✦ ASTRONEXOVOZES DA BÍBLIA
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As cidades de refúgio

Josué 20
O Vingador do Sangue e as Cidades de Refúgio
Josué 20

Havia entre os israelitas um costume que nos parece tão estranho, e tão diferente dos nossos modos, que será interessante conhecê-lo. Era a regra que seguiam a respeito de qualquer homem que, por acidente, matasse outro homem. Entre nós, sempre que um homem é morto, aquele que o matou, se puder ser encontrado, é levado por um oficial perante o juiz, e é julgado. Se matou por acidente, sem intenção de fazer mal, é posto em liberdade. Se teve a intenção de matar, é punido; pode ser condenado a morrer pela morte do outro; e, quando é executado, é pelo oficial da lei.

Mas nas terras do oriente, onde viviam os israelitas, era muito diferente. Ali, quando um homem era morto, o seu parente mais próximo sempre tomava sobre si a tarefa de matar aquele que o havia matado; e se dispunha a matá-lo sem julgamento, sem juiz e pela própria mão, quer o homem merecesse morrer, quer não. Dois homens podiam estar trabalhando juntos na floresta, e o machado de um podia escapar-lhe da mão e matar o outro; ou um caçador podia matar outro caçador por engano. Não importava se o homem era culpado ou inocente: o parente mais próximo daquele que perdera a vida devia encontrar o homem que o matara e matá-lo por sua vez, onde quer que estivesse. Se não conseguisse encontrá-lo, às vezes matava qualquer membro da família dele que pudesse achar. Esse homem era chamado "o vingador do sangue", porque tomava vingança pelo sangue do seu parente, merecesse ou não a morte aquele a quem matava. Quando Moisés deu leis aos filhos de Israel, encontrou esse costume do "vingador do sangue" tão profundamente enraizado nos hábitos do povo que não era possível aboli-lo. Na verdade, ele ainda permanece, até os dias de hoje, entre os aldeões da terra onde os israelitas viveram.

Mas Moisés deu uma lei que devia tomar o lugar do velho costume e ensinar ao povo maior justiça no trato de uns com os outros. E quando entraram na terra de Canaã, Josué executou o plano que Moisés havia ordenado.

Josué escolheu na terra seis cidades: três de um lado do rio Jordão e três do outro. Todas eram lugares bem conhecidos e fáceis de encontrar. A maioria ficava sobre montanhas e podia ser vista de longe. Foram escolhidas de tal modo que, de quase qualquer parte da terra, um homem podia chegar a uma dessas cidades em um dia, ou no máximo em dois. Essas cidades chamavam-se "Cidades de Refúgio", porque nelas o homem que tivesse matado outro por engano podia encontrar refúgio contra o vingador do sangue.

Quando um homem matava outro por acidente, onde quer que estivesse, corria o mais depressa possível para a mais próxima dessas cidades de refúgio. O vingador do sangue o perseguia, e talvez pudesse alcançá-lo e matá-lo antes que chegasse à cidade. Mas quase sempre o homem, tendo alguma vantagem sobre o seu inimigo, chegava primeiro à cidade de refúgio.

Ali os anciãos da cidade examinavam o caso. Apuravam todos os fatos; e se o homem era realmente culpado e merecia morrer, entregavam-no para ser morto pelo vingador. Mas se era inocente, e não teve a intenção de matar aquele que morrera, proibiam o vingador de tocá-lo e o mantinham em segurança.

Traçava-se uma linha ao redor da cidade, a certa distância da muralha, e dentro dessa linha o vingador não podia entrar para fazer mal ao homem; e dentro dela havia campos, onde o homem podia trabalhar e cultivar a terra, para ter o seu alimento.

E ali, na cidade de refúgio, o inocente que havia matado outro sem intenção de matar vivia até a morte do sumo sacerdote. Depois que o sumo sacerdote morria, e outro sumo sacerdote tomava o seu lugar, o homem podia voltar para a sua casa e viver em paz.

Eram estas as cidades de refúgio na terra de Israel: ao norte, Quedes, na tribo de Naftali; no centro, Siquém, ao pé do monte Gerizim, na tribo de Efraim; e ao sul, Hebrom, a cidade de Calebe, na tribo de Judá. Essas ficavam entre as montanhas, a oeste do rio Jordão. A leste do rio Jordão, as cidades eram Golã, em Basã, na tribo de Manassés; Ramote, em Gileade, na tribo de Gade; e Bezer, no planalto da tribo de Rúben.

Essa lei ensinou os israelitas a serem pacientes e a dominarem-se, a protegerem o inocente e a buscarem a justiça, sem ceder à ira repentina.

Entre as tribos havia uma que não recebeu terra num só lugar. Era a tribo de Levi, à qual pertenciam Moisés e Arão. Os homens dessa tribo eram os sacerdotes, que ofereciam os sacrifícios, e os levitas, que cuidavam do Tabernáculo e do seu culto. Moisés e Josué não acharam bom que todos os levitas vivessem numa só parte do país; por isso lhes deram cidades, e em alguns lugares também os campos ao redor delas, em muitas partes da terra. Desses lugares eles subiam ao Tabernáculo para servir, cada um durante certa parte do ano; e no resto do ano ficavam em suas casas e cuidavam dos seus campos.

Quando a guerra terminou e a terra foi dividida, Josué estabeleceu o Tabernáculo num lugar chamado Siló, não longe do centro da terra, para que de todas as tribos o povo pudesse subir, pelo menos uma vez por ano, para o culto. Foi-lhes ordenado que viessem de suas casas três vezes por ano, para adorar o Senhor em Siló.

Essas três ocasiões eram: a festa da Páscoa, na primavera, quando o cordeiro era morto, assado e comido com pão sem fermento; a festa dos Tabernáculos, no outono, quando durante uma semana dormiam ao ar livre, em cabanas feitas de ramos e galhos, para lembrar a sua vida no deserto; e a festa de Pentecostes, cinquenta dias depois da Páscoa, quando punham sobre o altar os primeiros frutos maduros dos campos. Todas essas três grandes festas eram celebradas no lugar do altar e do Tabernáculo.

E em Siló, diante do Tabernáculo, colocaram o altar, sobre o qual as ofertas eram apresentadas duas vezes por dia.

Deus havia cumprido a sua promessa: trouxera os israelitas para uma terra que era deles e lhes dera descanso de todos os seus inimigos.