Jesus foi levado a Nazaré quando era ainda pequenino, com não mais de três anos de idade; ali cresceu, de menino a rapaz; e ali viveu até completar trinta anos. Gostaríamos de saber muitas coisas sobre a sua meninice, mas a Bíblia nos conta muito pouco. Como José era um trabalhador, é provável que morasse numa casa de um só cômodo, sem outro piso senão a terra, sem outra janela senão um buraco na parede, sem quadros nas paredes, e sem cama nem almofadas; dormiam sobre esteiras enroladas; e as refeições eram servidas numa mesa baixa, pouco maior que um banquinho.
É possível que Jesus tenha aprendido a ler na escola da aldeia, que geralmente funcionava na casa usada para o culto, chamada "sinagoga". As lições eram tiradas de rolos nos quais estavam escritas partes do Antigo Testamento; mas Jesus nunca teve uma Bíblia sua. Desde criança ia com José ao culto na sinagoga duas vezes por semana. Ali sentavam-se no chão e ouviam a leitura e a explicação do Antigo Testamento; enquanto Maria e as irmãs mais novas de Jesus escutavam de uma galeria, atrás de uma grade de madeira. Os meninos judeus daquele tempo aprendiam a saber de cor quase todo o Antigo Testamento.
Era costume dos judeus de todas as partes da terra subir a Jerusalém para adorar pelo menos uma vez por ano, na festa da Páscoa, que se realizava na primavera. Algumas famílias ficavam também para a festa de Pentecostes, cinquenta dias depois da Páscoa; e algumas voltavam no outono para a festa dos Tabernáculos, quando por uma semana todas as famílias dormiam ao ar livre, sob coberturas feitas de ramos verdes e arbustos. (Veja as Histórias Vinte e Três e Vinte e Oito da Primeira Parte.) Quando Jesus era um menino de doze anos, foi levado à festa da Páscoa, e então pela primeira vez viu a cidade santa de Jerusalém e o Templo do Senhor no monte Moriá. Apesar de tão jovem, sua alma se comoveu ao caminhar pelos pátios do Templo, e ao ver o altar com o seu sacrifício fumegante, os sacerdotes em suas vestes brancas, e os levitas com suas trombetas de prata. Embora menino, Jesus começou a sentir que era o Filho de Deus, e que aquela era a casa de seu Pai.
Seu coração ficou tão cheio da adoração do Templo, das palavras dos escribas ou mestres que ouvia nos pátios, e dos seus próprios pensamentos, que, quando chegou a hora de voltar para Nazaré, ele ficou para trás, preso pelo seu amor à casa do Senhor. A caravana de pessoas que viajavam juntas era grande, e a princípio ninguém deu pela sua falta. Mas quando a noite chegou e o menino Jesus não foi encontrado, sua mãe se alarmou. No dia seguinte José e Maria deixaram a caravana e voltaram às pressas a Jerusalém. A princípio não pensaram em ir ao Templo. Procuraram-no entre os amigos e parentes que moravam na cidade, mas não puderam encontrá-lo.
No terceiro dia subiram ao Templo com o coração pesado, ainda à procura do seu menino. E ali o encontraram, sentado numa roda de mestres da lei, escutando as suas palavras e fazendo-lhes perguntas. Todos os que estavam por perto se admiravam de ver quão profundo era o conhecimento daquele menino na palavra do Senhor.
Sua mãe falou-lhe com certa severidade, pois sentia que o filho não tinha pensado no seu dever. Disse ela:
"Filho, por que nos trataste assim? Não sabes que teu pai e eu te procurávamos com o coração aflito?"
"Por que me procuráveis?", disse Jesus. "Não sabíeis que eu devia estar na casa de meu Pai?"
Eles não entenderam essas palavras, mas Maria pensou muitas vezes nelas depois, pois sentia que o seu filho não era uma criança comum, e que as suas palavras tinham um sentido profundo. Embora Jesus fosse sábio além dos seus anos, obedecia a José e à sua mãe em todas as coisas. Foi com eles para Nazaré, e viveu contente com a vida simples do seu lar no campo.
Com o passar dos anos, Jesus cresceu, de menino a homem feito. Crescia também em conhecimento, em sabedoria e no favor de Deus. Conquistou o amor de todos os que o conheciam, pois havia em sua natureza algo que atraía todos os corações, tanto dos jovens como dos velhos.
Jesus aprendeu com José o ofício de carpinteiro, artífice da madeira; e quando José morreu, sendo Jesus ainda jovem, ele, como filho mais velho, tomou sobre si o cuidado de sua mãe e dos irmãos e irmãs mais novos. E assim, no trabalho da oficina de carpinteiro, na vida tranquila de uma aldeia do interior e no culto da sinagoga, os anos se passaram, até que Jesus completou trinta anos de idade.