De Jericó, Jesus e seus discípulos subiram pelas montanhas e chegaram a Betânia, onde moravam suas amigas Marta e Maria, e onde ele havia ressuscitado Lázaro, como lemos na Vigésima Sexta História. Muitas pessoas em Jerusalém souberam que Jesus estava ali e saíram da cidade para vê-lo, pois Betânia ficava a apenas duas milhas de Jerusalém. Alguns vinham também para ver Lázaro, a quem Jesus ressuscitara dentre os mortos; mas os chefes dos judeus diziam uns aos outros:
"Devemos matar não somente Jesus, mas também Lázaro, porque por causa dele muitos do povo estão seguindo Jesus e crendo nele."
Os amigos de Jesus em Betânia prepararam-lhe uma ceia na casa de um homem chamado Simão. Chamavam-no "Simão, o Leproso"; e talvez fosse alguém a quem Jesus havia curado da lepra. Jesus e seus discípulos, com Lázaro, reclinaram-se nos divãs em volta da mesa, como convidados; e Marta era uma das que serviam. Enquanto estavam na ceia, Maria, a irmã de Lázaro, entrou na sala, trazendo um vaso lacrado de perfume muito precioso. Ela abriu o vaso e derramou parte do perfume sobre a cabeça de Jesus e parte sobre os seus pés, e enxugou-lhe os pés com os seus longos cabelos. E toda a casa se encheu da fragrância do perfume.
Mas um dos discípulos de Jesus, Judas Iscariotes, não gostou daquilo. Ele disse: "Por que se fez tamanho desperdício de perfume? Isto podia ter sido vendido por um bom preço, e o dinheiro, dado aos pobres!"
Assim falou, mas não porque se importasse com os pobres. Judas era quem guardava a bolsa de dinheiro de Jesus e dos doze, e era ladrão, e tirava para seu próprio uso todo o dinheiro que conseguia furtar.
Mas Jesus disse: "Deixai-a; por que censurais esta mulher? Ela fez uma boa obra para comigo. Os pobres, sempre os tendes convosco, e podeis fazer-lhes bem quando quiserdes. Mas a mim não me tereis convosco senão por pouco tempo. Ela fez o que pôde; veio perfumar o meu corpo para a sepultura. E em verdade vos digo: onde quer que o evangelho for pregado, pelo mundo inteiro, o que esta mulher fez será contado em sua memória." Talvez Maria soubesse o que os outros não acreditavam: que Jesus em breve haveria de morrer; e ela mostrou o seu amor por ele, e a sua tristeza pela morte que se aproximava, com esse rico presente.
Mas Judas, o discípulo que carregava a bolsa, ficou muito irado contra Jesus; e desde aquele momento procurava uma oportunidade para traí-lo, entregando-o aos seus inimigos. Foi ter com os principais sacerdotes e disse: "Que me dareis, se eu puser Jesus nas vossas mãos?"
Eles disseram: "Dar-te-emos trinta moedas de prata."
E por trinta moedas de prata Judas prometeu ajudá-los a prender Jesus e fazê-lo seu prisioneiro.
Na manhã seguinte à ceia de Betânia, Jesus chamou dois dos seus discípulos e lhes disse: "Ide à aldeia próxima, e num lugar onde dois caminhos se cruzam encontrareis uma jumenta amarrada, e com ela um jumentinho. Desamarrai-os e trazei-os a mim. E, se alguém vos disser: 'Por que fazeis isso?', dizei: 'O Senhor precisa deles', e ele os deixará ir."
Eles foram ao lugar, encontraram a jumenta e o jumentinho, e estavam desamarrando-os quando o dono disse: "Que estais fazendo, desamarrando a jumenta?"
E eles disseram, como Jesus lhes mandara dizer: "O Senhor precisa dela!"
Então o dono lhes entregou a jumenta e o jumentinho para o uso de Jesus. Levaram-nos a Jesus, no Monte das Oliveiras, puseram algumas das suas próprias vestes sobre o jumentinho, como almofada, e fizeram Jesus montar nele. Então todos os discípulos e uma grandíssima multidão estendiam as suas vestes pelo chão, para que Jesus passasse por cima delas. Outros cortavam ramos das árvores e os espalhavam pelo caminho.
E, enquanto Jesus cavalgava pela montanha em direção a Jerusalém, muitos iam adiante dele agitando ramos de palmeiras. E todos clamavam juntos:
"Hosana ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor! Bendito o reino do nosso pai Davi, que vem em nome do Senhor! Hosana nas alturas!"
Diziam essas coisas porque acreditavam que Jesus era o Cristo, o Rei Ungido, e esperavam que ele agora estabelecesse o seu trono em Jerusalém. Alguns dos fariseus na multidão, que não criam em Jesus, disseram-lhe: "Mestre, faze calar os teus discípulos!"
Mas Jesus disse: "Eu vos digo que, se estes se calassem, as próprias pedras clamariam!"
E, quando ele entrou em Jerusalém com toda aquela multidão, a cidade inteira se encheu de espanto. Diziam: "Quem é este?"
E a multidão respondia: "Este é Jesus, o profeta de Nazaré da Galileia!"
E Jesus entrou no templo e olhou tudo ao redor; mas não ficou, porque a hora já era tardia. Voltou a Betânia, e ali passou a noite com os seus amigos.
Essas coisas aconteceram num domingo, o primeiro dia da semana; e esse domingo do ano é chamado Domingo de Ramos, por causa dos ramos de palmeira que o povo levava diante de Jesus.