Depois do grande dilúvio, a família de Noé e os que vieram depois dele cresceram em número até que, com o passar dos anos, a terra começou a encher-se de gente outra vez. Mas havia uma grande diferença entre as pessoas que viveram antes do dilúvio e as que viveram depois dele. Antes do dilúvio, todas as pessoas permaneciam juntas, de modo que muitíssimas viviam numa só terra e ninguém vivia nas outras. Tanto quanto sabemos, todas as pessoas da terra antes do grande dilúvio viviam nas terras por onde corriam os dois grandes rios chamados Tigre e Eufrates. Essa parte do mundo estava muito cheia de gente; mas poucos, ou nenhum, atravessavam as montanhas ao leste ou o deserto ao oeste; e o grande mundo além ficava sem ninguém que o habitasse. Depois do dilúvio, as famílias começaram a mudar-se de um lugar para outro, buscando novos lares para si. Umas iam por um caminho, outras por outro.
Esse deslocamento fazia parte do plano de Deus, para que a terra inteira servisse de morada aos homens, e não apenas uma pequena parte dela. Além disso, uma família que quisesse servir a Deus e fazer o bem podia partir para outra terra, se as pessoas ao seu redor se tornassem más; e, num lugar à parte, podia criar seus filhos no caminho certo.
Do Monte Ararate, onde a arca pousou, muitas pessoas se mudaram para o sul, para uma região entre dois grandes rios, o Tigre e o Eufrates; e ali construíram casas para si. Empreenderam a construção de uma grande cidade, que deveria dominar todos os povos ao redor. Descobriram que o solo daquela região podia ser transformado em tijolos, e que os tijolos podiam ser aquecidos e endurecidos; de modo que era fácil construir casas para morar, e muralhas em volta da cidade, para torná-la forte contra os inimigos.
E as pessoas diziam umas às outras: "Construamos uma grande torre, que se erga sobre a terra e alcance o céu; para que fiquemos juntos, e não sejamos espalhados pela terra."
Assim começaram a construir sua grande torre de tijolos, que empilhavam, um andar sobre o outro. Mas Deus não queria que todas as pessoas da terra vivessem juntas, como haviam vivido antes do grande dilúvio. Deus sabia que, se todos ficassem juntos, os maus afastariam de Deus os bons, e o mundo inteiro se tornaria mau outra vez, como fora antes do dilúvio.
Foi assim que Deus impediu as pessoas de permanecerem num só lugar. Enquanto construíam aquela grande cidade e a torre com que pretendiam dominar o mundo, Deus fez com que a fala deles mudasse. Naquele tempo, todos os homens falavam uma só língua, de modo que cada um podia entender o que qualquer outra pessoa dizia.
Deus fez os homens mudarem de língua, talvez não de uma só vez, mas por graus, pouco a pouco. Depois de algum tempo, as pessoas que pertenciam a uma família perceberam que não conseguiam entender o que as pessoas de outra família diziam, assim como hoje os alemães não entendem o inglês, e os franceses não conseguem falar com os italianos, enquanto não aprendem as línguas uns dos outros.
À medida que as pessoas se distanciavam na fala, mudavam-se para outros lugares, onde as famílias que falavam uma mesma língua podiam entender-se. Assim, os homens que construíam a cidade e a grande torre já não conseguiam compreender a fala uns dos outros; abandonaram a construção sem terminá-la, e muitos deles partiram para outras terras. E a construção ficou para sempre inacabada.
E a cidade recebeu o nome de Babel, palavra que significa "confusão". Mais tarde ficou conhecida como Babilônia, e por muito tempo foi uma das maiores cidades daquela parte do mundo, mesmo depois que muitos dos seus habitantes a deixaram para viver em outros lugares.
Parte das pessoas que saíram da Babilônia subiu para o norte e construiu uma cidade chamada Nínive, que se tornou a cidade dominante de uma grande terra chamada Assíria, cujo povo era chamado assírio.
Outro grupo partiu para o oeste, estabeleceu-se junto ao grande rio Nilo e fundou a terra do Egito, com seus estranhos templos e pirâmides, sua Esfinge e seus monumentos.
Outro grupo ainda vagou para o noroeste, até chegar à costa do grande mar que chamamos Mar Mediterrâneo. Ali fundaram as cidades de Sidom e Tiro, cujos habitantes eram marinheiros, que navegavam para países distantes e traziam para casa muitas coisas de outras terras, para vender ao povo da Babilônia, da Assíria, do Egito e de outros países.
Assim, depois do dilúvio, a terra tornou a cobrir-se de gente, vivendo em muitas terras e falando muitas línguas.