Em muitos lugares da terra de Israel viviam famílias de pessoas que escutavam o ensino dos profetas e adoravam o Senhor. Estavam entre os sete mil de Israel que nunca dobraram os joelhos diante das imagens de Baal. Eliseu percorria a terra encontrando essas pessoas, ensinando-as e conduzindo-as no seu culto. Eram chamados os "filhos dos profetas", e entre eles havia alguns a quem Deus falava, homens que se tornaram, eles mesmos, profetas do Senhor.
A esposa de um desses homens, os filhos dos profetas, veio um dia a Eliseu e disse: "Ó homem de Deus, meu marido morreu; e tu sabes que ele serviu ao Senhor enquanto viveu. Ele devia algum dinheiro quando morreu; e agora o homem a quem ele devia veio e diz que tomará os meus dois filhos como escravos, se eu não pagar a dívida."
Pois naquelas terras, quando um homem devia uma dívida, ele podia ser vendido, ou os seus filhos, para que a dívida fosse paga. Eliseu disse à mulher: "Que farei para te ajudar? Que tens em casa?"
"Não tenho nada em casa", respondeu a mulher, "a não ser uma botija de azeite."
Então Eliseu lhe disse: "Vai aos teus vizinhos e pede-lhes emprestados jarros vazios, e vasilhas, e tigelas; pede muitos. Depois entra no quarto e fecha a porta sobre ti e sobre os teus filhos; e derrama o azeite nas vasilhas, e, à medida que cada vasilha se encher, põe-na de lado."
A mulher saiu e pediu emprestadas a todos os seus vizinhos vasilhas que pudessem conter azeite, até juntar muitas. Depois entrou em casa, fechou a porta e mandou que os filhos lhe trouxessem as vasilhas uma a uma; e ela derramava o azeite, enchendo vasilha após vasilha, até que todas ficaram cheias. Por fim eles lhe disseram: "Não há mais nenhuma vasilha para o azeite."
E então o azeite parou de correr. Se ela tivesse pedido emprestadas mais vasilhas, teria havido mais azeite. Ela veio e contou a Eliseu, o homem de Deus; e ele disse: "Vai e vende o azeite; paga a dívida, e guarda o resto do dinheiro para o teu sustento e o dos teus filhos."
Em outra ocasião, Eliseu veio a Gilgal, entre os montes, perto de Betel, e com ele estavam alguns daqueles homens, os filhos dos profetas. Era um tempo em que o alimento era escasso, e eles procuravam no campo verduras e coisas verdes para comer. Um homem, por engano, trouxe uma porção de frutos silvestres de uma trepadeira, que eram venenosos, e os lançou na panela, para serem cozidos com o resto da comida.
Enquanto comiam, sentiram de repente que haviam sido envenenados, e gritaram: "Ó homem de Deus, há morte na panela! A comida está envenenada!"
Então Eliseu tomou um pouco de farinha e a lançou na panela com a comida envenenada, e mandou que a servissem ao povo, para que comessem.
Assim fizeram; e não havia mais veneno algum na comida.
Certa vez, um homem veio trazendo ao profeta um presente de pães de cevada e algumas espigas de trigo novo ainda na palha. Estavam com Eliseu cem homens, e Eliseu disse ao seu servo: "Dá isto ao povo, para que jante."
O servo disse: "Como? Hei de servir isto como refeição para cem homens?"
E Eliseu disse: "Sim, põe diante deles, e que comam. Porque assim diz o Senhor: 'Comerão, e ficarão satisfeitos, e ainda sobrará.'"
Assim ele lhes deu a comida; e cada homem tomou quanto quis, e ainda sobrou, conforme a palavra do Senhor.
Certa vez, um grupo desses filhos dos profetas desceu dos montes para um lugar perto do rio Jordão, e começaram a construir uma casa; e Eliseu estava com eles. Quando um dos homens cortava uma árvore, o ferro do seu machado soltou-se do cabo e caiu na água. Naqueles tempos, o ferro e o aço eram muito raros e caros. O homem disse: "Ai, meu senhor, que farei? Pois o machado era emprestado!"
Então Eliseu pediu que lhe mostrassem exatamente onde o ferro do machado havia caído na água. Cortou um pedaço de pau e o lançou na água, naquele lugar. No mesmo instante o ferro do machado subiu à superfície da água e flutuou, como se fosse madeira. O profeta disse: "Estende a mão e toma-o"; e o homem tomou o ferro, ajustou-o ao cabo e continuou o seu trabalho.
Por essas obras de poder, todo o povo veio a saber que Eliseu era um verdadeiro profeta do Senhor, e que falava como que com a voz do Senhor a Israel.