Agora vamos contar alguns dos cultos que se realizavam no Tabernáculo, a tenda onde Deus morava entre o seu povo.
Toda manhã, ao nascer do sol, os sacerdotes vinham ao grande altar que ficava diante do Tabernáculo, atiçavam o fogo e punham sobre ele lenha nova, para que ardesse com viveza. Nunca se permitia que esse fogo se apagasse. O próprio Deus o havia acendido; e os sacerdotes o vigiavam de perto e mantinham lenha à mão, de modo que estivesse sempre aceso.
Mesmo quando o altar era transportado de um lugar para outro, as brasas e os carvões acesos do fogo eram guardados numa vasilha coberta e levados para o novo lugar do altar sem que se deixasse o fogo morrer; e das brasas do fogo antigo acendia-se um fogo novo sobre o altar.
Desse altar, do lado de fora do Tabernáculo, o sacerdote tirava, toda manhã e toda tarde, uma pá cheia de brasas acesas, e as colocava numa taça pendurada em correntes, de modo que, com o fogo dentro, a taça pudesse ser carregada na mão. Essa taça com as correntes chamava-se "incensário". Sobre essas brasas acesas o sacerdote punha uma resina perfumada chamada incenso, que, lançada sobre os carvões vivos, formava uma nuvem clara e prateada e exalava um perfume forte e agradável. O sacerdote levava o incenso no incensário para dentro do Lugar Santo, e ali o depositava sobre o altar de ouro do incenso, que ficava junto ao véu. Isso era para ensinar aos israelitas que, como a nuvem do incenso, as suas orações deviam subir a Deus.
Por volta das nove horas da manhã, o sacerdote trazia um novilho ou um cordeiro, matava-o e recolhia o seu sangue numa bacia. Depois punha o novilho ou o cordeiro sobre a lenha que ardia no altar diante do Tabernáculo, e sobre o fogo derramava também o sangue do animal morto; e então ficava ali enquanto o sangue e o animal eram queimados até virarem cinzas.
Essa era a oferta, ou o sacrifício, por todo o povo de Israel em conjunto, e era oferecida toda manhã e toda tarde. Significava que, assim como o cordeiro ou o novilho entregava a sua vida, também todo o povo devia entregar-se a Deus, para ser dele, e somente dele. E significava também que, ao se entregarem a Deus, Deus perdoaria e tiraria os seus pecados.
Havia ainda outro significado em todo esse culto. Ele apontava para o tempo em que, assim como o cordeiro morria como oferta pelo povo, Jesus, o Filho de Deus, daria a sua vida na cruz, o Cordeiro de Deus, morrendo para tirar os pecados do mundo. Mas esse significado, é claro, os israelitas daquele tempo não podiam compreender, porque viveram muito antes da vinda de Cristo.
Às vezes um homem vinha ao sacerdote com um cordeiro ou um novilho como oferta por si mesmo. Devia ser sempre um animal perfeito, e o melhor, sem defeito algum, porque Deus só aceita do homem o seu melhor. O homem que desejava adorar a Deus conduzia o seu cordeiro até a entrada do átrio, junto ao altar, e punha as mãos sobre a cabeça do animal, como que dizendo: "Este animal está no meu lugar; e, ao entregá-lo a Deus, entrego a mim mesmo." Então o sacerdote o matava, colocava-o sobre a lenha acesa do altar e derramava sobre ele o sangue do animal. E o homem ficava à entrada do átrio do Tabernáculo, vendo a oferta consumir-se, e com ela oferecia a Deus a sua gratidão e a sua oração pelo perdão dos seus pecados. E Deus ouvia e respondia a oração do homem que o adorava com a oferta no seu altar.
Todos os dias o sacerdote entrava no Lugar Santo e enchia com azeite novo as sete lâmpadas do Candelabro. Nunca se permitia que essas lâmpadas se apagassem; isto é, algumas delas deviam estar sempre acesas. Enquanto as lâmpadas de um lado eram apagadas para serem reabastecidas, as do outro lado permaneciam acesas até que aquelas fossem enchidas e acesas de novo. Assim, as lâmpadas da casa de Deus nunca se apagavam. Não te faz isso pensar naquele que, muito tempo depois, disse: "Eu sou a luz do mundo"?
Sobre a mesa revestida de ouro, no Lugar Santo, estavam sempre doze pães ázimos, isto é, pães feitos sem fermento algum. Cada pão representava uma tribo de Israel. Toda manhã de sábado os sacerdotes entravam com doze pães frescos, que aspergiam com incenso e punham sobre a mesa no lugar dos pães velhos. Depois, de pé em volta da mesa, comiam os doze pães antigos. Assim, o pão sobre a mesa diante do Senhor era mantido sempre fresco.
Deus escolheu Arão e os seus filhos para serem os sacerdotes de todo o Israel; e os seus filhos, e os descendentes que viessem depois deles, seriam sacerdotes enquanto durasse o culto do Tabernáculo, e do Templo que o sucedeu. Arão, como sumo sacerdote, usava uma veste esplêndida; sobre o peito trazia um peitoral de pedras preciosas; e na cabeça, um chapéu singular, chamado "mitra". Pode parecer-nos estranho que, quando Arão e os seus filhos estavam no Tabernáculo, não usassem sapatos nem meias, mas ficassem descalços. Isso era porque aquele era um lugar santo, e, como já vimos (vê a História Vinte e Um), naquelas terras as pessoas tiram os sapatos, como nós tiramos o chapéu, ao entrarem em lugares consagrados a Deus e ao seu culto.
Arão e os seus filhos, como também Moisés, pertenciam à tribo de Levi, aquela dentre as tribos que permaneceu fiel a Deus quando as outras se curvaram diante do bezerro de ouro. Essa tribo foi escolhida para ajudar os sacerdotes nos cultos do Tabernáculo; embora somente Arão e os seus filhos pudessem entrar no Lugar Santo; e somente o sumo sacerdote pudesse entrar no Santo dos Santos, onde estava a Arca da Aliança; e ele só podia entrar ali num único dia de cada ano.