Depois de Jeú, reinou em Israel o seu filho Jeoacaz. Ele foi um rei não só mau, mas também fraco; e sob o seu governo Israel ficou indefeso nas mãos dos seus inimigos: Hazael, o feroz rei da Síria, e seu filho, Ben-Hadade Segundo. Mas quando Jeoacaz morreu, seu filho Joás tornou-se rei, e sob o seu governo Israel começou a erguer-se de novo.
O profeta Eliseu era agora um homem velho, muito debilitado e próximo da morte. O jovem rei Joás foi visitá-lo, chorou sobre ele e disse-lhe, como o próprio Eliseu dissera a Elias (nona história desta parte): "Meu pai, meu pai, tu és para Israel mais do que os seus carros e os seus cavaleiros!"
Mas Eliseu, embora fraco de corpo, era ainda forte de alma. Mandou o rei Joás trazer-lhe um arco e flechas, e abrir a janela para o oriente, na direção da terra da Síria. Então Eliseu fez o rei retesar o arco, e pôs as suas mãos sobre as mãos do rei. E quando o rei atirou uma flecha, Eliseu disse: "Esta é a flecha da vitória do Senhor, da vitória sobre a Síria; pois ferirás os sírios em Afeca, e os destruirás."
Depois Eliseu disse ao rei que tomasse as flechas e batesse com elas no chão. O rei bateu no chão três vezes, e então parou. O velho profeta desgostou-se com isso e disse: "Por que paraste? Devias ter batido no chão cinco ou seis vezes; então terias alcançado outras tantas vitórias sobre a Síria; mas agora só vencerás os sírios três vezes, e não mais."
Pouco depois disso Eliseu morreu, e sepultaram-no numa gruta. Na primavera do ano seguinte, os bandos dos moabitas caíram sobre o lugar justamente quando se sepultava outro homem; e, na pressa de escapar dos inimigos, puseram o corpo na gruta onde Eliseu estava sepultado. Quando o corpo desse homem tocou o corpo do profeta morto, a vida voltou a ele, e o homem pôs-se de pé. Assim, mesmo depois de morto, Eliseu ainda tinha poder.
Depois da morte de Eliseu, Joás, rei de Israel, fez guerra a Ben-Hadade Segundo, rei da Síria. Joás venceu-o três vezes em batalha e tomou-lhe todas as cidades que Hazael, seu pai, havia tirado de Israel. E depois de Joás reinou seu filho Jeroboão Segundo, que se tornou o maior de todos os reis das Dez Tribos. Sob o seu governo o reino ficou rico e forte. Ele conquistou quase toda a Síria e fez de Samaria a maior cidade de todas aquelas terras.
Mas, enquanto a Síria declinava, outra nação subia ao poder: a Assíria, na margem oriental do rio Tigre. A sua capital era Nínive, uma grande cidade, tão vasta que um homem levaria três dias para dar a volta às suas muralhas. Os assírios começavam a conquistar todas as terras vizinhas, e Israel corria o perigo de cair sob o seu poder. Nesse tempo, outro profeta, chamado Jonas, transmitia a palavra do Senhor aos israelitas. A Jonas falou o Senhor, dizendo: "Vai a Nínive, aquela grande cidade, e prega contra ela, porque a sua maldade subiu até diante de mim."
Mas Jonas não queria pregar ao povo de Nínive, pois eles eram inimigos da sua terra, a terra de Israel. Ele queria que Nínive morresse nos seus pecados, e não que se voltasse para Deus e vivesse. Por isso Jonas tentou fugir para longe da cidade aonde Deus o enviara. Desceu a Jope, à beira do Grande Mar. Ali encontrou um navio prestes a partir para Társis, muito longe, no ocidente. Pagou a passagem e embarcou, com a intenção de ir para o mais longe possível de Nínive.
Mas o Senhor viu Jonas no navio, e enviou uma grande tempestade sobre o mar, de modo que o navio parecia prestes a despedaçar-se. Os marinheiros lançaram ao mar tudo o que havia no navio; e quando nada mais podiam fazer, cada um orou ao seu deus para que salvasse o navio e as suas vidas. Jonas estava então dormindo profundamente debaixo do convés, e o capitão do navio veio a ele e disse: "Que fazes tu, dormindo numa hora destas? Acorda, levanta-te e clama ao teu Deus. Talvez o teu Deus te ouça e nos salve a vida."
Mas a tempestade continuava a rugir em volta do navio, e eles disseram: "Há neste navio algum homem que trouxe sobre nós esta desgraça. Lancemos sortes, para descobrir quem é."
Lançaram, pois, sortes, e a sorte caiu sobre Jonas. E disseram-lhe, todos ao mesmo tempo: "Dize-nos, quem és tu? De que terra vens? Qual é o teu ofício? A que povo pertences? Por que trouxeste sobre nós toda esta desgraça?" Então Jonas contou-lhes toda a história: como vinha da terra de Israel, e que havia fugido da presença do Senhor. E eles lhe perguntaram: "Que faremos contigo, para que a tempestade se acalme?" E Jonas respondeu: "Tomai-me e lançai-me ao mar; então a tempestade cessará, e as águas se acalmarão; pois eu sei que é por minha causa que esta grande tempestade veio sobre vós."
Mas os homens não queriam lançar Jonas ao mar. Remaram com força para levar o navio à terra, mas não conseguiram. Então clamaram ao Senhor e disseram: "Nós te rogamos, ó Senhor, nós te rogamos, não nos deixes perecer pela vida deste homem; pois tu, ó Senhor, fizeste como te aprouve." Por fim, quando nada mais podiam fazer para se salvar, lançaram Jonas ao mar. No mesmo instante a tempestade cessou, e as ondas ficaram tranquilas. Então os homens do navio temeram muito ao Senhor. Ofereceram-lhe um sacrifício e fizeram promessas de o servir.
E o Senhor fez com que um grande peixe engolisse Jonas; e Jonas ficou vivo dentro do peixe por três dias e três noites. Muito tempo depois, quando Jesus esteve na terra, ele disse que, assim como Jonas ficou três dias dentro do peixe, assim ele ficaria três dias na terra; de modo que Jonas no peixe foi como uma profecia de Cristo. Dentro do peixe, Jonas clamou ao Senhor; e o Senhor ouviu a sua oração e fez com que o grande peixe lançasse Jonas em terra firme.
A essa altura Jonas havia aprendido que alguns homens que adoravam ídolos tinham bom coração e eram queridos do Senhor. Era essa a lição que Deus queria que Jonas aprendesse; e então o chamado do Senhor veio a Jonas pela segunda vez:
"Levanta-te, vai a Nínive, aquela grande cidade, e prega-lhe o que eu te mando."
Foi, pois, Jonas à cidade de Nínive, e ao entrar nela clamava ao povo: "Dentro de quarenta dias Nínive será destruída." E andou pela cidade o dia inteiro, clamando apenas isto: "Dentro de quarenta dias Nínive será destruída."
E o povo de Nínive creu na palavra do Senhor anunciada por Jonas. Afastaram-se dos seus pecados, jejuaram e buscaram o Senhor, desde o maior deles até o menor. O rei de Nínive levantou-se do seu trono, pôs de lado os seus trajes reais, cobriu-se de pano de saco e sentou-se sobre cinzas, em sinal do seu pesar. E o rei enviou uma ordem ao seu povo, para que jejuassem, buscassem o Senhor e se afastassem do pecado.
E Deus viu que o povo de Nínive estava arrependido da sua maldade, e perdoou-lhes, e não destruiu a sua cidade. Mas isso deixou Jonas muito irado. Ele não queria que Nínive fosse poupada, porque era inimiga da sua própria terra; e também temia que os homens o chamassem de falso profeta quando a sua palavra não se cumprisse. E Jonas disse ao Senhor:
"Ó Senhor, eu tinha certeza de que assim seria, de que pouparias a cidade; e por essa razão tentei fugir; pois sabia que és um Deus clemente, cheio de compaixão, tardio em irar-se e rico em misericórdia. Agora, ó Senhor, tira-me a vida, pois melhor me é morrer do que viver."
E Jonas saiu da cidade e construiu uma pequena cabana do lado oriental dela, e sentou-se sob o seu teto, para ver se Deus cumpriria a palavra que havia falado. Então o Senhor fez crescer uma planta de folhas espessas, chamada aboboreira, para dar sombra a Jonas contra o sol; e Jonas alegrou-se e sentou-se à sua sombra. Mas um verme destruiu a planta; e no dia seguinte soprou um vento quente, e Jonas sofreu com o calor; e de novo Jonas desejou morrer. E o Senhor disse a Jonas: "Tiveste pena de ver a planta morrer, embora não a tivesses feito crescer, e embora ela tenha nascido numa noite e numa noite tenha perecido. E não haveria eu de ter compaixão de Nínive, aquela grande cidade, onde há mais de cem mil criancinhas, e também muito gado, todos indefesos e sem entendimento?"
E Jonas aprendeu que os homens, as mulheres e as criancinhas são todos preciosos aos olhos do Senhor, ainda que não conheçam a Deus.
Na maior parte dos livros do Antigo Testamento lemos sobre o povo israelita e sobre o cuidado de Deus para com ele; mas não encontramos no Antigo Testamento muita coisa sobre Deus como Pai de todos os homens, de toda nação e de toda terra. O livro de Jonas está quase sozinho no Antigo Testamento em mostrar que Deus ama os povos de outras nações além de Israel. Até o povo de Nínive, que adorava imagens, estava sob o amor de Deus; Deus estava pronto a ouvir a sua oração e a salvá-los. Assim, o livro de Jonas nos mostra Deus como "nosso Pai celestial".