✦ ASTRONEXOVOZES DA BÍBLIA
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O Tabernáculo

Êxodo 25–40
A Tenda Onde Deus Morava Entre o Seu Povo
Êxodo 25–40

Pode parecer estranho que os israelitas, depois de tudo o que Deus fizera por eles, e enquanto o monte Sinai ainda mostrava a glória de Deus, se desviassem do serviço de Deus para a adoração de ídolos, como lemos na história anterior (Vinte e Seis). Mas é preciso lembrar que todos os povos que os israelitas haviam conhecido, tanto em Canaã como no Egito, eram adoradores de imagens; e com os seus vizinhos os israelitas também tinham aprendido a curvar-se diante de ídolos. Naqueles tempos, em toda parte, as pessoas sentiam que precisavam de um deus que pudessem ver.

Deus foi muito bom para os israelitas depois que o abandonaram, tomando-os de novo como seu próprio povo; e Deus deu aos israelitas um plano de adoração que lhes permitiria ter algo que pudessem ver, para lembrá-los do seu Deus, e que, ao mesmo tempo, não os levaria à adoração de uma imagem, mas lhes ensinaria uma verdade mais alta: que o Deus verdadeiro não pode ser visto pelos olhos dos homens.

O plano era este: haver, no meio do acampamento de Israel, uma casa que se chamaria "A Casa de Deus", que o povo pudesse ver e à qual pudesse vir para adorar. Toda vez que um israelita olhasse para essa casa, poderia dizer a si mesmo, e ensinar aos seus filhos: "Aquela é a casa onde Deus mora entre o seu povo", ainda que nenhuma imagem estivesse dentro dela.

E como os israelitas viviam em tendas e mudavam-se com frequência de um lugar para outro, essa Casa de Deus precisaria ser algo semelhante a uma tenda, para que pudesse ser desarmada e transportada sempre que o acampamento mudasse. Uma tenda assim chamava-se Tabernáculo. O Tabernáculo, portanto, era a tenda onde Deus haveria de morar entre o seu povo, e onde o povo podia encontrar-se com Deus. Não sabemos exatamente como era a aparência dessa tenda, mas, a partir da descrição que dela se faz, muitos têm procurado desenhá-la.

Sabemos que Deus é Espírito e não tem corpo como o nosso, e que ele está em toda parte. Contudo, era justo dizer que Deus morava no Tabernáculo dos israelitas, porque ali Deus mostrava a sua presença de um modo especial, mantendo a coluna de nuvem sobre ele durante todo o dia, e a coluna de fogo durante toda a noite. E os israelitas criam que, num dos aposentos desse Tabernáculo, podiam ser vistos a glória e o resplendor da presença de Deus.

Esse Tabernáculo ficava exatamente no meio do acampamento dos israelitas no deserto. Diante dele, a pequena distância, do lado do oriente, ficava a tenda onde Moisés morava, e da qual ele transmitia ao povo as leis e as ordens de Deus.

Em volta do Tabernáculo havia o que poderíamos chamar de um pátio aberto, embora não fosse exatamente quadrado, pois media cerca de cento e cinquenta pés de comprimento por setenta e cinco de largura; isto é, o comprimento era o dobro da largura. Em volta dele havia uma cortina de linho fino, de cores vivas, pendurada em colunas de bronze. As colunas eram mantidas no lugar por cordas presas ao chão com estacas ou cravos de tenda. Alguns pensam que essas colunas não eram de bronze, mas de cobre, pois não temos certeza de que os homens soubessem fazer bronze naqueles tempos. Esse espaço aberto chamava-se o Átrio do Tabernáculo. A cortina que o cercava tinha entre sete e oito pés de altura, um pouco mais alta que a cabeça de um homem. No meio, do lado voltado para o oriente, ela podia ser aberta para que os sacerdotes entrassem no átrio; mas a ninguém mais, exceto os sacerdotes e os seus auxiliares, era permitido entrar ali.

Dentro desse átrio, perto da entrada, ficava o grande Altar. Lembras que um altar era feito geralmente de pedra, ou amontoando-se terra, e que era o lugar sobre o qual se acendia um fogo para queimar a oferta ou o sacrifício. A oferta ou o sacrifício, como recordas, era o presente oferecido a Deus sempre que um homem adorava; e era entregue a Deus queimando-se sobre o seu altar. (Vê a História Dois.)

Mas como um altar de pedra ou de terra não podia ser levado de um lugar para outro, Deus mandou que os israelitas fizessem um altar de madeira e bronze, ou cobre. Era como uma caixa, sem fundo nem tampa, feita de tábuas finas para que não fosse pesada demais, e depois revestida, por dentro e por fora, com placas de bronze ou de cobre, para que não pegasse fogo nem queimasse. Por dentro, algumas polegadas abaixo da borda, havia uma grelha de metal sobre a qual se acendia o fogo; e as cinzas caíam pela grelha até o chão, no interior.

Esse altar tinha quatro argolas nos cantos, pelas quais se passavam varas compridas, para que os sacerdotes pudessem carregá-lo nos ombros quando o acampamento se mudava. O altar tinha pouco menos de cinco pés de altura e pouco mais de sete pés de largura em cada lado. Era o grande altar, às vezes chamado "O Altar do Holocausto", porque sobre ele se queimava um sacrifício toda manhã e toda tarde. Perto do altar, no átrio do Tabernáculo, ficava a Pia. Era um grande tanque ou bacia, contendo a água que se usava para lavar as ofertas. Para o culto do Tabernáculo era necessária muita água; e para isso a Pia era mantida cheia de água.

O próprio Tabernáculo ficava dentro do átrio. Era uma grande tenda, não muito diferente das tendas em que o povo morava enquanto caminhava pelo deserto, embora maior. As suas paredes, porém, não eram feitas de peles nem de tecido, como as da maioria das tendas, mas de tábuas postas em pé sobre bases de prata e presas umas às outras. As tábuas eram revestidas de ouro. O teto do Tabernáculo era feito de quatro cortinas, estendidas uma sobre a outra; a cortina de dentro era lindamente decorada, e a de fora, de peles de carneiro, para impedir a entrada da chuva. As paredes de tábuas do Tabernáculo ficavam nos dois lados e no fundo; a frente era aberta, exceto quando se pendurava sobre ela uma cortina. O Tabernáculo, metade tenda e metade casa, tinha cerca de quarenta e cinco pés de comprimento, quinze pés de largura e quinze pés de altura. O seu único piso era a areia do deserto.

Esse Tabernáculo era dividido em dois aposentos por um véu que descia do teto. O aposento maior, o da extremidade oriental, no qual o sacerdote entrava primeiro, vindo do átrio, era duas vezes maior que o outro. Tinha trinta pés de comprimento, quinze de largura e quinze de altura, e chamava-se o Lugar Santo. No Lugar Santo havia três coisas: do lado direito de quem entrava, uma mesa revestida de ouro, sobre a qual havia doze pães, como se cada tribo desse a sua oferta de alimento ao Senhor; do lado esquerdo, o Candelabro de Ouro, com sete braços, cada um com a sua luz. Às vezes é chamado de Castiçal de Ouro, mas, como sustentava lâmpadas, e não velas, deve ser chamado "o candelabro".

Na extremidade mais afastada do Lugar Santo, junto ao véu, ficava o Altar de Ouro do Incenso: um pequeno altar sobre o qual se queimava uma resina perfumada, e do qual subia flutuando uma nuvem prateada. O fogo desse altar devia sempre ser aceso com brasas do grande altar de bronze ou cobre que ficava fora do Tabernáculo, no átrio. Tudo nesse aposento era feito de ouro, ou revestido de ouro, até as paredes de cada lado.

O aposento interior do Tabernáculo chamava-se o Santo dos Santos; e era tão sagrado que ninguém, exceto o sumo sacerdote, jamais entrava nele, e este somente num único dia de cada ano. Tinha quinze pés de largura, quinze de comprimento e quinze de altura. Tudo o que continha era uma caixa ou arca, feita de madeira e revestida de placas de ouro, tanto por fora como por dentro, e com uma tampa de ouro maciço, sobre a qual se erguiam duas figuras estranhas chamadas querubins, também feitas de ouro. Essa arca chamava-se a Arca da Aliança, e nela foram guardadas, para segurança, as duas tábuas de pedra sobre as quais Deus escreveu os Dez Mandamentos. Era nesse aposento, o Santo dos Santos, que Deus haveria de habitar e mostrar a sua glória. Mas nele não havia imagem alguma que tentasse os israelitas à adoração de ídolos.

Sempre que o acampamento no deserto devia mudar, os sacerdotes primeiro cobriam cuidadosamente com cortinas todos os móveis do Tabernáculo — a Mesa, o Candelabro, o Altar do Incenso e a Arca da Aliança — e passavam varas pelas argolas que havia nos cantos de todas essas peças. Desarmavam o Tabernáculo e amarravam as suas tábuas revestidas de ouro e as suas grandes cortinas, as suas colunas e os seus pilares, em fardos para serem carregados. E então os homens da tribo de Levi, que eram os auxiliares dos sacerdotes, tomavam as suas cargas e as levavam à frente do acampamento. As doze tribos formavam em ordem de marcha atrás deles; a Arca da Aliança, invisível sob as suas coberturas, sobre os ombros dos sacerdotes, ia à frente, com a coluna de nuvem por cima. E assim os filhos de Israel mudaram o seu acampamento de lugar em lugar, durante quarenta anos, no deserto.

Quando fixavam o lugar de acampar, depois de cada jornada, primeiro se armava o Tabernáculo, com o átrio em volta e o altar diante dele. Depois as tribos armavam as suas tendas em ordem ao seu redor, três tribos de cada um dos seus quatro lados.

E sempre que um israelita via o altar com a fumaça subindo dele, e o Tabernáculo com a nuvem branco-prateada por cima, dizia a si mesmo: "O nosso Deus, o Senhor de toda a terra, mora naquela tenda. Não preciso de imagem alguma, feita por mãos de homens, para lembrar-me de Deus."