Agora deixamos a história do reino de Israel, no norte, e passamos à história do reino de Judá, no sul. Leste na primeira história da Quarta Parte como as Dez Tribos se desligaram do governo do rei Roboão e formaram um reino próprio sob Jeroboão. Essa divisão deixou o reino de Judá muito pequeno e fraco. Estendia-se do mar Morto, para o ocidente, até a terra dos filisteus, na costa do Grande Mar, e de Berseba, ao sul, até quase Betel, ao norte; mas mantinha certo domínio sobre a terra de Edom, ao sul do mar Morto. A sua principal cidade era Jerusalém, onde ficavam o Templo do Senhor e o palácio do rei.
Quando Roboão viu que não podia mais governar as Dez Tribos, procurou fortalecer o seu pequeno reino construindo cidades e formando um exército de soldados. Mas não buscou o Senhor como o buscara o seu avô Davi; permitiu que o seu povo adorasse ídolos, de modo que logo em quase toda colina e em quase todo bosque havia uma imagem de pedra ou de madeira. Deus não se agradou de Roboão e do seu povo, porque o haviam abandonado pelos ídolos. Trouxe sobre a terra de Judá um grande exército do Egito, comandado por Sisaque, rei do Egito. Eles marcharam por toda a terra de Judá, tomaram a cidade de Jerusalém e roubaram do Templo todo o grande tesouro de ouro e prata que Salomão havia acumulado. Esse mal veio sobre Judá porque o seu rei e o seu povo se haviam desviado do Senhor seu Deus.
Depois de reinar dezessete anos, Roboão morreu, e seu filho Abias tornou-se rei de Judá. Quando Jeroboão, rei de Israel, lhe fez guerra, Abias conduziu o seu exército à terra de Israel. Mas o exército de Jeroboão era duas vezes maior do que o de Abias, e os seus homens se puseram não só diante dos homens de Judá, mas também atrás deles, de modo que o exército de Judá corria grande perigo de ser destruído. Mas Abias disse aos seus homens que confiassem no Senhor e lutassem com valentia em nome do Senhor. E Deus ajudou os homens de Judá contra Israel, e eles alcançaram uma grande vitória; de modo que Jeroboão nunca mais veio contra Judá.
O reinado de Abias foi curto, de apenas três anos; e depois dele veio Asa, seu filho, que foi grande guerreiro, grande construtor de cidades e governante sábio. Contra Asa subiu um grande exército de inimigos vindo da Etiópia, que ficava ao sul do Egito. Asa dispôs o seu pequeno exército contra os etíopes num lugar chamado Maressa, no sul de Judá, perto do deserto. Não tinha esperança de vencer com os seus soldados, porque eram muito poucos, e os inimigos, muitos. Mas Asa clamou ao Senhor e disse:
"Ó Senhor, para ti não faz diferença que sejam poucos ou muitos. Ajuda-nos, ó Senhor, pois em ti confiamos; e no teu nome enfrentamos esta imensa multidão. Ó Senhor, tu és o nosso Deus; não deixes que o homem prevaleça contra ti."
O Senhor ouviu a oração de Asa e deu-lhe uma grande vitória sobre os etíopes. Asa retomou as cidades do sul que haviam passado para o lado dos etíopes, e levou para Jerusalém grandes riquezas, rebanhos de ovelhas, manadas de gado e camelos, que tomara dos seus inimigos.
Então o Senhor enviou a Asa um profeta chamado Azarias. Ele disse: "Ouve-me, rei Asa, e todo o Judá e Benjamim. O Senhor está convosco enquanto vós estais com ele. Se o buscardes, vós o achareis; mas se abandonardes o Senhor, ele vos abandonará. Agora sede fortes, e tirai a maldade da terra, e o Senhor recompensará a vossa obra."
Então Asa reconstruiu o altar do Senhor, que havia caído em ruínas, e chamou o seu povo à adoração. Percorreu a terra, derrubou os ídolos e queimou-os. Descobriu que a sua própria mãe, a rainha, havia feito um ídolo; e ele o derrubou e o despedaçou, e não permitiu que ela continuasse a ser rainha, porque havia adorado ídolos.
Até envelhecer, Asa serviu ao Senhor; mas na velhice adoeceu, e na sua doença não buscou o Senhor. Recorreu a homens que se diziam médicos, mas eram homens que procuravam curar pelo poder dos ídolos. Isso levou muitos do povo de Asa a adorar imagens, de modo que, quando ele morreu, havia de novo ídolos por toda a terra.
O filho de Asa, Josafá, foi o rei seguinte; e foi o mais sábio e o mais forte de todos os reis de Judá, e governou o maior domínio de todos. Quando se tornou rei, Acabe era rei de Israel, de quem lemos na Quarta Parte. Josafá fez paz com Israel e uniu-se aos israelitas contra o reino da Síria. Lutou contra os sírios na batalha de Ramote-Gileade, onde o rei Acabe foi morto (vê a oitava história da Quarta Parte), e depois, com Jorão, filho de Acabe, lutou contra os moabitas. (Vê a décima história da Quarta Parte.)
Josafá serviu ao Senhor de todo o coração. Tirou os ídolos que haviam surgido de novo na terra; chamou o seu povo a adorar o Senhor, e enviou príncipes e sacerdotes por todo o Judá para lerem ao povo a lei do Senhor e lhe ensinarem como servir ao Senhor.
O Senhor deu a Josafá grande poder. Ele governou a terra de Edom, o deserto ao sul e as cidades dos filisteus no litoral. E Josafá escolheu juízes para as cidades de toda a terra, e disse-lhes:
"Lembrai-vos de que não julgais para os homens, mas para o Senhor; e o Senhor está convosco e vê todos os vossos atos. Temei, pois, ao Senhor, e fazei a sua vontade. Não permitais que os homens vos deem presentes para que os favoreçais; mas sede justos para com todos, e sede firmes em fazer o que é reto."
Certa vez chegou ao rei Josafá a notícia de que algumas das nações do oriente, do sul e do norte — moabitas, amonitas e sírios — se haviam coligado contra ele e estavam acampadas com um grande exército em En-Gedi, perto do mar Morto. Josafá convocou os seus soldados, mas antes de irem à batalha conduziu-os ao Templo para adorarem o Senhor. E Josafá clamou ao Senhor por socorro, dizendo:
"Ó Senhor, Deus de nossos pais, não és tu Deus no céu? Não governas tu as nações da terra? Não é teu o poder, de modo que ninguém pode resistir-te? Agora, Senhor, olha para estas multidões que vieram contra o teu povo. Não temos força contra esta grande companhia, e não sabemos o que fazer; mas os nossos olhos se voltam para ti em busca de socorro."
Então o Espírito do Senhor veio sobre um dos levitas, um homem chamado Jaaziel, e ele disse:
"Ouvi, homens de Jerusalém e de Judá, e ouve, ó rei Josafá. Assim diz o Senhor: 'Não temais esta grande multidão de vossos inimigos, porque a batalha não é vossa, mas do Senhor. Saí contra eles; mas não precisareis lutar. Ficareis parados, e vereis como o Senhor vos salvará. Não temais, porque o Senhor está convosco!'"
Então Josafá e todo o seu povo adoraram o Senhor, prostrados com o rosto em terra. E no dia seguinte, quando marcharam contra os inimigos, os levitas iam à frente, cantando e louvando o Senhor, enquanto todo o povo respondia:
"Dai graças ao Senhor, porque a sua misericórdia dura para sempre."
Quando os homens de Judá chegaram ao acampamento dos seus inimigos, descobriram que uma disputa se levantara entre eles. Os amonitas e os moabitas começaram a lutar contra os demais bandos, e logo toda a multidão estava lutando e matando-se uns aos outros. E quando os homens de Judá chegaram, parte da multidão jazia morta, e o restante havia fugido para o deserto, deixando para trás um grande tesouro. Assim se cumpriu o que o profeta dissera: eles não lutaram, mas o Senhor lutou por eles e os salvou dos seus adversários.
Ao lugar onde se deu essa estranha batalha chamaram "vale de Beraca", que significa "bênção", porque ali bendisseram o Senhor pelo socorro que lhes havia dado. E depois voltaram a Jerusalém com cânticos e louvores, e com as grandes riquezas que haviam tomado. E Deus deu ao rei Josafá paz e descanso dos seus inimigos, e grande poder enquanto viveu.