Depois que os judeus voltaram à sua própria terra, primeiro edificaram o altar sobre o monte Moriá. Depois construíram algumas casas para si, pois o inverno se aproximava. E, no começo do ano seguinte, começaram a reconstruir o Templo do Senhor. Zorobabel, o príncipe, e Josué, o sacerdote, dirigiam a obra, e os sacerdotes e levitas ajudavam nela. Deram dinheiro a pedreiros e carpinteiros, e pagaram a homens de Tiro e de Sidom, na costa do Grande Mar, para que fizessem descer, flutuando, cedros do monte Líbano até Jope; e de Jope os transportaram pelas montanhas acima até Jerusalém, para a construção da casa.
Quando assentaram as primeiras pedras do novo edifício, os sacerdotes, com as suas vestes, estavam a postos com trombetas, e os levitas com címbalos, para louvar o Senhor pela sua bondade em trazê-los mais uma vez à sua própria terra. Os cantores cantavam:
> "Louvai ao Senhor, porque ele é bom; > a sua misericórdia dura para sempre sobre Israel, o seu povo."
E todo o povo soltou um grande brado quando as primeiras pedras foram postas. Mas alguns dos sacerdotes, levitas e judeus eram homens idosos, que haviam visto o primeiro Templo ainda de pé, mais de cinquenta anos antes. Esses velhos choravam ao lembrar-se da casa que fora queimada e dos amigos que haviam sido mortos na destruição da cidade. Uns choravam e outros bradavam de alegria, mas os sons se misturavam, e os que ouviam de longe não podiam distinguir o choro dos brados.
Mas aqueles construtores logo encontraram inimigos e foram estorvados no seu trabalho. No meio da terra, perto das cidades de Siquém e Samaria, vivia o povo samaritano, formado em parte por gente das antigas Dez Tribos e em parte pelos povos que os assírios haviam trazido para a terra muitos anos antes. Eles adoravam o Senhor, mas, junto com o Senhor, adoravam outros deuses. Essas pessoas vieram ao príncipe Zorobabel e disseram: "Deixai-nos unir a vós na construção desta casa, porque buscamos o Senhor como vós, e lhe oferecemos sacrifícios."
Mas Zorobabel e os chefes lhes responderam: "Vós não sois dos nossos, e não adorais como nós adoramos. Nada tendes a ver conosco na construção da casa do Senhor. Nós mesmos a edificaremos ao nosso Deus, o Deus de Israel, como Ciro, o rei da Pérsia, nos mandou edificar."
Isso deixou o povo de Samaria muito irado. Tentaram impedir os judeus de construir, e os intimidaram, e escreveram cartas ao rei, instando-o a mandar parar a obra. Ciro, o rei, era amigo dos judeus, mas estava numa terra distante, no oriente, fazendo guerra, de modo que não podia ajudá-los; e pouco depois morreu. Seu filho, que recebeu o seu grande reino, não se importava com os judeus, e também ele morreu em poucos anos. Então um nobre de outra família apoderou-se do trono e o manteve por quase um ano, antes de ser morto. Seu nome era Esmerdis, mas na Bíblia é chamado por outro nome, Artaxerxes. Enquanto esse rei reinava, os chefes samaritanos lhe escreveram uma carta, dizendo:
"Saiba o rei que os judeus voltaram a Jerusalém. Estão reconstruindo a cidade que sempre foi má e que não obedecia aos reis quando existia. Se essa cidade for reconstruída e as suas muralhas terminadas, os judeus não servirão ao rei, nem lhe pagarão os seus tributos. Nós somos fiéis ao rei e não queremos ver dano algum vir sobre o seu governo. Desde os tempos antigos, essa cidade foi rebelde, e por essa causa foi arrasada. Se for reconstruída, em breve o rei não terá poder algum deste lado do rio Eufrates."
O rei Esmerdis, ou Artaxerxes, escreveu aos principais de Samaria esta resposta:
"A carta que enviastes foi lida diante de mim. Mandei fazer busca nos registros; e acho que a cidade de Jerusalém foi, nos tempos antigos, uma cidade forte, com grandes reis governando nela, e governando também as terras ao seu redor. Acho também que essa cidade se levantou e fez guerra contra os reis dos impérios do passado. Ordenai aos homens que estão reconstruindo a cidade de Jerusalém que parem a obra; e que ela não prossiga até que venha uma ordem do rei."
Os samaritanos e os outros inimigos dos judeus alegraram-se com a chegada dessa carta do grande rei da Pérsia. Foram a Jerusalém e fizeram parar a obra de construção do Templo e da cidade. Assim, os alicerces do Templo ficaram inacabados por vários anos.
Mas, depois de algum tempo, dois profetas se levantaram na terra da Judeia. Eram Ageu e Zacarias; e eles falavam ao povo a palavra do Senhor, dizendo-lhes que prosseguissem com a construção. Ageu disse: "É tempo de habitardes em casas ricamente adornadas, enquanto a casa do Senhor jaz em ruínas? Subi aos montes, trazei madeira e edificai; e eu me agradarei de vós e vos abençoarei, diz o Senhor. A glória desta casa será maior do que a glória da outra, e neste lugar darei a paz, diz o Senhor dos exércitos."
E Zacarias, o outro profeta, disse: "Não será pela força, nem pelo poder, mas pelo meu espírito, diz o Senhor. As mãos de Zorobabel lançaram os alicerces desta casa, e as suas mãos a acabarão. Ele porá a pedra de remate entre brados de 'Graça, graça sobre ela!'"
Então Zorobabel, Josué e os demais judeus recomeçaram e prosseguiram com a obra. Pouco depois, um novo rei começou a reinar na Pérsia. Era um homem sábio e um grande governante, cujo nome era Dario.
O rei Dario procurou nos registros da Pérsia e achou escrito que Ciro, o rei, havia mandado construir o Templo. Escreveu uma carta aos governantes de todas as terras ao redor da Judeia, para que não mais estorvassem a obra, mas a ajudassem e dessem o que fosse necessário para ela. Então os judeus continuaram a construção com grande alegria; e ela foi enfim concluída, vinte e um anos depois de começada, quando Zorobabel, o príncipe, e Josué, o sacerdote, ainda governavam o povo.
O Templo, assim construído pela segunda vez, era semelhante ao que Salomão edificara quase quinhentos anos antes; mas, embora maior, não era tão belo nem tão custoso. Diante dele havia um pátio aberto, cercado por um muro, onde o povo podia ir adorar. Junto ao pátio do povo, em terreno mais alto, ficava o pátio dos sacerdotes, onde estavam o altar e a bacia para as abluções. Dentro desse pátio erguia-se a casa de Deus, com o Lugar Santo e o Santo dos Santos, separados por um grande véu. No Lugar Santo, como antes, estavam a mesa dos pães, o candelabro de ouro e o altar de ouro para o incenso. Mas no Santo dos Santos não havia arca da aliança, pois ela se perdera e nunca foi trazida de volta a Jerusalém. No lugar da arca havia um bloco de mármore, sobre o qual o sumo sacerdote aspergia o sangue quando entrava no Santo dos Santos, no grande dia da expiação, uma vez por ano.