Não longe da cidade da Babilônia, onde começaram a construir a torre de Babel, havia outra cidade, chamada Ur dos Caldeus. Os caldeus eram o povo que vivia na região chamada Caldeia, onde os dois rios, o Eufrates e o Tigre, se encontram. Entre esse povo, em Ur, vivia um homem chamado Abrão. Abrão era um homem bom, pois orava ao Senhor Deus e procurava sempre fazer a vontade de Deus.
Mas as pessoas que viviam em Ur, a terra de Abrão, não oravam a Deus. Oravam a ídolos, imagens feitas de madeira e pedra. Pensavam que essas imagens eram deuses, e que podiam ouvir suas orações e ajudá-las. E como essas pessoas que adoravam ídolos não invocavam a Deus, não conheciam a sua vontade, e faziam muitas coisas más.
O Senhor Deus viu que Abrão era bom e fiel, embora gente perversa vivesse ao seu redor. E Deus não queria que a família de Abrão crescesse num lugar assim, pois então eles também poderiam tornar-se maus. Por isso o Senhor falou a Abrão e disse:
"Abrão, reúne toda a tua família e sai deste lugar, para uma terra distante que eu te mostrarei. E naquela terra farei da tua família um grande povo, e te abençoarei e engrandecerei o teu nome, de modo que todo o mundo dará honra ao teu nome. Se fizeres como eu te ordeno, serás abençoado, e todas as famílias da terra alcançarão uma bênção por meio de ti."
Abrão não sabia exatamente o que significava essa bênção que Deus lhe prometia. Mas nós sabemos que a família de Abrão, depois de muitos anos, se tornou o povo israelita, do qual veio Jesus, o Salvador do mundo, pois Jesus era descendente de Abrão: isto é, Jesus veio, muito tempo depois, da família da qual Abrão foi o pai; e assim a família de Abrão se tornou uma bênção para o mundo inteiro, dando ao mundo um Salvador.
Embora Abrão não soubesse exatamente qual seria a bênção que Deus prometia dar-lhe, e embora não soubesse onde ficava a terra para a qual Deus o enviava, ele obedeceu à palavra de Deus. Levou toda a sua família, e com eles seu pai Terá, que era muito velho, e sua mulher, cujo nome era Sarai; e seu irmão Naor com a mulher, e o filho de outro irmão, cujo nome era Ló; pois o pai de Ló, Harã, que era o irmão mais moço de Abrão, havia morrido antes desse tempo. E Abrão tomou tudo o que tinha, suas tendas, seus rebanhos de ovelhas e suas manadas de gado, e partiu numa longa viagem, para uma terra da qual nem sequer sabia o nome.
Viajou rio acima, ao longo do grande rio Eufrates, até a região das montanhas, e chegou a um lugar chamado Harã, numa região chamada Mesopotâmia. A palavra Mesopotâmia significa "entre os rios"; e essa região ficava entre os dois grandes rios, o Tigre e o Eufrates. Em Harã todos ficaram por um tempo. Talvez tenham parado ali porque Terá, o pai de Abrão, estava velho demais para continuar a viagem; pois permaneceram em Harã até a morte de Terá.
Depois da morte de Terá, seu pai, Abrão retomou a viagem, e Ló, o filho de seu irmão, foi com ele; mas Naor, irmão de Abrão, ficou em Harã, e a sua família, e os filhos, e os filhos dos filhos, que chamamos "seus descendentes", viveram em Harã por muitos anos.
De Harã, Abrão e Ló voltaram-se para o sudoeste, e viajaram por muito tempo, tendo as montanhas à direita e o grande deserto à esquerda. Atravessaram rios, subiram colinas, e por fim chegaram à terra de Canaã, que era a terra de que Deus havia falado a Abrão.
Essa terra chamava-se Canaã porque as pessoas que nela viviam eram os descendentes, ou os filhos dos filhos, de um homem que vivera muito antes, cujo nome era Canaã. Muito tempo depois, ela foi chamada "terra de Israel", por causa do povo que nela vivia; e porque nessa mesma terra o Senhor Jesus viveu muitos anos mais tarde, hoje nós a chamamos "Terra Santa".
Quando Abrão chegou à terra de Canaã, encontrou nela algumas cidades e aldeias dos cananeus. Mas Abrão e sua gente não foram morar nas cidades. Viviam em tendas, nos campos abertos, onde podiam encontrar pasto para suas ovelhas e seu gado. Não longe de uma cidade chamada Siquém, Abrão armou sua tenda debaixo de um carvalho, na planície. Ali o Senhor veio a Abrão e disse:
"Darei esta terra aos teus filhos, e aos filhos deles, e esta será a terra deles para sempre."
E Abrão construiu ali um altar, fez uma oferta e adorou ao Senhor. Onde quer que Abrão armasse sua tenda, ali construía seu altar e orava a Deus; pois Abrão amava a Deus, servia a Deus e cria nas promessas de Deus.
Abrão e Ló mudaram suas tendas e seus rebanhos para muitos lugares, onde pudessem encontrar pasto para os rebanhos e água para beber. Certa vez desceram à terra do Egito, onde viram o grande rio Nilo. Talvez tenham visto também as Pirâmides, e a Esfinge, e os maravilhosos templos daquela terra, pois muitos deles foram construídos antes de Abrão viver.
Abrão não ficou muito tempo na terra do Egito. Deus não queria que ele vivesse numa terra onde o povo adorava ídolos; por isso Deus mandou Abrão de volta à terra de Canaã, onde ele podia viver afastado das cidades e ensinar seus servos e sua gente a adorar ao Senhor. Ele chegou a um lugar onde mais tarde se ergueu uma cidade chamada Betel; e ali, como antes, construiu um altar e orou ao Senhor.
Ora, Ló, o filho do irmão mais moço de Abrão, que havia morrido, estava com Abrão; e Ló, como Abrão, tinha rebanhos de ovelhas e manadas de gado, e muitas tendas para a sua gente. Os pastores de Abrão e os pastores de Ló brigaram, porque não havia pasto suficiente num só lugar para os rebanhos de ambos; e, além deles, os cananeus também estavam na terra, de modo que não havia lugar para todos.
Quando Abrão soube da briga entre os seus homens e os homens de Ló, disse a Ló:
"Não haja disputa entre mim e ti, nem entre os teus homens e os meus; pois tu e eu somos como irmãos. A terra inteira está diante de nós; separemo-nos. E terás tu a primeira escolha. Se tomares a terra à direita, eu tomarei a terra à esquerda; ou, se escolheres a esquerda, eu tomarei a direita."
Isso foi nobre e generoso da parte de Abrão, pois ele era o mais velho e podia reclamar a primeira escolha. Além disso, Deus havia prometido toda a terra a Abrão, de modo que ele poderia ter dito a Ló: "Vai embora, pois esta terra é toda minha." Mas Abrão mostrou um coração bom e generoso ao dar a Ló a escolha da terra.
E Ló contemplou a terra do alto da montanha onde estavam, e viu, embaixo, no vale, o rio Jordão correndo entre campos verdes, onde o solo era fértil. Viu as cidades de Sodoma e Gomorra na planície, perto da entrada do Mar Morto, no qual o Jordão deságua. E Ló disse: "Descerei ali para a planície."
E desceu a montanha rumo à planície, com suas tendas e seus homens, seus rebanhos de ovelhas e seu gado, deixando a terra das montanhas, que não era tão boa, para seu tio Abrão. Talvez Ló não soubesse que o povo de Sodoma era o mais perverso de toda a terra; mas foi viver perto deles, e pouco a pouco mudou sua tenda para mais perto de Sodoma, até que, depois de um tempo, estava morando naquela cidade perversa.
Depois que Ló se separou de Abrão, Deus disse a Abrão:
"Levanta os olhos deste lugar, e olha para o leste e para o oeste, para o norte e para o sul. Toda a terra que podes ver, montanhas, vales e planícies, eu a darei a ti, e aos teus filhos, e aos filhos deles, e aos que vierem depois. Os teus descendentes possuirão toda esta terra, e serão tantos quanto o pó da terra; de modo que, se alguém pudesse contar o pó da terra, poderia com a mesma facilidade contar os que descenderão de ti. Levanta-te e percorre a terra por onde quiseres, pois ela é toda tua."
Então Abrão mudou sua tenda de Betel e foi morar perto da cidade de Hebrom, no sul, debaixo de um carvalho; e ali de novo construiu um altar ao Senhor.