Havia em Cafarnaum um oficial do exército romano, um homem que tinha sob seu comando uma companhia de cem soldados. Chamavam-no "centurião", palavra que significa "que tem cem homens", mas nós o chamaríamos "capitão". Esse homem não era judeu; era o que os judeus chamavam "gentio", ou "estrangeiro", nome que davam a todos os povos fora da sua própria raça. Todo o mundo, exceto os próprios judeus, era gentio.
Esse centurião romano era um homem bom e amava os judeus, porque por meio deles tinha ouvido falar de Deus e aprendido a adorá-lo. Por amor aos judeus, havia construído para eles, com o seu próprio dinheiro, uma sinagoga, que talvez fosse a mesma sinagoga em que Jesus ensinava nos dias de sábado.
O centurião tinha um jovem servo, um rapaz a quem amava muito; e esse rapaz estava muito doente, paralítico, à beira da morte. O centurião ouvira dizer que Jesus podia curar os enfermos; e pediu aos principais da sinagoga, que eram chamados "anciãos", que fossem a Jesus e lhe rogassem que viesse curar o seu jovem servo.
Os anciãos falaram com Jesus justamente quando ele voltava a Cafarnaum, depois do Sermão do Monte. Pediram-lhe que fosse com eles à casa do centurião; e disseram: "Ele é um homem digno, e convém que o ajudes, pois, embora gentio, ama o nosso povo e construiu para nós a nossa sinagoga."
Então Jesus disse: "Eu irei e o curarei."
Mas, enquanto ele ia a caminho, acompanhado dos anciãos, dos discípulos e de uma grande multidão que esperava ver a obra de cura, o centurião enviou outros amigos a Jesus com esta mensagem:
"Senhor, não te incomodes em vir à minha casa; pois não sou digno de que alguém tão elevado como tu entre debaixo do meu teto; e nem me julguei digno de ir falar contigo. Mas dize somente uma palavra daí onde estás, e o meu servo será curado. Pois também eu sou homem sujeito à autoridade, e tenho soldados às minhas ordens, e digo a um: 'Vai', e ele vai; e a outro: 'Vem', e ele vem; e ao meu servo: 'Faze isto', e ele o faz. Tu também tens poder para falar e ser obedecido. Dize a palavra, e o meu servo ficará são."
Ao ouvir isso, Jesus admirou-se da fé daquele homem. Voltou-se para o povo que o seguia e disse: "Em verdade vos digo que nem mesmo em todo o Israel encontrei fé como esta!"
Depois disse aos amigos do centurião que haviam trazido o recado:
"Ide e dizei a esse homem: Como creste em mim, assim te seja feito."
Então os enviados voltaram à casa do centurião e encontraram o servo perfeitamente curado, naquela mesma hora.
No dia seguinte, Jesus, com seus discípulos e muita gente, saiu de Cafarnaum, tomou o rumo do sul e chegou a uma cidade chamada Naim. Justamente quando Jesus e seus discípulos se aproximavam da porta da cidade, encontraram um cortejo que levava para fora o corpo de um morto, a fim de sepultá-lo. Era um jovem, filho único de sua mãe, e ela era viúva. Todo o povo se compadecia daquela mulher que perdera o seu único filho.
Quando o Senhor Jesus viu a mãe em sua dor, teve compaixão dela e disse: "Não chores."
Aproximou-se e tocou o esquife em que carregavam o corpo, envolto em longas faixas de linho. Os que o carregavam olharam com espanto para aquele estranho, pousaram o esquife com o corpo e ficaram parados. De pé, junto ao corpo, Jesus disse: "Jovem, eu te digo: Levanta-te!"
E num instante o jovem sentou-se e começou a falar. Jesus o entregou à sua mãe, que agora via que o filho, que estivera morto, vivia de novo.
Um grande temor caiu sobre todos os que presenciaram essa obra maravilhosa de Jesus. Louvaram a Deus e disseram: "Deus, de fato, visitou o seu povo e nos deu um grande profeta!"
E a notícia de que Jesus havia ressuscitado um morto correu por toda a terra.
Enquanto Jesus fazia essa viagem pelo sul da Galileia, num certo lugar um fariseu chamado Simão convidou-o para jantar em sua casa. Esse homem não cria em Jesus, mas queria observá-lo e, se possível, encontrar nele alguma falta. Não mostrou a Jesus o respeito devido a um hóspede: não lhe deu as boas-vindas, nem trouxe água para lavar-lhe os pés, como se fazia com as pessoas que chegavam de uma caminhada. Pois naquela terra não se usavam sapatos nem meias, mas apenas sandálias, que cobriam somente as solas dos pés; e era costume lavar os pés ao entrar em casa.
Nas refeições, não se sentavam à mesa, mas reclinavam-se em divãs, com a cabeça voltada para a mesa e os pés para fora. Enquanto Jesus estava reclinado dessa maneira no seu divã, à mesa, uma mulher entrou na sala de jantar trazendo um vaso de perfume, como os que se usavam para ungir pessoas de alta posição. Ajoelhou-se aos pés de Jesus, chorando, e começou a banhar-lhe os pés com as lágrimas e a enxugá-los com os seus longos cabelos. Ungiu-lhe os pés com o perfume e os beijou muitas e muitas vezes.
Aquela mulher não fora uma boa mulher. Levara uma vida de pecado; mas, com o seu gesto, mostrava que em seu coração estava verdadeiramente arrependida dos seus pecados. Quando Simão, o fariseu, a viu aos pés do Salvador, pensou consigo mesmo, embora não o dissesse: "Se este homem fosse realmente um profeta vindo de Deus, saberia como esta mulher é pecadora, e não teria permitido que ela o tocasse."
Jesus conhecia o pensamento daquele homem, e disse: "Simão, tenho uma coisa a dizer-te."
E Simão respondeu: "Dize-a, Mestre."
Então Jesus disse: "Certo credor tinha dois devedores. Um lhe devia quinhentas moedas, e o outro, cinquenta. Vendo que não podiam pagar as suas dívidas, perdoou-as generosamente e deixou os dois livres. Qual dos dois o amará mais?"
"Ora", disse Simão, "suponho que aquele a quem ele perdoou mais o amará mais."
"Julgaste bem", disse Jesus. Então voltou-se para a mulher e acrescentou: "Vês esta mulher? Entrei em tua casa; não me deste água para os pés, mas ela banhou os meus pés com lágrimas e os enxugou com os seus cabelos. Não me deste o beijo de boas-vindas, mas ela não cessou de beijar os meus pés. Não me ungiste a cabeça nem mesmo com óleo, mas ela ungiu os meus pés com perfume. Agiste como quem me devia pouco, e pouco me amaste; mas ela sente que me deve muito, e muito me ama. Eu te digo: 'Os seus pecados, que são muitos, estão perdoados.'"
Depois disse à mulher: "Os teus pecados estão perdoados."
Os que estavam à mesa cochichavam entre si: "Quem é este homem que ousa agir como Deus e até perdoar pecados?"
Mas Jesus disse à mulher: "A tua fé te salvou; vai em paz!"
E Jesus percorreu toda aquela região da Galileia, pregando e ensinando em todas as aldeias, anunciando por toda parte ao povo as boas-novas do reino de Deus.