Já leste que somente o sumo sacerdote podia entrar no aposento interior do Tabernáculo, chamado o Santo dos Santos, onde estava a arca da aliança e onde Deus haveria de morar. (Vê a História Vinte e Sete.) E mesmo o sumo sacerdote só podia entrar nesse aposento num único dia do ano. Esse dia chamava-se "o Grande Dia da Expiação".
O culto desse dia servia para mostrar ao povo que todos são pecadores, e que devem buscar de Deus que os seus pecados sejam tirados. Deus nos ensina essas coisas por palavras no seu livro, a Bíblia; mas naqueles tempos não havia Bíblia, e pouquíssimos saberiam ler um livro escrito; por isso Deus ensinava então o povo por meio de atos que ele pudesse ver.
Como início do culto no dia da expiação, todos eram obrigados a jejuar desde o pôr do sol do dia anterior até as três horas daquela tarde, a hora em que a oferta era posta sobre o altar. Ninguém podia comer coisa alguma durante todo esse tempo. Nem mesmo as crianças, exceto os bebês de peito, podiam receber alimento. Deviam mostrar tristeza pelo pecado e apresentar-se diante de Deus como quem busca misericórdia.
De manhã cedo, nesse dia, o sumo sacerdote oferecia sobre o altar, diante do Tabernáculo, o que se chamava "uma oferta pelo pecado", por si mesmo e pela sua família. Era um novilho, queimado sobre o altar. Ele tomava um pouco do sangue desse novilho, levava-o através do Lugar Santo, erguia o véu, entrava no Santo dos Santos e aspergia o sangue sobre a tampa de ouro da arca da aliança, diante do Senhor. Isso mostrava que o próprio sacerdote era um pecador, buscando misericórdia e perdão de Deus. O sacerdote precisava ter os seus próprios pecados perdoados antes de pedir perdão pelos outros.
Depois o sacerdote voltava ao grande altar diante do Tabernáculo. Ali lhe traziam dois bodes. Lançavam-se sortes sobre eles, e na testa de um bode escrevia-se "Para o Senhor", e na do outro, palavras que significavam "Para ser enviado embora". Esses dois bodes eram considerados portadores dos pecados do povo. Um era morto e queimado sobre o altar; e o sacerdote, com um pouco do sangue do bode imolado, entrava de novo no Santo dos Santos e aspergia o sangue sobre a arca da aliança, como antes, pedindo assim a Deus que recebesse o sangue e a oferta, e perdoasse os pecados do povo.
Então o sumo sacerdote saía outra vez do Tabernáculo e punha as mãos sobre a cabeça do bode vivo, aquele cuja testa estava marcada "Para ser enviado embora", como que para colocar sobre ele o pecado de todo o povo. Depois esse bode, que era chamado o "bode expiatório", era levado para o deserto, para algum lugar desolado de onde nunca acharia o caminho de volta ao acampamento; e ali era deixado, para vagar como quisesse. Isso mostrava os pecados do povo como tirados para longe, para nunca mais voltarem a ele.
Terminado esse culto, o povo era considerado como tendo os seus pecados perdoados e esquecidos pelo Senhor. Então se apresentava sobre o altar a oferta habitual da tarde; e depois disso o povo podia voltar para casa feliz, e encerrar o seu longo jejum com toda a comida que desejasse.
Em tudo isso, Deus procurava fazer o povo sentir que o pecado é terrível. Ele separa de Deus; traz a morte; precisa ser tirado por meio do sangue. Assim, muito tempo antes de Cristo vir tirar os nossos pecados pela sua morte, Deus mostrava aos homens o caminho do perdão e da paz.