✦ ASTRONEXOVOZES DA BÍBLIA
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Jacó e sua família no Egito

Gênesis 46–50
Da Terra da Fome para a Terra da Fartura
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Assim, os onze irmãos de José voltaram para casa, para o seu velho pai, com a alegre notícia de que José estava vivo e era governador da terra. Foi uma surpresa tão feliz para Jacó que ele desmaiou. Mas, depois de algum tempo, voltou a si; e, quando lhe mostraram os carros que José havia mandado para levá-lo, com a sua família, ao Egito, o velho Jacó disse: "Basta; José, meu filho, ainda vive; irei vê-lo antes de morrer."

Então puseram-se a caminho, com as suas esposas, os seus filhos, os seus servos, as suas ovelhas e o seu gado — uma grande comitiva. Pararam para descansar em Berseba, que havia sido o lar de Isaque e de Abraão, fizeram ofertas ao Senhor e o adoraram. E naquela noite o Senhor apareceu a Jacó e lhe disse:

"Jacó, eu sou o Senhor, o Deus do teu pai; não temas descer ao Egito, pois eu descerei contigo; e lá verás o teu filho José; e no Egito farei dos teus descendentes, dos que vierem de ti, um grande povo; e certamente os trarei de volta a esta terra."

Desceram ao Egito sessenta e seis filhos e netos de Jacó. José foi no seu carro ao encontro do pai, lançou-se ao seu pescoço e chorou abraçado a ele. E Jacó disse: "Agora estou pronto para morrer, pois sei que ainda vives, e vi o teu rosto." E José levou o pai à presença do rei Faraó; e Jacó, como homem idoso, deu a sua bênção ao rei.

A parte da terra do Egito onde José encontrou um lar para os seus irmãos chamava-se Gósen. Ficava a leste, entre o Egito e o deserto, e era uma terra muito rica, cujo solo dava grandes colheitas. Mas naquele tempo, e por mais cinco anos, não houve colheitas, por causa da fome que havia na terra. Durante aqueles anos, o povo de Israel, na terra de Gósen, foi alimentado, como todo o povo do Egito, com o trigo dos celeiros de José.

Jacó viveu até quase cento e cinquenta anos. Antes de morrer, abençoou José e todos os seus filhos, e lhes disse:

"Quando eu morrer, não me sepulteis na terra do Egito, mas levai o meu corpo à terra de Canaã e sepultai-me na caverna de Hebrom, com Abraão e com Isaque, meu pai."

E José levou os seus dois filhos, Manassés e Efraim, ao leito do pai. Os olhos de Jacó estavam turvos pela velhice, como haviam estado os do seu pai Isaque (vejam a História Doze), e ele não conseguia ver os dois jovens. E perguntou: "Quem são estes?"

E José respondeu: "São os meus dois filhos, que Deus me deu nesta terra."

"Traze-os a mim", disse Jacó, "para que eu os abençoe antes de morrer."

E Jacó os beijou, envolveu-os nos braços e disse:

"Eu não pensava que veria de novo o teu rosto, meu filho; e Deus me deixou ver não só a ti, mas também aos teus filhos."

E Jacó pôs a mão direita sobre a cabeça de Efraim, o mais novo, e a esquerda sobre Manassés, o mais velho. José tentou mudar as mãos do pai, para que a direita ficasse sobre a cabeça do filho mais velho. Mas Jacó não o permitiu, e disse:

"Eu sei o que estou fazendo. Deus abençoará o filho mais velho; mas a bênção maior estará com o mais novo, pois os seus descendentes, os que dele procederem, serão maiores e mais fortes do que os descendentes do seu irmão."

E assim aconteceu, muitos anos depois; pois a tribo de Efraim, o filho mais novo, tornou-se maior e mais poderosa do que a tribo de Manassés, o mais velho.

Quando Jacó morreu, fez-se um grande funeral. Levaram o seu corpo do Egito para a terra de Canaã e o sepultaram — como ele lhes havia pedido — na caverna de Macpela, onde Abraão e Isaque já estavam sepultados.

Quando os filhos de Jacó voltaram ao Egito, depois do sepultamento do pai, disseram uns aos outros:

"Pode ser que José nos castigue, agora que o seu pai está morto, pelo mal que lhe fizemos há tantos anos."

E mandaram uma mensagem, pedindo a José que os perdoasse, por amor do seu pai. E de novo vieram e se curvaram diante dele, com o rosto em terra; e disseram: "Somos teus servos; tem misericórdia de nós."

José chorou quando os irmãos lhe falaram, e disse:

"Não temais. Estou eu, porventura, no lugar de Deus, para castigar e recompensar? É verdade que planejastes o mal contra mim, mas Deus o transformou em bem, para que todas as vossas famílias fossem conservadas em vida. Não tenhais medo; eu cuidarei de vós e dos vossos filhos."

Depois disso, José viveu até uma boa velhice, chegando aos cento e dez anos. Antes de morrer, disse aos seus filhos e a todos os filhos de Israel, que a essa altura já haviam se multiplicado em muita gente:

"Eu vou morrer; mas Deus virá a vós e vos fará subir desta terra para a vossa própria terra, que ele prometeu aos vossos pais, a Abraão, a Isaque e a Jacó. Quando eu morrer, não me sepulteis no Egito, mas guardai o meu corpo até que saiais desta terra, e levai-o convosco."

Assim, quando José morreu, embalsamaram o seu corpo, como os egípcios embalsamavam os mortos, para que o corpo não se decompusesse; e puseram o seu corpo num caixão de pedra, e o guardaram na terra de Gósen, entre o povo de Israel. Desse modo, José não somente mostrou a sua fé na promessa de Deus, de que ele traria o seu povo de volta à terra de Canaã, mas também animou a fé dos que vieram depois dele. Pois, sempre que os israelitas olhavam para o caixão de pedra que guardava o corpo de José, diziam uns aos outros:

"Ali está o sinal, a prova, de que esta terra não é o nosso lar. Este caixão não será sepultado até que o sepultemos na nossa própria terra, a terra de Canaã, para onde Deus nos conduzirá no seu devido tempo."