O apóstolo Paulo não ficou muito tempo em Antioquia; logo partiu para outra viagem, visitando as igrejas já formadas e entrando em novos campos. Percorreu a Síria, a região ao redor de Antioquia, e depois a região perto de Tarso, que fora o lar de sua juventude, pregando a Cristo por toda parte. Atravessou as montanhas e penetrou no coração da Ásia Menor, chegando à terra da Galácia. O povo daquela terra era uma raça de coração ardente, ávida por ver e ouvir coisas novas. Ouviram Paulo com grande alegria e creram imediatamente em seus ensinamentos. Paulo escreveu depois que eles o receberam como a um anjo de Deus, como se ele fosse o próprio Jesus Cristo, e que estavam prontos a arrancar os próprios olhos para dá-los a ele — tamanha era a sua avidez pelo evangelho.
Mas, pouco depois de Paulo partir, chegaram alguns mestres judeus, dizendo a esses novos crentes: "Todos vós deveis tornar-vos judeus e tomar sobre vós toda a lei judaica, com todas as suas regras sobre o que se pode comer, sobre jejuns e dias de festa; do contrário, não podereis ser salvos."
E o povo da Galácia depressa se desviou das palavras de Paulo para seguir esses novos mestres; pois gostavam de mudanças e não eram firmes em suas convicções. Havia o perigo de que toda a obra de Paulo entre eles se desfizesse. Mas, assim que chegou a Paulo a notícia de que eles haviam repentinamente se afastado da verdade do evangelho, ele lhes escreveu uma carta, "A Epístola aos Gálatas". Nessa carta chamou-os de volta a Cristo, mostrou-lhes que eram livres, e não escravos da antiga lei, e exortou-os a permanecer firmes na liberdade que Cristo lhes havia dado.
Paulo atravessou a Frígia e daquela terra veio novamente a Éfeso, que já havia visitado antes, como lemos na história anterior. Desta vez ficou em Éfeso mais de dois anos, pregando o evangelho de Cristo. A princípio falava na sinagoga dos judeus, anunciando-lhes que Jesus era o Cristo Ungido, o Rei de Israel, e provando-o pelos profetas do Antigo Testamento. Mas, quando os judeus já não quiseram ouvi-lo e falavam contra o caminho de Cristo, Paulo deixou a sinagoga e passou a falar todos os dias numa sala de escola que lhe foi aberta. Sua obra tornou-se tão conhecida que quase todo o povo de Éfeso, e muitos das terras ao redor da cidade, ouviram a palavra do Senhor.
Deus deu a Paulo, nesse tempo, grandes poderes de cura. Levavam aos doentes os lenços com que Paulo havia enxugado o suor do rosto, e os aventais que usava enquanto trabalhava fazendo tendas, e as doenças deixavam os enfermos, e os espíritos maus saíam dos homens. Essas obras maravilhosas atraíam grandes multidões para ouvir Paulo, e levaram muitos mais a crer em suas palavras.
Havia naquela cidade alguns judeus que andavam de lugar em lugar, fingindo expulsar espíritos maus dos homens. Esses homens viram quão grande era o poder do nome de Jesus pronunciado por Paulo, e começaram também eles a falar em nome de Jesus, dizendo aos espíritos maus que havia nos homens: "Eu vos ordeno que saiais, em nome de Jesus, a quem Paulo prega."
E o espírito mau que estava num homem respondeu a dois desses impostores: "Conheço Jesus, e sei quem é Paulo; mas vós, quem sois?"
E o homem em quem estava o espírito mau lançou-se sobre eles, de modo que fugiram daquela casa nus e cobertos de feridas. Todos na cidade, tanto judeus como gregos, souberam disso, e todos compreenderam que até os espíritos maus temiam o nome de Jesus pronunciado por Paulo. E muitos dos que haviam tratado com espíritos maus vieram confessar seus atos e converteram-se ao Senhor. E alguns que possuíam livros que pretendiam ensinar a falar com espíritos os trouxeram e os queimaram como livros maus, embora tivessem custado uma grande soma de dinheiro. Assim crescia a obra do Senhor em Éfeso: um grande número creu em Cristo, e levantou-se ali uma grande igreja.
Paulo começou então a sentir que sua obra em Éfeso estava quase terminada. Pensou em atravessar o mar Egeu e visitar as igrejas de Filipos, Tessalônica e Bereia, na terra da Macedônia, e depois a igreja de Corinto, na Grécia, e então ir mais uma vez a Jerusalém.
"E depois de ter estado lá", disse Paulo, "é necessário que eu veja também Roma."
Assim, para preparar sua chegada à Macedônia, enviou Timóteo e outro amigo chamado Erasto, enquanto ele mesmo ficava em Éfeso por mais algum tempo. Mas pouco depois levantou-se naquela cidade um grande alvoroço por causa de Paulo e de sua pregação.
Erguia-se então na cidade de Éfeso um templo de ídolos, um dos maiores e mais ricos de todo o mundo. Ao redor do templo havia cento e vinte grandes colunas de mármore branco, cada coluna presente de um rei. E dentro dele estava uma imagem da deusa Diana, que o povo acreditava ter caído do céu. Vinha gente de muitas terras adorar a imagem de Diana; e muitos levavam consigo pequenas imagens semelhantes, feitas de ouro ou de prata. A fabricação e a venda dessas pequenas imagens davam trabalho a muitos que lidavam com ouro e prata, e lhes traziam grandes riquezas.
Um desses ourives da prata, um homem chamado Demétrio, reuniu seus companheiros de ofício e lhes disse: "Sabeis, meus amigos, que é com este ofício que ganhamos a vida e juntamos riquezas. E todos podeis ver e ouvir que este homem, Paulo, tem persuadido e desviado muita gente, não só nesta cidade, mas por todas estas terras, dizendo a todos que não são deuses os que são feitos por mãos. Há o perigo de que o nosso ofício acabe, e o perigo, também, de que o templo da grande deusa Diana venha a ser tido em nada. Pode até acontecer que a deusa, a quem toda a Ásia e todo o mundo adoram, seja derrubada de sua grandeza." Quando os artífices ouviram isso, ficaram furiosos e levantaram um grande clamor, gritando: "Grande é a Diana dos efésios! Grande é a Diana dos efésios!"
E logo a cidade inteira estava em tumulto; as pessoas corriam pelas ruas gritando, e uma grande multidão se ajuntou, sem que a maioria soubesse o que havia causado o ajuntamento e a gritaria. Na encosta da colina perto da cidade havia um grande espaço aberto, escavado, com assentos de pedra ao redor, em três lados. Era usado para reuniões públicas e chamava-se "o teatro". Para esse lugar todo o povo se precipitou, até enchê-lo; enquanto Demétrio e seus companheiros de ofício puxavam os gritos: "Grande é a Diana dos efésios!"
Agarraram dois dos amigos de Paulo que estavam com ele na cidade, Gaio e Aristarco, e os arrastaram consigo para o teatro. Paulo queria entrar e tentar falar ao povo, mas os discípulos de Cristo não o deixaram ir; e alguns dos principais daquela terra, que eram amigos de Paulo, mandaram-lhe recado, insistindo e rogando que não se arriscasse a entrar no teatro.
O barulho, a gritaria e a confusão continuaram por duas horas. Quando a multidão começou a cansar-se e já estava disposta a ouvir, o escrivão da cidade adiantou-se, acalmou o povo e disse: "Homens de Éfeso, que necessidade há de todo este tumulto? Existe alguém que não saiba que esta cidade é a guardiã do templo da grande deusa Diana e da imagem que caiu dos céus? Visto que estas coisas não podem ser negadas, convém que fiqueis tranquilos e nada façais de precipitado ou insensato. Trouxestes aqui estes homens, que não são ladrões de templos nem falaram mal da nossa deusa. Se Demétrio e os homens do seu ofício têm alguma acusação contra alguém, os tribunais estão abertos, e há juízes para ouvir a causa. Mas, se há qualquer outro assunto, deve ser tratado numa assembleia regular do povo. Pois corremos perigo por causa do tumulto de hoje, e podemos ser chamados a prestar contas deste ajuntamento."
E, depois de acalmar o povo com essas palavras, o escrivão da cidade o despediu. Quando o tumulto passou e tudo voltou a ficar em paz, Paulo reuniu os discípulos de Cristo e falou-lhes mais uma vez. Havia estado em Éfeso três anos pregando; e, enquanto ali esteve, escrevera, além da epístola ou carta aos Gálatas, a carta aos Romanos e duas cartas aos Coríntios, os crentes em Cristo de Corinto, na Grécia. Então partiu de navio de Éfeso, atravessando o mar Egeu rumo à Macedônia, onde antes havia pregado o evangelho em sua segunda viagem.