✦ ASTRONEXOVOZES DA BÍBLIA
118

O filho do oficial; Jesus em Nazaré

João 4; Lucas 4
A História de um Menino em Cafarnaum e de um Tumulto em Nazaré
João 4Lucas 4

De Sicar, a aldeia perto do poço de Jacó, Jesus seguiu para o norte, para a Galileia, até Caná, o lugar onde havia transformado a água em vinho, como lemos na História Sete desta parte. A notícia de que Jesus voltara de Jerusalém e estava de novo na Galileia correu por toda aquela região, e todos queriam ver o profeta que havia realizado tais maravilhas.

Havia um homem que morava em Cafarnaum, cidade à beira do mar da Galileia, que ouviu com grande alegria que Jesus estava de novo em Caná. Era um homem de alta posição, um nobre da corte do rei Herodes; mas estava em profunda aflição por causa do seu filho, que estava muito doente, em perigo de morte. Esse nobre subiu as montanhas a toda pressa, de Cafarnaum a Caná, para ver Jesus. Cavalgou a noite inteira e, pela manhã, quando encontrou Jesus, suplicou-lhe que descesse a Cafarnaum e curasse o seu filho. Jesus disse ao homem: "Vós não credes em mim como o Salvador, a menos que estejais sempre vendo sinais e prodígios."

"Ó meu senhor", disse o pai, "desce depressa, ou o meu filho morrerá."

"Podes ir para casa", disse Jesus, "porque o teu filho viverá."

O homem creu nas palavras de Jesus e foi para casa, mas não se apressou, nem pediu a Jesus que fosse com ele. Na manhã seguinte, quando descia as montanhas, os seus servos vieram ao seu encontro e disseram: "Senhor, o teu filho vive, e está melhor."

"A que horas começou a melhorar?", perguntou o nobre.

"Foi ontem, às sete horas da manhã, quando a febre o deixou", responderam.

Era exatamente a hora em que Jesus lhe dissera: "O teu filho viverá." E depois disso o nobre creu em Jesus, e também todos os que moravam em sua casa.

Jesus tinha vindo à Galileia para pregar ao povo e anunciar-lhe o seu evangelho. Pensou em começar a sua pregação na cidadezinha de Nazaré, onde vivera tantos anos, onde os seus irmãos e irmãs ainda moravam, e onde todo o povo o conhecia. Ele amava os homens que haviam brincado com ele quando todos eram meninos, e ansiava por dar-lhes as primeiras novas do seu evangelho.

Então Jesus foi a Nazaré; e, como nos sábados sempre havia adorado na sinagoga, foi mais uma vez àquele lugar. Já não era o carpinteiro, mas o mestre, o profeta de quem todos na terra falavam, e a sinagoga estava cheia de gente ansiosa por ouvi-lo e, sobretudo, esperando vê-lo fazer alguma obra maravilhosa. Sentados no chão diante dele estavam homens que o conheciam desde pequenino, e talvez algumas das suas próprias irmãs olhassem da galeria, por trás da grade de madeira.

Jesus levantou-se, para mostrar que desejava ler as Escrituras, e o encarregado dos livros entregou-lhe o rolo do profeta Isaías. Jesus abriu no capítulo sessenta e um, e dele leu:

"O Espírito do Senhor está sobre mim, Porque ele me ungiu para anunciar boas novas aos pobres. Enviou-me para proclamar liberdade aos cativos, E restauração da vista aos cegos, Para pôr em liberdade os oprimidos, E proclamar aos homens o ano da graça de Deus."

Quando Jesus terminou de ler essas palavras, enrolou o livro, devolveu-o ao guardião dos rolos e sentou-se; pois na sinagoga o homem ficava de pé para ler a Bíblia, e sentava-se para falar ao povo. Começou dizendo:

"Hoje se cumpriu diante de vós esta palavra do Senhor."

E então mostrou como fora enviado para pregar aos pobres, libertar os cativos, dar vista aos cegos, consolar os aflitos e anunciar aos homens as novas da graça de Deus. A princípio o povo escutava com o mais profundo interesse, e todos se comoviam com as palavras bondosas e ternas que ele dizia.

Mas logo começaram a cochichar entre si. Um dizia: "Por que haveria este carpinteiro de querer ensinar-nos?" E outro: "Este homem não é mestre nenhum! É apenas o filho de José! Conhecemos os seus irmãos, e as suas irmãs moram aqui." E alguns começaram a dizer: "Por que ele não faz aqui as maravilhas que dizem que fez em outros lugares? Queremos ver alguns dos seus milagres!"

Jesus conhecia os seus pensamentos, e disse: "Sei que me direis: 'Mostra-nos um milagre como o do filho do nobre em Cafarnaum.' Em verdade vos digo: 'Nenhum profeta é honrado entre o seu próprio povo.'

"Lembrai-vos do que se conta do profeta Elias, quando os céus se fecharam, e não houve chuva por três anos e seis meses. Havia muitas viúvas na terra de Israel naquele tempo, mas Elias não foi enviado pelo Senhor a nenhuma delas. O Senhor o enviou para fora da terra, a Sarepta, cidadezinha perto de Sidom, a uma viúva que lá vivia; e ali ele fez os seus milagres.

"E no tempo do profeta Eliseu havia muitos leprosos em Israel que Eliseu poderia ter curado; mas o único leproso que Eliseu sarou foi Naamã, o sírio."

Tudo isso deixou o povo da sinagoga muito irado; pois só queriam ver alguma obra prodigiosa, e não ouvir as palavras de Jesus. Não quiseram escutá-lo; saltaram dos seus lugares no chão, agarraram Jesus e o arrastaram para fora. Depois o levaram ao alto do monte acima da cidade, e o teriam lançado dali para a morte. Mas Jesus, pelo poder de Deus, escapou silenciosamente das suas mãos e foi embora, pois o tempo de morrer ainda não havia chegado para ele.

Com grande tristeza Jesus partiu de Nazaré, pois ansiava por levar as bênçãos de Deus ao seu próprio povo. Desceu as montanhas até a cidade de Cafarnaum, à beira-mar, e ali, nos sábados, ensinava o povo nas sinagogas.

Podeis ler a história do profeta Elias e da mulher de Sarepta na História Três da Quarta Parte, e a história de Eliseu curando Naamã, o sírio, na História Treze da Quarta Parte. Foram essas as histórias de que Jesus falou ao povo na sinagoga de Nazaré.