Enquanto os israelitas caminhavam pelo deserto, sofreram grande aflição por falta de água. Entre os poços de Elim e o monte Sinai não encontraram riachos nem fontes. As ovelhas e os homens padeciam de sede, e as criancinhas choravam pedindo água. O povo veio a Moisés e disse, com grande ira:
"Dá-nos água, ou morreremos. Por que nos fizeste subir do Egito, para nos matares aqui no deserto?"
E Moisés clamou a Deus, dizendo:
"Senhor, que farei a este povo? Na sua ira, estão quase prontos a apedrejar-me. Como poderei dar-lhes água?"
Então Deus disse a Moisés o que devia fazer; e foi isto o que Moisés fez:
Reuniu o povo diante de uma grande rocha e, com a sua vara, feriu a rocha. E da rocha saiu uma corrente de água, que correu como um pequeno rio pelo acampamento e lhes deu água em abundância, para eles e para os seus rebanhos.
Enquanto estavam acampados em volta dessa rocha, em Refidim, o povo selvagem que morava no deserto, chamado os amalequitas, fez guerra repentina contra os israelitas. Desceram sobre eles das montanhas, quando estavam cansados da marcha, e mataram alguns dos israelitas. Então Moisés convocou os homens do povo que estavam aptos para a guerra e pôs à frente deles um jovem chamado Josué; e travaram batalha contra os amalequitas.
Enquanto lutavam, Moisés ficou de pé sobre uma rocha, onde todos podiam vê-lo, e orou ao Senhor Deus, pedindo que ajudasse o seu povo. Suas mãos estavam estendidas para o céu; e enquanto as mãos de Moisés se erguiam para o alto, os israelitas eram fortes e faziam recuar o inimigo. Mas quando os braços de Moisés caíam, então o inimigo fazia recuar os homens de Israel.
Por isso Arão, irmão de Moisés, e Hur (que se pensa ter sido cunhado de Moisés, marido de sua irmã Miriã) ficaram ao lado de Moisés e sustentaram as suas mãos erguidas, até que os israelitas alcançaram a vitória e venceram os homens de Amaleque.
No terceiro mês depois que os israelitas saíram da terra do Egito, chegaram a uma grande montanha que se ergue a prumo da planície, tão a prumo que se pode caminhar até ela e tocá-la com a mão. Era o monte Sinai; e fazia parte de um grupo de montanhas chamado Horebe, onde Moisés viu a sarça ardente e ouviu a voz de Deus, como lemos na História Vinte e Um.
Os israelitas armaram o seu acampamento diante do monte Sinai e ali ficaram por muitos dias. E Deus disse a Moisés:
"Que ninguém do povo suba ao monte, nem se aproxime para tocá-lo. Se até mesmo uma das vossas reses ou ovelhas tocar a montanha, deverá ser morta. Este é um lugar santo, onde Deus mostrará a sua glória."
E poucos dias depois, o povo ouviu um som como de muitas trombetas soando no cume da montanha. Olharam, e viram que a montanha estava coberta de nuvens e de fumaça, e dela saíam relâmpagos, enquanto o trovão rolava e estrondeava. E a montanha se abalava e tremia, como se um terremoto a estivesse despedaçando.
O povo ficou tomado de pavor. Saíram das suas tendas, correram para longe do sopé da montanha e ficaram de longe, tremendo de medo. Então Deus falou aos ouvidos de todo o povo, como com voz de trovão, e disse:
"Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão."
E então Deus falou a todo o povo as palavras dos Dez Mandamentos, que já ouviste muitas vezes. As palavras são estas:
**I.** Não terás outros deuses diante de mim.
**II.** Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima no céu, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não te curvarás diante delas, nem as servirás; porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam, e uso de misericórdia com milhares dos que me amam e guardam os meus mandamentos.
**III.** Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão; porque o Senhor não terá por inocente aquele que tomar o seu nome em vão.
**IV.** Lembra-te do dia de sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra; mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus; nesse dia não farás trabalho algum, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu gado, nem o estrangeiro que está dentro das tuas portas; porque em seis dias fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há, e ao sétimo dia descansou; por isso o Senhor abençoou o dia de sábado e o santificou.
**V.** Honra teu pai e tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá.
**VI.** Não matarás.
**VII.** Não adulterarás.
**VIII.** Não furtarás.
**IX.** Não dirás falso testemunho contra o teu próximo.
**X.** Não cobiçarás a casa do teu próximo; não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma que pertença ao teu próximo.
E todo o povo ouviu estas palavras faladas pelo Senhor Deus; e viram a montanha fumegando e os relâmpagos brilhando, e ficaram cheios de medo. Disseram a Moisés:
"Que Deus não fale mais conosco, porque o som da sua voz nos tirará a vida. Que Deus fale contigo, Moisés, e tu nos falarás as palavras de Deus."
"Não temais", disse Moisés, "porque Deus veio a vós para falar convosco, a fim de que o temais e façais a sua vontade."
E Moisés se aproximou da montanha, onde estavam as nuvens, a escuridão e os relâmpagos. Então Deus chamou Moisés ao cume do monte; e Moisés subiu, e com ele ia o seu ajudante, o jovem Josué. Josué ficou na encosta da montanha, mas Moisés subiu sozinho até o cume, entre as nuvens.
E ali Moisés permaneceu sobre a montanha, a sós com Deus, durante quarenta dias, falando com Deus e ouvindo as palavras que Deus lhe dizia, as leis que o povo de Israel devia obedecer. E Deus deu a Moisés duas tábuas de pedra, sobre as quais Deus havia escrito, com a sua própria mão, os Dez Mandamentos.