✦ ASTRONEXOVOZES DA BÍBLIA
018

José se revela aos irmãos

Gênesis 43–45
Um Irmão Perdido É Encontrado
Gênesis 43Gênesis 44Gênesis 45

O alimento que os filhos de Jacó haviam trazido do Egito não durou muito, pois a família de Jacó era grande. A maioria dos seus filhos era casada e tinha filhos; de modo que os filhos e netos eram sessenta e seis, além dos servos que os atendiam e dos homens que cuidavam dos rebanhos de Jacó. Assim, ao redor da tenda de Jacó havia um verdadeiro acampamento de outras tendas e uma multidão de gente.

Quando o alimento vindo do Egito estava quase acabando, Jacó disse aos seus filhos:

"Descei outra vez ao Egito e comprai mais alimento para nós."

E Judá, filho de Jacó, o homem que anos antes havia convencido os irmãos a vender José aos ismaelitas (vejam a História Quinze), disse ao pai:

"De nada adianta irmos ao Egito, a menos que levemos Benjamim conosco. O homem que governa aquela terra nos disse: 'Não vereis o meu rosto, a menos que o vosso irmão mais novo esteja convosco.'"

Israel disse: "Por que dissestes ao homem que tínheis um irmão? Fizestes-me grande mal quando lho contastes."

"Ora", disseram os filhos de Jacó, "não pudemos deixar de contar. O homem nos perguntou tudo sobre a nossa família: 'O vosso pai ainda vive? Tendes mais irmãos?' E tivemos de responder, tão diretas eram as suas perguntas. Como haveríamos de saber que ele diria: 'Trazei aqui o vosso irmão, para que eu o veja'?"

E Judá disse: "Manda Benjamim comigo, e eu cuidarei dele. Prometo que o trarei de volta em segurança. Se ele não voltar, que a culpa caia sobre mim para sempre. Ele precisa ir, ou morreremos por falta de alimento; e já poderíamos ter ido ao Egito e voltado, se não tivéssemos sido retidos." E Jacó disse: "Se ele precisa ir, que vá. Mas levai um presente ao homem: alguns dos melhores frutos da terra, especiarias, perfumes, nozes e amêndoas. E levai o dobro do dinheiro, além do dinheiro que estava nos vossos sacos. Talvez tenha sido um engano o dinheiro ter sido devolvido a vós. E levai o vosso irmão Benjamim; e que o Senhor Deus torne o homem bondoso convosco, para que solte Simeão e vos deixe trazer Benjamim de volta. Mas, se for da vontade de Deus que eu perca os meus filhos, nada posso fazer."

Assim, dez irmãos de José desceram pela segunda vez ao Egito, indo Benjamim no lugar de Simeão. Chegaram ao posto de José, o lugar onde ele vendia trigo ao povo; e ficaram diante do seu irmão e se curvaram, como antes. José viu que Benjamim estava com eles e disse ao seu mordomo, o homem que administrava a sua casa: "Prepara um banquete, pois todos estes homens jantarão comigo hoje."

Quando os irmãos de José perceberam que estavam sendo levados à casa de José, ficaram cheios de medo; e disseram uns aos outros:

"Fomos trazidos aqui por causa do dinheiro que estava nos nossos sacos. Vão dizer que o roubamos, e então nos venderão a todos como escravos."

Mas o mordomo de José, o homem que administrava a sua casa, tratou-os com bondade e, quando falaram do dinheiro nos sacos, não quis recebê-lo de novo, dizendo: "Não temais; o vosso Deus deve ter-vos mandado isso como um presente. O vosso dinheiro chegou às minhas mãos." O mordomo recebeu os homens na casa de José e lavou-lhes os pés, segundo o costume da terra. E, ao meio-dia, José veio ao encontro deles. Eles lhe trouxeram o presente do seu pai e novamente se curvaram diante dele, com o rosto em terra.

E José lhes perguntou se estavam bem, e disse: "O vosso pai ainda vive, o velho de quem falastes? Ele está bem?"

E eles responderam: "O nosso pai está bem, e ainda vive." E de novo se curvaram diante de José. E José olhou para o seu irmão mais novo, Benjamim, filho da sua própria mãe, Raquel; e disse: "É este o vosso irmão mais novo, de quem me falastes? Deus te seja bondoso, meu filho."

E o coração de José estava tão cheio que ele não conseguiu conter as lágrimas. Foi às pressas para o seu quarto e ali chorou. Depois lavou o rosto, voltou e mandou pôr a mesa para o jantar. Puseram uma mesa para o próprio José, como governador, outra mesa para os seus oficiais egípcios, e outra para os onze homens de Canaã; pois José havia tirado Simeão da prisão e lhe dera um lugar entre os irmãos.

O próprio José dispôs a ordem dos assentos dos seus irmãos: o mais velho à cabeceira, e todos por ordem de idade, até o mais novo. Os homens se admiraram com isso, sem entender como o governador do Egito podia saber a ordem das suas idades. E José mandava pratos da sua mesa para os irmãos; e a Benjamim dava cinco vezes mais do que aos outros. Talvez quisesse ver se eles tinham tanto ciúme de Benjamim como, em outros tempos, haviam tido dele.

Depois do jantar, José disse ao seu mordomo: "Enche de trigo os sacos dos homens, quanto puderem carregar; e põe o dinheiro de cada um no seu saco. E põe a minha taça de prata no saco do mais novo, com o seu dinheiro."

O mordomo fez como José dissera; e, de manhã cedo, os irmãos partiram para casa. Pouco depois, José disse ao mordomo:

"Apressa-te, segue os homens de Canaã e dize-lhes: 'Por que me pagastes com o mal, depois que vos tratei com bondade? Roubastes a taça de prata do meu senhor, na qual ele bebe.'" O mordomo seguiu os homens, alcançou-os e os acusou de roubo. E eles lhe disseram:

"Por que nos falas dessa maneira? Não roubamos nada. Ora, nós te trouxemos de volta o dinheiro que encontramos nos nossos sacos; é de crer que roubássemos da casa do teu senhor prata ou ouro? Podes revistar-nos; e, se encontrares a taça do teu senhor com algum de nós, que ele morra, e os demais sejam vendidos como escravos."

Então desceram os sacos dos jumentos e os abriram; e no saco de cada homem estava o seu dinheiro, pela segunda vez. E, quando chegaram ao saco de Benjamim, lá estava a taça de prata do governador! Então, na maior aflição, amarraram de novo os sacos, puseram-nos sobre os jumentos e voltaram ao palácio de José.

E José lhes disse:

"Que maldade é esta que fizestes? Não sabíeis que eu certamente descobriria os vossos atos?"

Então Judá disse: "Ó meu senhor, que podemos dizer? Deus nos castigou pelos nossos pecados; e agora seremos todos escravos, tanto nós, os mais velhos, como o mais novo, em cujo saco a taça foi encontrada."

"Não", disse José, "só um de vós é culpado, aquele que levou a minha taça; a esse reterei como escravo, e os demais podem voltar para casa, para o vosso pai."

José queria ver se os seus irmãos ainda eram egoístas, e se estavam dispostos a deixar Benjamim sofrer, contanto que eles próprios escapassem.

Então Judá, o mesmo homem que havia convencido os irmãos a vender José como escravo, aproximou-se, lançou-se aos pés de José e lhe suplicou que deixasse Benjamim ir. Contou de novo toda a história: como Benjamim era aquele a quem o pai mais amava de todos os filhos, agora que o seu irmão estava perdido. E disse:

"Eu prometi levar a culpa, se este rapaz não voltasse para casa em segurança. Se ele não voltar, isso matará o nosso pobre velho pai, que já viu tanto sofrimento. Deixa, pois, que o meu irmão mais novo volte para casa, para o seu pai, e eu ficarei aqui como escravo no lugar dele!"

José sabia agora o que tanto desejava saber: que os seus irmãos já não eram cruéis nem egoístas, mas que um deles estava disposto a sofrer para que o irmão fosse poupado. E José não pôde mais guardar o seu segredo, pois o seu coração ansiava pelos irmãos, e ele estava prestes a chorar de novo, com lágrimas de amor e de alegria. Mandou todos os seus servos egípcios saírem da sala, para ficar a sós com os irmãos, e então disse:

"Chegai-vos a mim, quero falar convosco." E eles se aproximaram, admirados. Então José disse:

"Eu sou José; o meu pai realmente ainda vive?" Que susto tiveram os irmãos ao ouvir essas palavras, ditas na sua própria língua pelo governador do Egito, e ao saber, pela primeira vez, que aquele homem severo, que tinha as suas vidas nas mãos, era o seu próprio irmão, a quem haviam feito tanto mal! Então José disse de novo:

"Eu sou José, vosso irmão, a quem vendestes para o Egito. Mas não vos aflijais por causa do que fizestes. Pois Deus me enviou adiante de vós para salvar as vossas vidas. Já se passaram dois anos de necessidade e fome, e ainda virão mais cinco, em que não haverá nem lavoura nos campos nem colheita. Não fostes vós que me enviastes para cá, mas Deus; e ele me enviou para salvar as vossas vidas. Deus me fez como um pai para Faraó e governador de toda a terra do Egito. Agora, ide para casa e trazei-me o meu pai e toda a sua família, pois este é o único modo de salvar as suas vidas."

Então José lançou os braços ao pescoço de Benjamim, beijou-o e chorou abraçado a ele. E Benjamim chorou no seu pescoço. E José beijou todos os seus irmãos, para mostrar-lhes que os havia perdoado por completo; e depois disso os irmãos começaram a perder o medo de José e conversaram com ele mais à vontade.

Depois José mandou os irmãos para casa com boas notícias, ricos presentes e alimento em abundância. Mandou também carros em que Jacó, as suas esposas e as crianças da família pudessem viajar de Canaã até o Egito. E os irmãos de José voltaram para casa mais felizes do que haviam sido em muitos anos.