✦ ASTRONEXOVOZES DA BÍBLIA
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A samaritana junto ao poço

João 4
O Forasteiro junto ao Poço
João 4

Enquanto Jesus ensinava em Jerusalém e nos lugares do campo ali perto, João Batista ainda pregava e batizava. Mas o povo já ia deixando João para ouvir Jesus. Alguns dos seguidores de João Batista não gostaram de ver que menos gente vinha ao seu mestre, e que as multidões procuravam Jesus. Mas João lhes disse: "Eu vos disse que não sou o Cristo, mas que fui enviado adiante dele. Jesus é o Cristo, o Rei. Convém que ele cresça, e que eu diminua; e alegro-me que assim seja."

Pouco depois disso, Herodes Antipas, o rei da província ou terra da Galileia, pôs João na prisão. Herodes havia tomado por esposa uma mulher chamada Herodias, que deixara o marido para viver com Herodes, o que era muito iníquo. João mandou dizer a Herodes que não lhe era lícito ter aquela mulher por esposa. Essas palavras de João deixaram Herodias furiosa. Ela odiava João e procurava matá-lo. O próprio Herodes não odiava tanto a João, pois sabia que João dissera a verdade. Mas era fraco, e cedia à sua mulher Herodias. Para agradá-la, mandou João Batista para uma prisão solitária entre as montanhas a leste do mar Morto, pois a terra daquela região, assim como a Galileia, estava sob o governo de Herodes. Ali, na prisão, Herodes esperava manter João a salvo do ódio de sua mulher Herodias.

Pouco depois de João Batista ser lançado na prisão, Jesus deixou a região perto de Jerusalém, com os seus discípulos, e seguiu rumo à Galileia, a província do norte. Entre a Judeia, ao sul, e a Galileia, ao norte, estendia-se a terra de Samaria, onde viviam os samaritanos, que odiavam os judeus. Eles adoravam o Senhor como os judeus o adoravam, mas tinham o seu próprio templo e os seus próprios sacerdotes. E tinham a sua própria Bíblia, que era apenas os cinco livros de Moisés, pois não queriam ler os outros livros do Antigo Testamento. Os judeus e os samaritanos quase nunca falavam uns com os outros, tão grande era o ódio entre eles.

Quando os judeus iam da Galileia a Jerusalém, ou de Jerusalém à Galileia, não passavam por Samaria, mas desciam as montanhas até o rio Jordão e caminhavam à beira do rio, para contornar Samaria. Mas Jesus, quando ia de Jerusalém à Galileia, caminhava pelas montanhas, direto através de Samaria. Certa manhã, durante a viagem, parou para descansar junto a um velho poço ao pé do monte Gerizim, não longe da cidade de Siquém, mas mais perto de uma aldeiazinha chamada Sicar. Esse poço fora cavado por Jacó, o grande pai ou antepassado dos israelitas, muitas centenas de anos antes. Já era um poço antigo nos dias de Jesus, e é muito mais antigo agora, pois o mesmo poço ainda pode ser visto naquele lugar. Ainda hoje os viajantes podem beber da água do poço de Jacó, como lemos na História Catorze da Primeira Parte.

Era de manhã cedo, por volta do nascer do sol, quando Jesus estava sentado junto ao poço de Jacó. Estava muito cansado, pois caminhara uma longa jornada; tinha fome, e os seus discípulos tinham ido à aldeia próxima comprar alimento. Tinha sede também; e, olhando para dentro do poço, podia ver a água, uns trinta metros abaixo, mas não tinha corda com que descer uma vasilha ou um jarro para tirar água e beber.

Bem nesse momento uma mulher samaritana chegou ao poço, com o seu cântaro à cabeça e a corda na mão. Jesus olhou para ela e, num só olhar, leu a sua alma e viu toda a sua vida. Sabia que os judeus raramente falavam com samaritanos, mas disse-lhe: "Dá-me de beber, por favor."

A mulher viu, pela aparência e pelo traje, que ele era judeu; e disse-lhe: "Como é que tu, sendo judeu, pedes de beber a mim, que sou mulher samaritana?"

Jesus lhe respondeu: "Se conhecesses o dom gratuito de Deus, e soubesses quem é que te diz: 'Dá-me de beber', tu lhe pedirias, e ele te daria água viva."

Havia algo nas palavras e no olhar de Jesus que fez a mulher sentir que ele não era um homem comum. Disse-lhe ela: "Senhor, não tens com que tirar água, e o poço é fundo. Onde podes conseguir essa água viva? És maior do que o nosso pai Jacó, que bebeu deste poço, e que nos deu este poço?"

"Quem bebe desta água", disse Jesus, "terá sede outra vez; mas quem beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede; e a água que eu lhe der será nele uma fonte de água a jorrar para a vida eterna."

"Senhor", disse a mulher, "dá-me dessa tua água, para que eu não tenha mais sede, nem venha até este poço."

Jesus olhou para a mulher e lhe disse: "Vai a casa, chama o teu marido, e vem cá."

"Não tenho marido", respondeu a mulher.

"Sim", disse Jesus, "disseste a verdade. Não tens marido. Mas já tiveste cinco maridos, e o homem que agora tens não é teu marido."

A mulher encheu-se de espanto ao ouvir isso. Viu que ali estava um homem que sabia o que um forasteiro não podia saber. Sentiu que Deus lhe havia falado, e disse: "Senhor, vejo que és um profeta de Deus. Dize-me: quem tem razão, o nosso povo ou os judeus? Os nossos pais adoraram neste monte. Os judeus dizem que Jerusalém é o lugar aonde os homens devem ir para adorar. Qual destes é, afinal, o lugar certo?"

"Mulher, crê em mim", disse Jesus, "vem a hora em que os homens adorarão a Deus em outros lugares, além deste monte e de Jerusalém. O tempo está próximo; já chegou, em que os verdadeiros adoradores, em toda parte, orarão a Deus em espírito e em verdade; porque Deus mesmo é Espírito."

A mulher disse: "Eu sei que o Ungido está para vir, o Cristo. Quando ele vier, nos ensinará todas as coisas."

Jesus lhe disse: "Eu, que agora falo contigo, sou ele, o Cristo!"

Bem nessa hora os discípulos de Jesus voltaram da aldeia. Admiraram-se de ver Jesus conversando com aquela mulher samaritana, mas nada disseram.

A mulher tinha vindo tirar água, mas, no seu interesse por aquele forasteiro maravilhoso, esqueceu o que viera fazer. Deixando o cântaro, correu de volta à sua aldeia e disse ao povo: "Vinde ver um homem que me disse tudo o que fiz em toda a minha vida! Não será este o Cristo que esperamos?"

Quando a mulher se foi, os discípulos insistiram com Jesus para que comesse do alimento que haviam trazido. Pouco antes Jesus estivera com fome, mas agora havia esquecido as próprias necessidades de comida e bebida. Disse-lhes: "Tenho um alimento para comer que não conheceis, o alimento da alma; e esse alimento é fazer a vontade de Deus e trabalhar para ele. Não dizeis que ainda faltam quatro meses para a colheita? Vós haveis de ceifar, e tereis rica recompensa, recolhendo fruto para a vida eterna."

Logo a mulher voltou ao poço com muitos do seu povo. Pediram a Jesus que fosse à sua cidade, e ficasse ali, ensinando-os. Ele foi com eles, e ficou ali dois dias, ensinando o povo, que era samaritano. E muitos daquele lugar creram em Jesus, e disseram: "Nós mesmos o ouvimos; agora sabemos que este é verdadeiramente o Salvador do mundo."