O profeta Eliseu percorria a terra de Israel, encontrando em muitos lugares o povo que adorava ao Senhor, e ensinando-o. Numa de suas viagens, visitou a pequena cidade de Suném, situada sobre uma colina que dominava, do lado oriental, a grande planície de Esdrelom. Uma mulher rica que morava naquele lugar convidou-o a vir à sua casa e a tomar ali as refeições sempre que passasse em viagem. Assim, todas as vezes que Eliseu chegava a Suném em suas jornadas, detinha-se para uma refeição ou para pernoitar na casa daquela mulher. Passado algum tempo, a senhora disse ao marido: "Vejo que este homem que vem tantas vezes à nossa casa é um santo homem de Deus. Construamos para ele um quartinho ao lado da casa, e ponhamos nele uma cama, uma mesa, um banco e um candeeiro; assim, quando ele vier, terá ali um lar e poderá dormir."
Construíram, pois, o quarto, e sempre que Eliseu passava por ali, hospedava-se nele com o seu servo, o homem que o servia, assim como o próprio Eliseu, em outros tempos, havia servido a Elias. O nome do servo era Geazi. Certa vez, Eliseu disse à mulher: "Tens sido muito bondosa comigo e com o meu ajudante, e muito tens feito por nós. Agora, que posso eu fazer por ti? Queres que eu peça ao rei que te conceda algum favor? Ou desejas alguma coisa que o chefe do exército possa fazer por ti?" A mulher respondeu: "Eu vivo no meio do meu próprio povo, e nada mais desejo." Então Geazi disse a Eliseu: "Esta mulher não tem filho." E Eliseu lhe disse: "Daqui a um ano, Deus te dará um menino."
A promessa deixou a mulher muito feliz; mas ela mal podia acreditar que fosse verdade, até que a criancinha veio. O menino cresceu, e chegou à idade de sair com o pai ao campo, entre os homens que ceifavam o trigo. De repente, no campo, a criança gritou para o pai: "Ai, minha cabeça, minha cabeça!"
O pai viu que ele estava muito doente e mandou que um de seus homens o levasse à mãe. O menino ficou no colo da mãe até o meio-dia, e então morreu. A mãe não contou ao marido que o filho estava morto; mas partiu, cavalgando o mais depressa que podia, ao encontro do profeta, que estava do outro lado da planície, perto do monte Carmelo.
Quando ela ainda vinha de longe, Eliseu a viu chegando e disse a Geazi, seu servo: "Corre ao encontro dessa senhora de Suném e pergunta-lhe: 'Vai tudo bem contigo? Vai bem o teu marido? Vai bem o menino?'"
Ela respondeu: "Vai tudo bem"; mas não parou até chegar ao profeta, e então prostrou-se diante dele e abraçou-se aos seus pés. Geazi, o servo do profeta, achou que não era próprio que ela o segurasse daquela maneira, e ia afastá-la. Mas Eliseu lhe disse: "Deixa-a, pois ela está em grande aflição; e o Senhor mo encobriu, e não me revelou nada."
E a mulher disse: "Acaso pedi eu um filho? Não disse eu: 'Não me enganes'?" Então Eliseu compreendeu o que havia acontecido. Disse a Geazi: "Toma o meu bordão e vai imediatamente à casa desta mulher. Se encontrares alguém, não pares para lhe falar; e se alguém te falar, não pares para responder. Mas vai, e põe o meu bordão sobre o rosto do menino."
A mãe, porém, não se contentou em que apenas o servo fosse à sua casa. Ela queria que o próprio Eliseu fosse; e disse: "Tão certo como vive o Senhor, e como vive a tua alma, não te deixarei."
Então Eliseu a seguiu de volta a Suném, atravessando a planície. No caminho, encontraram Geazi que voltava. Ele havia posto o bordão, como lhe fora ordenado, sobre o rosto do menino; e disse: "O menino não despertou."
Quando Eliseu chegou, encontrou o menino morto, deitado sobre a cama no quarto do profeta, com o bordão sobre o rosto. Fechou a porta e orou ao Senhor junto à cama. E depois da oração, deitou-se com o rosto sobre o rosto do menino e as mãos sobre as mãos do menino; e enquanto assim estava, o corpo da criança começou a aquecer-se. Então ele se levantou e andou de um lado para outro na casa; e de novo se deitou sobre o menino e o envolveu nos braços. De repente, a criança começou a espirrar, e então abriu os olhos, viva outra vez.
Eliseu mandou o servo chamar a mãe, e quando ela veio, disse-lhe: "Toma o teu filho."
A mãe viu que o seu filho estava vivo, ressuscitado dentre os mortos; lançou-se aos pés de Eliseu para mostrar quão grande era a sua gratidão, e depois tomou o filho nos braços e saiu.