Pouco depois do tempo em que nasceu João Batista, José, o carpinteiro de Nazaré, esposo de Maria, teve um sonho. No sonho, viu um anjo do Senhor de pé ao seu lado. O anjo lhe disse:
"José, vim dizer-te que Maria, a jovem com quem vais casar-te, terá um filho, enviado pelo Senhor Deus. Tu lhe darás o nome de Jesus, que significa 'salvação', porque ele salvará o seu povo dos seus pecados."
Por isso José soube que o menino que estava para vir seria o Rei de Israel, de quem os profetas do Antigo Testamento tantas vezes haviam falado.
Pouco depois de José e Maria se casarem em Nazaré, saiu uma ordem do imperador César Augusto, por todas as terras do império romano, para que todas as pessoas fossem às cidades e povoados de onde vinham as suas famílias, e ali tivessem seus nomes escritos numa lista, pois o imperador queria que se fizesse um recenseamento de todo o povo sob o seu governo. Como tanto José quanto Maria descendiam da família do rei Davi, foram juntos de Nazaré a Belém, para ali terem seus nomes inscritos na lista. Pois vos lembrais de que Belém da Judeia, a seis milhas ao sul de Jerusalém, foi o lugar onde Davi nasceu, e onde a família de seu pai vivera por muitos anos (veja a História Quatro da Terceira Parte).
Era uma longa viagem de Nazaré a Belém: descia-se das montanhas até o rio Jordão, seguia-se o Jordão quase até o seu fim, e depois subiam-se as montanhas de Judá até a cidadezinha de Belém. Quando José e Maria chegaram a Belém, encontraram a cidade cheia de gente que, como eles, viera para inscrever seus nomes na lista. A hospedaria estava lotada, e não havia lugar para eles; pois ninguém além deles sabia que aquela jovem em breve seria a mãe do Senhor de toda a terra. O melhor que puderam fazer foi ir para um estábulo, onde se guardava o gado. Ali nasceu o pequenino, e foi deitado numa manjedoura, onde se dava de comer aos animais.
Naquela noite, alguns pastores guardavam suas ovelhas num campo perto de Belém. De repente uma grande luz brilhou sobre eles, e viram um anjo do Senhor de pé diante deles. Encheram-se de temor, ao ver quão glorioso era o anjo. Mas o anjo lhes disse:
"Não temais; porque eis que vos trago novas de grande alegria, que será para todo o povo: é que vos nasceu hoje, em Belém, a cidade de Davi, um Salvador, que é Cristo, o Senhor, o rei ungido. Podereis vê-lo ali; e o reconhecereis por este sinal: é um recém-nascido, deitado numa manjedoura, junto à hospedaria."
E então viram que o ar ao redor e o céu acima deles estavam cheios de anjos, louvando a Deus e cantando:
"Glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra entre os homens a quem Deus quer bem."
Enquanto olhavam maravilhados e escutavam, os anjos desapareceram tão de repente como haviam chegado. Então os pastores disseram uns aos outros:
"Vamos já a Belém, e vejamos essa coisa maravilhosa que aconteceu, e que o Senhor nos deu a conhecer."
Então, o mais depressa que puderam, foram a Belém, e encontraram José, o carpinteiro de Nazaré, e sua jovem esposa Maria, e o pequenino deitado na manjedoura. Contaram a Maria e a José, e também a outros, como tinham visto os anjos, e o que tinham ouvido a respeito daquele menino. Todos os que ouviram o seu relato se admiraram; mas Maria, a mãe do menino, nada dizia. Ela meditava em todas essas coisas, e as guardava em silêncio no coração. Depois da visita, os pastores voltaram aos seus rebanhos, louvando a Deus pelas boas novas que ele lhes havia enviado.
Quando o pequenino tinha oito dias, deram-lhe um nome; e o nome dado foi "Jesus", palavra que significa "salvação", como o anjo dissera tanto a Maria quanto a José que ele deveria chamar-se. Assim, o próprio nome desse menino dizia o que ele haveria de fazer pelos homens; pois ele viera trazer salvação ao mundo.
Era lei entre os judeus que, quando nascia o primeiro filho de uma família, ele fosse levado ao Templo; e ali se fizesse por ele uma oferta ao Senhor, para mostrar que aquele filho pertencia ao Senhor. Um homem rico oferecia um cordeiro, mas um pobre podia dar um par de pombinhos para o sacrifício. No dia em que Jesus completou quarenta dias, José e Maria o levaram ao Templo; e como José, o carpinteiro, não era homem rico, deram como oferta pelo menino um par de pombinhos.
Naquele tempo vivia em Jerusalém um homem de Deus chamado Simeão. O Senhor havia falado a Simeão, e lhe dissera que ele não morreria até que viesse o Rei Ungido, a quem chamavam "o Cristo", pois a palavra Cristo significa "ungido". Num certo dia, o Espírito do Senhor disse a Simeão que fosse ao Templo. Ele foi, e lá estava quando José e Maria trouxeram o menino Jesus. O Espírito do Senhor disse a Simeão:
"Este pequenino é o Cristo prometido."
Então Simeão tomou o bebê nos braços, louvou ao Senhor e disse:
"Agora, ó Senhor, podes deixar partir o teu servo, Segundo a tua palavra, em paz. Porque os meus olhos viram a tua salvação, Que preparaste diante de todos os povos: Luz para iluminar as nações, E glória do teu povo Israel."
Quando José e Maria ouviram isso, admiraram-se grandemente. Simeão os abençoou em nome do Senhor; e disse a Maria: "Este pequenino fará com que muitos em Israel caiam, e se levantem de novo. Muitos falarão contra ele; e uma dor, como uma espada, traspassará também o teu coração."
Sabeis como isso se cumpriu mais tarde, quando Maria viu o seu filho morrendo na cruz.
Enquanto Simeão falava, entrou uma mulher muito idosa. Seu nome era Ana, e Deus lhe falava como a um profeta. Ela passava quase todo o tempo no Templo, adorando a Deus dia e noite. Ela também viu, pelo Espírito do Senhor, que aquele menininho era Cristo, o Senhor, e deu graças a Deus pela sua graça.
Assim, bem no começo da vida de Jesus, Deus mostrou a alguns poucos que aquele menininho haveria de tornar-se o Salvador do seu povo e do mundo.