Sob o rei Salomão, a terra de Israel alcançou uma grandeza como nunca antes e como nunca mais depois. Todos os países ao redor de Israel, e alguns bem distantes, enviavam seus príncipes para visitar Salomão. E todo aquele que o via maravilhava-se com sua sabedoria e com sua habilidade em responder a perguntas difíceis. Dizia-se que o rei Salomão era o homem mais sábio de todo o mundo. Ele escreveu muitos dos ditos sábios do Livro dos Provérbios, e muitos outros que se perderam. Compôs mais de mil cânticos. Falava das árvores, dos animais, das aves e dos peixes. De muitas terras vinha gente para ver o esplendor em que Salomão vivia e para ouvir suas palavras de sabedoria.
Numa terra a mais de mil milhas de Jerusalém, ao sul da Arábia, na terra de Sabá, a rainha ouviu falar da sabedoria de Salomão. Ela deixou o seu lar, com uma grande comitiva de nobres, montados em camelos e carregando ricos presentes, e veio visitar o rei Salomão. A rainha de Sabá trouxe a Salomão muitas perguntas difíceis, e contou-lhe tudo o que havia em seu coração. Salomão respondeu a todas as suas perguntas e mostrou-lhe toda a glória do seu palácio, e o seu trono, e os seus servos, e a riqueza da sua mesa, e a escadaria pela qual subia do palácio à casa do Senhor. E quando ela tudo ouviu e viu, disse:
"Tudo o que ouvi em minha própria terra sobre a tua sabedoria e a tua grandeza era verdade. Mas eu não o acreditei até que vim e vi o teu reino. E não me contaram nem a metade, pois a tua sabedoria e o teu esplendor vão muito além do que eu tinha ouvido. Felizes os que estão sempre diante de ti para ouvir a tua sabedoria! Bendito seja o Senhor teu Deus, que te colocou no trono de Israel!"
E a rainha de Sabá deu a Salomão grandes tesouros de ouro, e especiarias de suave aroma, e perfumes; e Salomão também lhe fez ricos presentes. Depois ela voltou para a sua própria terra.
O grande palácio de Salomão, onde ele vivia em majestade, erguia-se na encosta sul do monte Moriá, um pouco abaixo do Templo. Suas colunas de cedro eram tantas que pareciam uma floresta; e por isso ele foi chamado "A Casa do Bosque do Líbano". Desse palácio, uma larga escadaria de pedra subia até o Templo, e Salomão e seus príncipes subiam por esses degraus quando iam adorar.
Mas havia um lado sombrio, além do lado brilhante, no reinado de Salomão. Seus palácios, e as cidades muradas que construiu para proteger o reino por todos os lados, e o esplendor de sua corte custavam muito dinheiro. Para pagar tudo isso, ele impôs pesados tributos ao povo, e de todas as tribos obrigou muitos homens a trabalhar nas construções, a servir como soldados em seu exército, a labutar em seus campos e a servir em sua casa. Antes do fim do reinado de Salomão, o clamor do povo se levantou contra ele e contra o seu governo, por causa das pesadas cargas que havia posto sobre a terra.
Salomão era muito sábio nas coisas do mundo, mas não tinha compaixão pelos pobres da terra, nem amava a Deus de todo o coração. Escolheu para sua rainha uma filha do Faraó, rei do Egito, e construiu para ela um palácio esplêndido. E casou-se com muitas outras mulheres que eram filhas de reis. Essas mulheres haviam adorado ídolos em seus próprios lares e, para agradá-las, Salomão construiu no monte das Oliveiras um templo de ídolos, bem à vista do Templo do Senhor. Assim, imagens de Baal, e da Aserá, e de Camos, o ídolo dos moabitas, e de Moloque, o ídolo dos amonitas, erguiam-se na colina em frente de Jerusalém; e a essas imagens o próprio rei Salomão oferecia sacrifícios. Quão grande foi a vergonha dos homens bons de Israel ao verem seu rei cercado de sacerdotes de ídolos, prostrando-se com o rosto em terra diante de imagens de pedra!
O Senhor ficou muito irado com Salomão por tudo isso, e o Senhor disse a Salomão: "Visto que fizeste essas coisas más, e não guardaste a tua promessa de me servir, e porque te desviaste dos meus mandamentos, certamente tirarei o reino de Israel do teu filho e o darei a um dos teus servos. Mas por amor de teu pai, Davi, que me amou e obedeceu aos meus mandamentos, não tirarei do teu filho todo o reino: deixarei para ele, e para os seus filhos depois dele, uma tribo."
O servo do rei Salomão de quem o Senhor falou era um jovem da tribo de Efraim, chamado Jeroboão. Era um homem muito capaz e, na construção de um dos castelos de Salomão, dirigia todo o trabalho feito pelos homens de sua tribo. Um dia, um profeta do Senhor, chamado Aías, encontrou o jovem Jeroboão quando este saía de Jerusalém. Aías tirou o seu próprio manto, que era novo, e o rasgou em doze pedaços. Dez desses pedaços ele deu a Jeroboão, dizendo-lhe:
"Toma estes dez pedaços, porque assim diz o Senhor, o Deus de Israel: Arrancarei o reino da mão do filho de Salomão e darei dez tribos a ti. Mas o filho de Salomão terá uma tribo, por amor do meu servo Davi e por amor de Jerusalém. Tu reinarás sobre dez das tribos de Israel e terás tudo o que desejares. E se fizeres a minha vontade, diz o Senhor, eu serei contigo e concederei aos teus filhos, e aos filhos dos teus filhos, governar por longo tempo sobre esta terra."
Quando o rei Salomão soube do que o profeta Aías havia dito e feito, procurou matar Jeroboão. Mas Jeroboão fugiu para o Egito e ali ficou até o fim do reinado de Salomão.
Salomão reinou ao todo quarenta anos, como Davi havia reinado antes dele. Morreu e foi sepultado no monte Sião, e Roboão, seu filho, tornou-se rei em seu lugar.
Às vezes o reinado de Salomão tem sido chamado "a Idade de Ouro de Israel", porque foi um tempo de paz, de vasto domínio e de grandes riquezas. Mas seria melhor chamá-lo "a Idade Dourada", porque debaixo de todo o brilho e ostentação do reinado de Salomão havia muitas coisas más: um rei que permitia e favorecia o culto aos ídolos, uma corte cheia de nobres ociosos e inúteis, e os pobres da terra pesadamente oprimidos com tributos e trabalhos. O império de Salomão estava prestes a despedaçar-se, e a queda logo veio.