manassés e Efraim.

Anos depois, quando Jacó e os seus filhos já tinham descido ao Egito, levantou-se uma grande aflição. O filho mais velho de Faraó desejava Asenete havia muito tempo, e o seu coração estava doente de inveja. Chamou Simeão e Levi, irmãos de José, e pediu que o ajudassem a matar José; mas Levi respondeu: "O nosso pai é um homem que serve a Deus, e não faremos tamanha maldade". Então o príncipe procurou Dã e Gade, e os enganou com palavras falsas, dizendo-lhes que José planejava fazer-lhes mal; e eles concordaram em armar uma emboscada para Asenete junto ao ribeiro por onde ela passaria, enquanto o próprio príncipe mataria Faraó, seu pai, para tomar o reino.

Assim Dã e Gade, com homens armados, caíram sobre a escolta de Asenete no desfiladeiro; e Asenete fugiu no seu carro. Mas Benjamim, o irmão mais moço de José, ia com ela; e Benjamim saltou do carro, apanhou uma pedra lisa do ribeiro e atirou-a com toda a força contra o filho de Faraó, e o derrubou do cavalo, e ele ficou estendido como morto. Então Levi e os seus irmãos, filhos de Lia, chegaram depressa com as suas espadas, e os homens de Dã e Gade fugiram ou caíram.

Dã e Gade ficaram com medo, porque conheciam a sua culpa; e os seus irmãos queriam matá-los. Mas Asenete disse: "Poupai os vossos irmãos, e não lhes façais mal, porque são a vossa própria carne. Não pagueis o mal com o mal ao vosso próximo; o Senhor julgará entre nós". E Levi a ouviu, e os irmãos foram poupados e perdoados.

Benjamim queria ferir mais uma vez o filho de Faraó, que jazia por terra; mas Levi segurou a sua mão e disse: "Não faças isso, irmão, porque somos homens que servem a Deus, e não é justo ferir um homem caído. Antes, socorre o teu inimigo na sua desgraça". E Levi levantou o príncipe, lavou o sangue do seu rosto e o levou a Faraó, seu pai, e contou-lhe tudo o que havia acontecido. E Faraó levantou-se do seu trono e abençoou Levi.

Mas ao terceiro dia o filho de Faraó morreu, do ferimento da pedra de Benjamim; e Faraó, velho e cheio de tristeza, morreu pouco depois, deixando a sua coroa aos cuidados de José. E José reinou sobre o Egito muitos anos, até que o jovem neto de Faraó cresceu, e José lhe entregou a coroa; e foi para ele como um pai todos os seus dias.