✦ ASTRONEXOVOZES DA BÍBLIA
022

As pragas do Egito

Êxodo 5–10
O Rio Que Se Tornou Sangue
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Depois que Moisés e Arão falaram ao povo de Israel as palavras que Deus lhes havia dado, foram encontrar-se com Faraó, o rei do Egito. Vocês se lembram de que todos os reis do Egito traziam o nome de Faraó. Moisés e Arão não pediram a Faraó, de início, que deixasse o povo sair do Egito para nunca mais voltar; disseram apenas:

"O nosso Deus, o Senhor Deus de Israel, ordenou-nos que saiamos, com todo o nosso povo, numa jornada de três dias pelo deserto, para ali o adorarmos. E Deus te fala por meio de nós, dizendo: 'Deixa ir o meu povo, para que me sirva.'"

Mas Faraó ficou muito irado. Disse ele: "Que estais fazendo, vós, Moisés e Arão, chamando o vosso povo para longe do trabalho? Voltai às vossas tarefas e deixai o vosso povo em paz. Eu sei por que os israelitas andam falando em sair para o deserto. É porque não têm trabalho suficiente para mantê-los ocupados. Eu lhes darei mais trabalho."

O trabalho dos israelitas, naquele tempo, era principalmente fazer tijolos e erguer as paredes dos edifícios para os governantes do Egito. Ao misturar o barro para os tijolos, usavam palha picada bem fina, para dar liga ao barro. Faraó disse:

"Que façam tantos tijolos como antes; mas não lhes deis palha. Que os israelitas encontrem eles mesmos a palha para fazer os tijolos."

É claro que isso tornou a tarefa deles muito mais difícil, pois levava muito tempo encontrar a palha; e os israelitas espalharam-se por toda a terra à procura de palha e restolho para fazer os tijolos; e, ainda assim, eram obrigados a entregar por dia tantos tijolos como antes. E, quando não conseguiam cumprir toda a tarefa, eram cruelmente espancados pelos egípcios. Muitos dos israelitas irritaram-se então com Moisés e Arão, que, pensavam eles, só lhes haviam trazido mais fardos e mais aflição. Diziam:

"Que o Senhor Deus vos julgue e vos castigue! Prometestes conduzir-nos para fora e libertar-nos; mas só tornastes maior o nosso sofrimento!"

Então Moisés clamou ao Senhor, e o Senhor lhe disse:

"Toma Arão, teu irmão, e vai de novo a Faraó; e mostra-lhe os sinais que eu te dei."

Assim, foram à presença de Faraó e novamente lhe pediram, em nome do Senhor, que deixasse o povo ir. E Faraó disse:

"Quem é o Senhor? Por que eu deveria obedecer às suas ordens? Que sinal podeis mostrar de que Deus vos enviou?"

Então Arão lançou ao chão a sua vara, e ela se transformou numa serpente. Mas havia sábios no Egito que tinham ouvido falar disso, e prepararam um truque. Lançaram as suas varas ao chão, e as suas varas se tornaram serpentes — ou assim pareceu. Talvez fossem serpentes amestradas, que eles haviam escondido debaixo das suas vestes compridas e depois tiraram, como se fossem varas.

Mas a vara de Arão, em forma de serpente, correu atrás delas e as engoliu todas; e depois voltou a ser vara na mão de Arão. Mas o rei Faraó recusou-se a obedecer à voz de Deus.

Então Moisés falou a Arão, por ordem de Deus: "Toma a tua vara e estende-a sobre as águas do Egito, sobre o rio Nilo, os canais e os lagos."

E Arão assim fez. Levantou a vara e feriu a água, à vista de Faraó. E num instante toda a água se transformou em sangue, e os peixes do rio morreram todos; e um fedor terrível, um cheiro pestilento, se levantou sobre a terra. E o povo corria perigo de morrer. Mas na terra de Gósen, onde estavam os israelitas, a água continuou como era, e não se transformou em sangue. Assim Deus fez distinção entre Israel e o Egito.

O povo do Egito cavou poços para encontrar água; e os sábios do Egito levaram um pouco de água a Faraó e fizeram parecer que também eles a haviam transformado em sangue. E Faraó não quis ouvir, nem deixar o povo ir.

Passados sete dias, Moisés retirou a praga do sangue, mas advertiu Faraó de que outra praga viria, se ele se recusasse a obedecer. E, como Faraó continuava sem obedecer, Arão estendeu de novo a sua vara, e então toda a terra se cobriu de rãs. Como um grande exército, elas invadiram todos os campos e até encheram as casas. Faraó disse:

"Orai ao vosso Deus por mim; pedi-lhe que tire as rãs, e eu deixarei o povo ir."

Então Moisés orou; e Deus tirou as rãs. Elas morreram por toda parte; e os egípcios as ajuntaram em montes e as enterraram. Mas Faraó quebrou a sua promessa e não deixou o povo ir.

Então, por ordem de Deus transmitida por Moisés, Arão levantou de novo a vara e feriu o pó da terra; e por toda parte o pó se encheu de vida, em piolhos e pulgas. Mas Faraó ainda não quis ouvir, e Deus mandou grandes enxames e nuvens de moscas por toda a terra, de modo que as casas ficaram cheias delas e o céu ficou coberto. Mas onde moravam os israelitas não havia piolhos, nem pulgas, nem moscas.

Então Faraó começou a ceder um pouco. Disse ele:

"Por que precisais sair da terra para adorar a Deus? Adorai-o aqui mesmo, nesta terra."

Mas Moisés disse: "Quando adoramos o Senhor, precisamos fazer uma oferta; e as nossas ofertas são de animais que o povo do Egito adora: bois e ovelhas. Os egípcios ficariam irados ao ver-nos oferecer em sacrifício animais que eles chamam de deuses."

"Pois bem", disse Faraó, "podeis ir; mas não vades para longe, e voltai." Mas, quando Moisés e Arão retiraram a praga, Faraó quebrou de novo a sua promessa e continuou mantendo o povo como escravo.

Então veio outra praga. Uma doença terrível atingiu todos os animais do Egito: os cavalos e jumentos, os camelos, as ovelhas e os bois; e morriam aos milhares num só dia, por toda a terra. Mas nenhuma praga atingiu os rebanhos e as manadas dos israelitas.

Mas Faraó continuava obstinado. Não queria obedecer à voz de Deus. Então Moisés e Arão apanharam nas mãos cinza da fornalha e a lançaram ao ar, como uma nuvem. E no mesmo instante começaram a aparecer úlceras nos homens e nos animais, por toda a terra.

Ainda assim Faraó se recusou a obedecer; e então Moisés estendeu a sua vara para o céu. Imediatamente uma tempestade terrível desabou sobre a terra; tanto mais terrível porque naquela terra quase nunca chove. Às vezes não cai sequer um aguaceiro durante anos seguidos. Mas agora as nuvens negras rolavam, o trovão ribombava, os relâmpagos brilhavam, a chuva caía torrencialmente, e com a chuva veio o granizo, algo que os egípcios nunca tinham visto. Ele feriu todas as plantações que cresciam no campo e os frutos das árvores, e os destruiu.

Então Faraó ficou de novo apavorado e prometeu deixar o povo ir; e de novo, quando Deus retirou o granizo pela oração de Moisés, ele faltou à palavra e não deixou os israelitas saírem da terra.

Depois do granizo vieram grandes nuvens de gafanhotos, que devoraram tudo o que era verde e que o granizo havia poupado. E depois dos gafanhotos veio a praga das trevas. Por três dias houve uma escuridão espessa: não brilhava o sol, nem a lua, nem as estrelas. Mas Faraó ainda não queria deixar o povo ir. Faraó disse a Moisés:

"Sai da minha presença. Que eu nunca mais veja o teu rosto. Se vieres à minha presença, morrerás."

E Moisés disse: "Será como dizes; nunca mais verei o teu rosto."

E Deus disse a Moisés: "Haverá ainda uma praga, e então Faraó ficará contente em deixar o povo ir. Ele vos expulsará da terra. Prepara o teu povo para sair do Egito; o vosso tempo aqui logo estará terminado."