Depois que os dois espias voltaram de Jericó ao acampamento de Israel, Josué ordenou ao povo que desarmasse as tendas e se mudasse do lugar onde estava acampado para a margem do rio Jordão. Então os sacerdotes desmontaram o Tabernáculo e cobriram a arca e todos os móveis do Lugar Santo; passaram os varais pelas argolas para carregar o altar e prepararam tudo para deixar o acampamento. Ao mesmo tempo, o povo desarmou as tendas, enrolou-as, reuniu os rebanhos e o gado, e ficou pronto para marchar.
Então Josué deu a ordem, e todos marcharam em direção ao rio, que rolava alto e forte diante deles. Josué disse:
"Que os sacerdotes levem a arca da aliança à frente, e que haja um espaço de três mil pés entre ela e o restante do povo. Não vos aproximeis da arca mais do que essa distância."
E todo o povo ficou parado, maravilhado, enquanto a arca era levada nos ombros dos sacerdotes, bem à frente das fileiras de homens, até chegar à própria beira da água. Eles não podiam ver a arca, pois estava coberta, mas sabiam que ela estava ali, sob as suas coberturas, nos ombros dos sacerdotes.
Então disse Josué aos sacerdotes: "Agora entrai nas águas do rio."
E então aconteceu uma coisa maravilhosa. Assim que os pés dos sacerdotes tocaram a água junto à margem, o rio parou de correr lá em cima, e ao longe, rio acima, podia-se ver a água subindo e amontoando-se como um grande montão. E abaixo do lugar onde eles estavam, a água continuou a escoar, até deixar um grande trecho seco, e as pedras do leito do rio ficaram descobertas. Então, à ordem de Josué, os sacerdotes levaram a arca até o meio do leito seco do rio, e ali ficaram de pé, com ela sobre os ombros.
E Josué deu ordem ao povo para atravessar o rio. À frente vinham os soldados de Rúben, de Gade e da meia tribo de Manassés, que já haviam recebido as suas terras a leste do rio, mas acompanhavam as outras tribos para ajudar na guerra. Depois deles vieram todas as outras tribos, cada uma por sua vez, até que todos tivessem passado o rio; e durante todo esse tempo os sacerdotes permaneceram de pé no leito seco do rio, segurando a arca.
Então Josué chamou doze homens, um de cada tribo, e lhes disse:
"Descei ao rio e trazei de lá doze pedras, as maiores que puderdes carregar, do lugar onde os sacerdotes estão."
Assim fizeram; e com essas pedras Josué ergueu um monte de pedras na margem, e disse:
"Que este monte de pedras fique aqui para guardar a memória do que aconteceu hoje. Quando os vossos filhos vos perguntarem: 'Por que estão aqui estas pedras?', respondereis: 'Porque aqui o Senhor Deus secou o rio diante da arca da aliança, para que o povo pudesse atravessar para a terra que Deus havia prometido a seus pais.'"
E Josué mandou que esses doze homens tomassem também outras doze pedras e as amontoassem no leito do rio, no lugar onde os sacerdotes estiveram com a arca, para que essas pedras também ficassem ali, lembrando a todos que as vissem o auxílio maravilhoso de Deus ao seu povo.
Quando tudo isso foi feito, e os dois montes de pedras foram erguidos, um na margem e outro no leito do rio, Josué disse aos sacerdotes: "Subi agora do rio e trazei a arca para a margem."
Assim fizeram; e então as águas começaram a descer de cima, até que logo o rio Jordão corria de novo como corria antes. E assim, finalmente, os filhos de Israel estavam em segurança na terra que Deus havia prometido a seus pais mais de quinhentos anos antes.
Armaram um novo acampamento, com o Tabernáculo no meio, o altar diante dele e as tendas das tribos ao redor, em ordem. O lugar do acampamento ficava perto do rio, na planície do Jordão, e chamava-se Gilgal. E ali se manteve o acampamento principal dos israelitas durante todo o tempo em que fizeram a guerra para conquistar a terra de Canaã.
Quando entraram na terra, era o tempo das primeiras colheitas; e nos campos encontraram trigo e cevada em abundância. Colheram o grão, moeram-no e fizeram pão; e parte dele tostaram ainda na espiga. E naquele dia o maná, que Deus lhes enviava do céu havia quarenta anos, deixou de cair, pois já não era necessário.
Ali, bem à vista do novo acampamento, erguiam-se as fortes muralhas de Jericó. Josué saiu para observar a cidade e viu um homem todo armado vindo ao seu encontro. Josué caminhou corajosamente até ele e perguntou: "Estás do nosso lado, ou és um dos nossos inimigos?"
E ele respondeu: "Não; mas vim como príncipe do exército do Senhor."
Então Josué percebeu que ele era o anjo do Senhor; e, prostrando-se diante dele, disse: "Que palavra tem o meu Senhor para o seu servo?"
E o príncipe do exército do Senhor disse a Josué: "Tira as sandálias dos pés, porque é santo o lugar onde estás."
Josué assim fez; pois aquele que lhe falava não era apenas um anjo, mas o próprio Senhor, aparecendo como homem. E o Senhor disse a Josué: "Eu te entreguei Jericó, o seu rei e os seus valentes homens de guerra; e destruirei a cidade de Jericó diante de ti."
Então o Senhor revelou a Josué de que maneira a cidade deveria ser tomada; e Josué voltou ao acampamento de Gilgal e preparou-se para marchar como Deus havia ordenado. Durante os sete dias seguintes, tudo o que se fez foi conforme a palavra que o Senhor falara a Josué.
Dispuseram o exército como se fossem lutar contra a cidade. À frente vinham os soldados das tribos do lado leste do rio. Depois vinha um grupo de sacerdotes com trombetas feitas de chifres de carneiro, que eles tocavam longa e fortemente. Em seguida vinha a arca da aliança, carregada nos ombros dos sacerdotes. E, por último, vinha o exército de Israel, marchando em ordem. Ninguém gritava, nem se ouvia ruído algum, exceto o som das trombetas de chifre de carneiro. Naquele dia marcharam uma vez ao redor das muralhas de Jericó, e depois todos voltaram ao acampamento.
Na manhã seguinte, formaram-se todos na mesma ordem e marcharam de novo ao redor das muralhas da cidade; e assim fizeram repetidas vezes, marchando uma vez por dia, durante seis dias.
No sétimo dia, por ordem de Deus, levantaram-se muito cedo e não pararam depois de dar uma volta ao redor das muralhas; continuaram marchando, volta após volta, até completarem sete voltas ao redor da cidade. Ao passar, viram numa janela da muralha um cordão escarlate pendurado; e souberam que aquela era a casa de Raabe, a mulher que havia salvado a vida dos dois espias.
Quando terminou a sétima volta, todos ficaram imóveis. Até as trombetas se calaram, e houve um grande silêncio por um momento, até que a voz de Josué ressoou: "Gritai, porque o Senhor vos entregou a cidade!"
Então um grande brado subiu do exército; e eles olharam para a muralha e viram que ela tremia, sacudia e desabava! Ela caiu por terra em todos os pontos, menos um. Ficou de pé apenas uma parte da muralha, aquela onde o cordão escarlate pendia da janela.
E Josué disse aos dois espias: "Ide, trazei Raabe e a sua família, e levai-os para um lugar seguro."
Eles entraram na casa de Raabe, sobre a muralha, e a trouxeram para fora, e com ela o seu pai e a sua mãe e toda a sua família. Cuidaram deles e os mantiveram em segurança no acampamento dos israelitas até que terminasse toda a guerra contra o povo daquela terra.
Enquanto alguns soldados cuidavam de Raabe, todo o resto do exército escalava a muralha em ruínas. O povo da cidade ficou tão cheio de medo ao ver as muralhas caindo por todos os lados, que nem tentou defendê-la; todos se abateram, indefesos, e foram mortos ou feitos prisioneiros pelos israelitas.
Assim foi tomada a cidade, com tudo o que havia dentro dela. Mas os israelitas foram proibidos de usar para si qualquer um dos tesouros da cidade. Josué lhes disse: "Nada nesta cidade vos pertence. Tudo é do Senhor, e deve ser destruído como oferta ao Senhor."
Então reuniram todo o ouro, a prata e as coisas preciosas, e tudo o que havia nas casas. Nada tomaram para si, mas guardaram o ouro e a prata e os objetos de bronze e de ferro para o Tabernáculo. Tudo o mais que encontraram na cidade queimaram e destruíram, não deixando da cidade de Jericó senão ruína e desolação. E Josué disse:
"Caia a maldição do Senhor sobre qualquer homem que um dia reconstruir a cidade de Jericó. À custa do seu filho mais velho lançará os seus alicerces, e à custa do seu filho mais novo lhe assentará as portas."
Depois disso, Raabe, a mulher que havia salvado os espias, foi recebida entre o povo de Israel como se tivesse nascido israelita. E um dos nobres da tribo de Judá, chamado Salmom, tomou-a por esposa. E da sua linhagem de descendentes, dos que dela vieram, muitos anos depois nasceu o rei Davi. Ela foi salva e abençoada porque teve fé no Deus de Israel.