No outono de cada ano, celebrava-se em Jerusalém "a Festa dos Tabernáculos". Era celebrada para lembrar ao povo o tempo em que os israelitas saíram do Egito e viveram quarenta anos no deserto, mais de mil anos antes dos dias em que Jesus esteve na terra. Nessa festa, o povo de todas as partes da terra subia a Jerusalém e adorava no Templo. E, como os israelitas haviam morado em tendas no deserto, o povo, durante a festa, não dormia dentro de casa, mas fazia caramanchões e cabanas de ramos verdes nos terraços das casas e nas colinas ao redor da cidade, e neles dormia à noite.
Jesus e seus discípulos foram da Galileia a Jerusalém para essa festa. No momento em que Jesus partia, um homem que o tinha ouvido lhe disse: "Mestre, eu te seguirei para onde quer que fores."
E Jesus lhe disse: "As raposas têm covis, e as aves do céu têm ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça."
Havia outro homem a quem Jesus dissera: "Segue-me." Esse homem respondeu: "Senhor, deixa-me ir sepultar o meu pai, que é muito velho e há de morrer em breve, e então eu te seguirei."
Jesus lhe disse: "Deixa que os mortos sepultem os seus próprios mortos; tu, porém, vai e prega o reino de Deus."
E outro disse: "Senhor, eu te seguirei; mas deixa-me primeiro ir a casa despedir-me dos que lá estão."
Jesus lhe disse: "Ninguém que põe a mão no arado e olha para trás é apto para o reino de Deus."
A caminho de Jerusalém, Jesus passou pela região de Samaria, onde o povo odiava os judeus. Num lugar, os samaritanos não deixaram Jesus e seus discípulos entrarem na sua aldeia, porque viram que eram judeus subindo a Jerusalém. Os discípulos ficaram muito irados com tal tratamento dado ao seu Mestre; e Tiago e João lhe disseram: "Senhor, queres que façamos descer fogo do céu para destruir esta aldeia, como fez uma vez o profeta Elias?"
Mas Jesus não permitiu que fizessem isso aos seus inimigos. Disse-lhes: "O vosso espírito não é o espírito do meu reino. O Filho do homem não veio para destruir a vida dos homens, mas para salvá-la."
E foram a outra aldeia procurar pousada. Numa cidade, encontraram fora da porta dez homens com a terrível doença da lepra, sobre a qual lemos na história de Naamã (História Treze da Quarta Parte). Esses homens tinham ouvido falar de Jesus e do seu poder de curar; e, quando o viram, gritaram em alta voz: "Jesus, Mestre, tem misericórdia de nós!"
Jesus lhes disse: "Ide e mostrai-vos aos sacerdotes."
Quando um leproso sarava, ia ao sacerdote, oferecia um sacrifício, e então podia voltar para casa. Aqueles homens obedeceram à palavra de Jesus, crendo que ele os curaria; e, mal se puseram a caminho para ir aos sacerdotes, perceberam que já estavam sãos. Todos, menos um, seguiram o seu caminho; mas um voltou, veio ter com Jesus e lançou-se aos seus pés, dando louvores a Deus; e esse homem não era judeu, mas samaritano. Jesus, ao vê-lo, disse: "Não foram dez os purificados? Onde estão os nove? Não houve quem voltasse para dar glória a Deus, senão este estrangeiro?"
Depois disse ao homem: "Levanta-te e segue o teu caminho; a tua fé te salvou."
Jesus chegou a Jerusalém não no primeiro dia da festa, mas no meio dela, pois a festa durava uma semana. Ficou no Templo ensinando o povo, e todos se admiravam das suas palavras. No último e maior dia da festa, quando traziam água e a derramavam no Templo, Jesus clamou em alta voz: "Se alguém tem sede, venha a mim e beba! Quem crê em mim, do seu interior fluirão rios de água viva."
Enquanto ensinava em Jerusalém, Jesus muitas vezes saía da cidade para a aldeia de Betânia, no monte das Oliveiras. Ali se hospedava com a família de Marta, sua irmã Maria e o irmão delas, Lázaro. Eram amigos de Jesus, e ele gostava de estar com eles. Um dia, estando Jesus na casa, Maria sentou-se aos pés de Jesus, ouvindo as suas palavras; mas Marta andava ocupada com o serviço, cheia de preocupações. Marta veio a Jesus e disse: "Mestre, não te importas de que a minha irmã me tenha deixado todo o trabalho? Dize-lhe que venha ajudar-me!"
Mas Jesus lhe disse: "Marta, Marta, andas ansiosa e preocupada com muitas coisas. Mas uma só é necessária; e Maria escolheu a boa parte, que não lhe será tirada."