Já lemos como os membros da igreja em Jerusalém davam livremente o seu dinheiro para ajudar os pobres. Essa doação generosa acabou trazendo dificuldades, porque a igreja crescia muito depressa; algumas das viúvas pobres estavam sendo esquecidas, e os seus amigos se queixaram aos apóstolos. Os doze apóstolos reuniram toda a igreja e disseram:
"Não é bom que deixemos de pregar e de ensinar a palavra de Deus para servir às mesas e distribuir dinheiro. Mas, irmãos, escolhei dentre vós sete homens de bem, homens que tenham o Espírito de Deus e sejam sábios, e entregaremos esse trabalho a eles; assim poderemos dedicar o nosso tempo à oração e à pregação do evangelho."
Esse plano agradou a toda a igreja; e escolheram sete homens para cuidar das ofertas do povo e providenciar que chegassem aos necessitados. O primeiro escolhido foi Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito de Deus; e com ele estavam Filipe e mais cinco homens de bem. Esses sete homens foram apresentados aos apóstolos; e os apóstolos impuseram as mãos sobre as suas cabeças, separando-os para o trabalho de cuidar dos pobres.
Mas Estêvão fez mais do que cuidar dos necessitados. Começou a pregar o evangelho de Cristo; e a pregar com tal poder, que todos os que o ouviam sentiam a verdade. Estêvão percebeu, antes de qualquer outro homem na igreja, que o evangelho de Cristo não era só para os judeus, mas para todos os homens; que todos os homens poderiam ser salvos, se cressem em Jesus; e essa grande verdade Estêvão começou a pregar com todas as suas forças.
Uma pregação como essa — de que os homens que não eram judeus podiam ser salvos crendo em Cristo — deixou muitos judeus furiosos. Eles chamavam todos os povos que não eram judeus de "gentios", e os olhavam com ódio e desprezo; mas não conseguiam responder às palavras que Estêvão dizia. Instigaram o povo e os chefes, e os voltaram contra Estêvão; e por fim o agarraram e o levaram diante do grande conselho dos chefes. Disseram aos chefes:
"Este homem está sempre falando palavras más contra o Templo e contra a lei de Moisés. Nós o ouvimos dizer que Jesus de Nazaré destruirá este lugar e mudará as leis que Moisés nos deu!"
Isso era em parte verdade e em parte mentira; mas nenhuma mentira é tão perigosa como aquela que traz consigo um pouco de verdade. Então o sumo sacerdote disse a Estêvão: "É assim, de fato?"
E quando Estêvão se levantou para responder ao sumo sacerdote, todos fixaram nele os olhos; e viram que o seu rosto resplandecia, como se fosse o rosto de um anjo. Então Estêvão começou a falar das grandes coisas que Deus havia feito pelo seu povo de Israel no passado; como chamara Abraão, o pai deles, para partir rumo a uma nova terra; como lhes dera grandes homens, como José, e Moisés, e os profetas. Mostrou-lhes como os israelitas não tinham sido fiéis a Deus, que lhes dera tantas bênçãos. Então Estêvão disse:
"Sois um povo de coração duro e de dura cerviz, que não quer obedecer às palavras de Deus e do seu Espírito. Como fizeram os vossos pais, assim fazeis vós também. Os vossos pais mataram os profetas que Deus lhes enviou; e vós matastes Jesus, o Justo!"
Ao ouvirem essas coisas, ficaram tão enfurecidos contra Estêvão que rangiam os dentes contra ele, como feras. Mas Estêvão, cheio do Espírito Santo, ergueu para o céu o rosto resplandecente; e viu a glória de Deus, e Jesus em pé à direita de Deus, e disse:
"Vejo os céus abertos e o Filho do homem em pé à direita de Deus!"
Mas eles gritaram com vozes furiosas, lançaram-se sobre ele, arrastaram-no para fora da sala do conselho e para fora da muralha da cidade. E ali atiraram pedras sobre ele para matá-lo, enquanto Estêvão, ajoelhado em meio às pedras que caíam, orava:
"Senhor Jesus, recebe o meu espírito! Senhor, não lhes imputes este pecado!"
E, tendo dito isso, adormeceu na morte — o primeiro a ser morto pelo evangelho de Cristo.
Entre os que apedrejaram Estêvão estava um jovem chamado Saulo. Ele mostrou o seu ódio feroz contra Estêvão e contra o evangelho que Estêvão pregava guardando as capas que os algozes de Estêvão haviam atirado ao chão, para que pudessem com mais facilidade lançar as pedras sobre ele. Saulo tinha ouvido Estêvão falar; e viu o seu rosto glorioso, mas deu a sua ajuda aos que o mataram. E, depois que Estêvão foi morto, Saulo saiu a prender os que criam em Cristo. Arrastava homens e mulheres para fora das suas casas e os lançava na prisão. Entrava nas sinagogas e os prendia enquanto adoravam, e lhes arrancava as vestes, e os mandava açoitar.
Pelas mãos de Saulo e dos que estavam com ele, a igreja de Cristo, onde tantos haviam vivido em amor e paz, foi desfeita, e os seus membros foram espalhados por toda parte, por muitas terras. Os apóstolos permaneceram na cidade, e nenhum mal lhes sobreveio, pois ficaram escondidos; mas todos os demais crentes foram expulsos; e, por algum tempo, a igreja de Cristo pareceu ter chegado ao fim.