Na manhã de segunda-feira, o segundo dia da semana, Jesus levantou-se muito cedo e, sem esperar para tomar o desjejum, foi com os seus discípulos de Betânia, pelo Monte das Oliveiras, em direção a Jerusalém. Na montanha viu, ao longe, uma figueira coberta de folhas e, embora ainda fosse cedo para os figos amadurecerem, teve esperança de encontrar nela alguns figos bons para comer. Entre os judeus, e segundo a sua lei, qualquer pessoa que passasse junto a uma árvore podia comer do seu fruto, mesmo não sendo o dono; mas não lhe era permitido levar nada consigo.
Mas, quando Jesus chegou perto dessa árvore, viu que não havia nela fruto algum, nem maduro nem verde, mas somente folhas. Então veio um pensamento à mente de Jesus; e ele falou à árvore, enquanto os discípulos ouviam as suas palavras: "Nunca mais nasça fruto de ti, desde agora e para sempre." E seguiu o seu caminho para Jerusalém. Veremos mais adiante por que Jesus disse essas palavras, e o que veio delas.
Vocês se lembram de que, quando Jesus veio a Jerusalém pela primeira vez depois que começou a pregar, encontrou os pátios do Templo cheios de gente comprando, vendendo e trocando dinheiro, e expulsou a todos. Isso lemos na Sétima História desta Parte. Mas isso fora três anos antes; e agora, quando Jesus entrou no Templo na manhã de segunda-feira antes da Páscoa, encontrou de novo ali todos os mercadores, vendendo os bois, as ovelhas e as pombas para os sacrifícios, e trocando dinheiro nas mesas.
E outra vez Jesus se levantou contra essas pessoas que queriam fazer da casa de seu Pai uma loja e um lugar de lucro. Expulsou a todos; virou as mesas dos cambistas, espalhando o dinheiro pelo chão; derrubou os assentos dos que vendiam pombas; e, sempre que via alguém carregando pelo Templo até mesmo um jarro, um cesto ou qualquer carga, fazia-o parar e voltar. Disse a todo o povo: "Está escrito nos profetas: 'A minha casa será chamada casa de oração para todas as nações; mas vós a tendes feito um covil de ladrões!'"
Os judeus tinham estabelecido a regra de que nenhum cego, nem coxo, podia entrar no Templo; pois pensavam que somente os perfeitos de corpo deviam apresentar-se diante do Senhor. Mas esqueciam que Deus olha para os corações, e não para os corpos. E, quando Jesus viu que muitos cegos e coxos estavam às portas do Templo, deixou-os entrar e curou a todos.
E as criancinhas, que sempre amavam Jesus, viram-no no Templo e clamavam, como ouviam outros clamar: "Hosana ao Filho de Davi!"
E Jesus disse: "Sim; e nunca lestes o que está escrito nos Salmos: 'Da boca dos pequeninos e das criancinhas tiraste o teu perfeito louvor'?"
E todo o povo simples vinha ouvir Jesus enquanto ele ensinava no Templo, e o escutava com alegria, pois ele lhes dava ensinamentos claros e singelos, com muitas parábolas, ou histórias. Mas os chefes e os principais sacerdotes ficavam cada vez mais irados ao ver os pátios do Templo cheios de gente ansiosa por ouvir Jesus. Procuravam um meio de lançar mão de Jesus e matá-lo; mas não ousavam, enquanto as multidões o cercavam.
Todo aquele dia Jesus ensinou o povo, e, quando chegou a noite, saiu da cidade, atravessou o Monte das Oliveiras e foi a Betânia, onde estava seguro entre os seus amigos.
E na manhã seguinte, que era a terça-feira da semana antes da Páscoa, Jesus atravessou de novo o Monte das Oliveiras com os seus discípulos. Passaram pela figueira à qual Jesus dissera palavras tão estranhas no dia anterior. E então os discípulos viram que a árvore estava ali, murcha e seca, com as folhas secas farfalhando ao vento.
"Olha, Mestre!", disse Pedro. "A figueira a que falaste ontem secou!"
E Jesus disse a todos eles: "Tende fé em Deus, pois em verdade vos digo que, se tiverdes fé, não somente fareis o que foi feito à figueira, mas também, se disserdes a este monte: 'Ergue-te e lança-te no mar!', assim será feito. E todas as coisas, sejam quais forem, que pedirdes em oração, se tiverdes fé, vos serão dadas." De novo Jesus entrou no Templo e ensinou o povo.
E Jesus contou outra parábola, ou história, a das "Bodas". Ele disse:
"Havia um rei que deu uma grande festa nas bodas de seu filho; e enviou os seus servos para chamar os que haviam sido convidados para a festa. Mas eles não quiseram vir. Então enviou outros servos e disse: 'Dizei aos convidados que o meu jantar está pronto; os meus bois já foram abatidos, e os pratos estão na mesa. Dizei-lhes: "Tudo está pronto; vinde às bodas!"'
"Mas os homens que haviam sido chamados não quiseram vir. Um foi para o seu campo, outro para a sua loja, e alguns deles agarraram os servos enviados, espancaram-nos e os trataram com violência; e a alguns mataram. Isso deixou o rei muito irado. Enviou os seus exércitos, matou aqueles assassinos e queimou a cidade deles. Depois disse aos seus servos: 'A festa de casamento está pronta, mas os que foram convidados não eram dignos de tal honra. Saí pelas ruas e chamai todos os que encontrardes, grandes e pequenos, ricos e pobres, bons e maus, e dizei-lhes que são bem-vindos.'
"Os servos saíram e convidaram todas as pessoas, de toda espécie, e as trouxeram à festa, de modo que todos os lugares se encheram. E a todos os que chegavam davam uma veste nupcial, para que cada um estivesse vestido como convinha diante do rei.
"Mas, quando o rei entrou para ver os seus convidados, viu ali um homem que não trajava a veste nupcial. Disse-lhe: 'Amigo, por que vieste à festa sem a veste nupcial?'
"O homem nada tinha a dizer; ficou como mudo. Então o rei disse aos seus oficiais: 'Amarrai-o de pés e mãos e lançai-o fora, nas trevas, onde haverá choro e ranger de dentes. Porque no reino de Deus muitos são chamados, mas poucos são escolhidos.'"
Os inimigos de Jesus pensaram ter encontrado um meio de colocá-lo em apuros, ou com o povo, ou com os romanos, que governavam a terra. Enviaram-lhe, pois, alguns homens que se faziam passar por honestos e sinceros, mas que no coração buscavam destruir Jesus. Esses homens vieram e disseram: "Mestre, sabemos que ensinas a verdade e que não tens medo de ninguém. Dize-nos, pois, o que é justo e o que devemos fazer. Deve o nosso povo, os judeus, pagar impostos ao imperador romano, César, ou não? Devemos pagar, ou não devemos?"
E ficaram à espreita da sua resposta. Se ele dissesse: "É justo pagar o imposto", esses homens poderiam dizer ao povo: "Jesus é amigo dos romanos e inimigo dos judeus", e então o povo se afastaria dele. Mas, se dissesse: "Não é justo pagar o imposto; recusai-vos a pagá-lo", poderiam dizer ao governador romano que Jesus não obedecia às leis, e o governador poderia prendê-lo ou matá-lo. Assim, qualquer que fosse a resposta de Jesus, esperavam que ele criasse problemas para si mesmo.
Mas Jesus conhecia o ódio deles e os pensamentos dos seus corações, e disse: "Mostrai-me uma moeda das que se dão para o imposto."
Trouxeram-lhe uma moeda de prata, e ele a olhou e disse: "De quem é esta cabeça na moeda? De quem é o nome escrito sobre ela?"
Responderam-lhe: "É de César, o imperador romano."
"Pois bem", disse Jesus, "dai a César o que é de César, e dai a Deus o que é de Deus!"
Ficaram admirados com a sua resposta, pois era tão sábia que nada podiam dizer contra ela. Experimentaram-no com outras perguntas, mas ele respondeu a todas e deixou os seus inimigos sem ter o que dizer. Então Jesus voltou-se contra os seus inimigos e lhes dirigiu as suas últimas palavras. Falou-lhes da sua maldade e os advertiu de que fariam cair sobre si a ira de Deus.
Jesus estava na parte do Templo chamada "Tesouro", porque ao longo da parede havia caixas em que o povo depositava as suas ofertas quando vinha adorar. Alguns, que eram ricos, davam muito dinheiro; mas uma pobre viúva passou e depositou duas pequenas moedas, as menores de todas, valendo as duas juntas quase nada. Jesus disse: "Em verdade vos digo que esta pobre viúva depositou no tesouro mais do que todos os outros. Porque os outros deram da sua abundância, mas ela, na sua necessidade, deu tudo o que tinha."
E, com essas palavras, Jesus levantou-se e saiu do Templo pela última vez. Nunca mais a voz de Jesus foi ouvida dentro daquelas paredes.