Tudo o que restava agora do povo de Judá era um grupo de cativos, levados da sua própria terra para a terra da Babilônia. Foi uma jornada longa e dolorosa, com suas mulheres e crianças, arrastados por soldados cruéis por montanhas e vales, ao longo de quase mil e quinhentos quilômetros. Eles não podiam atravessar em linha reta o vasto deserto que se estende entre a terra de Judá e as planícies da Babilônia. Foram conduzidos ao redor desse deserto, muito para o norte, pela Síria, até o rio Eufrates, e depois seguindo o grande rio em todas as suas curvas, descendo até a terra do seu cativeiro. Ali, na terra da Babilônia, ou Caldeia, encontraram enfim descanso.
Uma vez instalados no novo lar, os cativos encontraram menos dificuldades do que haviam temido; pois o povo da terra, sob Nabucodonosor, o grande rei, tratou-os com bondade e lhes deu campos para cultivar como se fossem seus. O solo era fértil, e eles podiam colher grandes safras de trigo, de cevada e de outros cereais. Plantaram jardins e construíram casas para si. Alguns foram morar nas cidades e enriqueceram, e alguns estiveram na corte do rei Nabucodonosor e subiram a altos postos como nobres e príncipes, ficando logo abaixo do rei em posição e honra.
E o melhor de tudo era que esses cativos, numa terra estranha, não adoravam ídolos. Viam as imagens dos deuses babilônicos por toda parte ao seu redor, mas não se curvavam diante delas. Adoravam o Senhor, o Deus de seus pais, e somente o Senhor. Os adoradores de ídolos de Judá haviam sido mortos, e a maior parte dos cativos era de homens e mulheres bons, que ensinavam os filhos a amar e servir o Senhor.
E esse povo não se esqueceu da terra de onde tinha vindo. Amavam a terra de Israel e ensinavam os filhos a amá-la, cantando canções a seu respeito. Algumas dessas canções, que os judeus cativos cantavam na terra da Caldeia, estão no Livro dos Salmos. Eis uma parte de uma delas:
> "Junto aos rios da Babilônia, > ali nos assentamos, sim, e choramos, > quando nos lembramos de Sião. > Nos salgueiros que há no meio daquela terra > penduramos as nossas harpas, > pois ali os que nos levaram cativos nos pediam canções; > e os que nos oprimiam nos pediam alegria, dizendo: > 'Cantai-nos uma das canções de Sião.' > Como cantaremos a canção do Senhor > em terra estrangeira? > Se eu me esquecer de ti, ó Jerusalém, > esqueça-se a minha mão direita da sua destreza; > apegue-se a minha língua ao céu da minha boca, > se eu não me lembrar de ti, > se eu não preferir Jerusalém > à minha maior alegria."
Desde esse tempo, esse povo passou a ser chamado de judeus, nome que significa "povo de Judá". E os judeus de todo o mundo pertencem a esse povo, pois descendem dos homens que outrora viveram na terra de Judá. E, como haviam pertencido às doze tribos de Israel, e dez das tribos se haviam perdido, e o seu reino desaparecera para sempre, eram também chamados israelitas. Assim, desde então, "povo de Judá", judeus e israelitas significam o povo que veio da terra de Judá e os seus descendentes.
Deus foi bom para o seu povo na terra da Babilônia, ou Caldeia, outro nome pelo qual aquele país era chamado. Enviou-lhes profetas, que lhes mostravam o caminho do Senhor. Um desses profetas foi Daniel, um jovem que vivia na corte do rei Nabucodonosor. Outro foi um sacerdote chamado Ezequiel, que vivia entre o povo cativo, junto a um rio da Caldeia chamado rio Quebar. Deus deu a Ezequiel visões maravilhosas. Ele viu o trono do Senhor e as estranhas criaturas de seis asas que o profeta Isaías vira muito tempo antes. E ouviu a voz do Senhor, que lhe anunciava o que haveria de acontecer ao seu povo nos anos vindouros.
Certa vez, o Senhor levantou Ezequiel e o levou ao meio de um grande vale. O profeta olhou ao redor e viu que o vale estava coberto de ossos de homens, como se ali se tivesse travado uma grande batalha e os corpos dos mortos tivessem sido abandonados, tornando-se um vasto exército de ossos secos.
"Filho do homem", falou a voz do Senhor a Ezequiel, "poderão estes ossos secos viver de novo?"
E Ezequiel respondeu: "Ó Senhor Deus, tu sabes se estes ossos secos podem viver."
Então o Senhor disse a Ezequiel: "Profetiza a estes ossos secos, ó filho do homem, e dize-lhes: 'Ó ossos secos, ouvi a voz do Senhor. Assim diz o Senhor: eu enviarei sopro de vida a vós, e vivereis; porei carne sobre vós e vos cobrirei de pele, e estareis vivos de novo, e sabereis que eu sou o Senhor.'"
Então Ezequiel falou ao exército de ossos secos espalhados pelo vale, como o Senhor lhe mandara falar. E, enquanto falava, soou um ruído como de trovão rolando, e por todo o campo os diferentes ossos começaram a juntar-se, uma parte à outra, até que já não eram ossos soltos, mas esqueletos com os ossos ajustados entre si. Depois veio outra mudança. De repente a carne cresceu sobre todos os ossos, e eles jaziam no chão como um exército de homens mortos, uma multidão de corpos sem vida.
Então o Senhor disse a Ezequiel: "Fala ao vento, ó filho do homem; fala e dize: 'Vem dos quatro ventos, ó sopro, e sopra sobre estes mortos, para que vivam.'"
Então Ezequiel chamou o vento para que viesse, e, enquanto falava, os corpos mortos começaram a respirar. Depois puseram-se de pé, um grande exército de homens vivos, enchendo todo o vale. Então o Senhor disse a Ezequiel: "Filho do homem, estes ossos secos são o povo de Israel. Eles parecem perdidos, mortos e sem esperança. Mas viverão de novo, porque eu, o Senhor, porei vida neles; e voltarão à sua própria terra e serão outra vez um povo. Eu, o Senhor, o disse, e eu o farei."
Quando Ezequiel contou essa visão ao povo cativo, os corações de todos se ergueram com uma nova esperança de que ainda veriam a sua própria terra.