Já vimos como, depois da morte de Estêvão, os que foram expulsos de Jerusalém iam por toda parte falando de Jesus. Alguns desses homens viajaram até Antioquia da Síria, que era uma grande cidade, bem ao norte, a quatrocentos quilômetros de Jerusalém. A princípio falavam somente aos judeus, pregando a palavra de Cristo; mas logo muitos gentios, pessoas que não eram judias, ouviram falar do evangelho e desejaram que também a elas ele fosse pregado. Assim, esses homens começaram a pregar aos gentios, falando-lhes de Jesus Cristo e de como ser salvos.
O Senhor estava com o evangelho, e em pouco tempo muitos creram em Cristo — um grande número, tanto de judeus como de gentios. Assim surgiu em Antioquia da Síria uma igreja onde judeus e gentios adoravam juntos, esquecidos de que um dia haviam estado separados. A notícia chegou à igreja-mãe, em Jerusalém: em Antioquia os gentios estavam vindo a Cristo. Como todos os seguidores de Cristo em Jerusalém eram judeus, não tinham certeza se judeus e gentios podiam adorar juntos, como um só povo. Decidiu-se, depois de algum tempo, que algum homem sábio deveria ir de Jerusalém a Antioquia, para ver aquela nova igreja de judeus e gentios. Para essa missão escolheram Barnabé, o homem bom que dera as suas terras para serem vendidas em socorro dos pobres, e que levara Saulo à igreja quando os discípulos tinham medo dele. Assim, Barnabé fez a longa viagem de Jerusalém a Antioquia. Quando viu aqueles novos discípulos — tão numerosos, tão firmes no seu amor a Cristo, tão unidos no seu espírito e tão fervorosos no evangelho —, alegrou-se, e falou a todos, exortando-os a permanecer firmes no Senhor. Porque Barnabé era um homem bom, cheio do Espírito Santo e de fé.
A igreja de Antioquia crescia tão depressa que precisava de homens para líderes e mestres. Barnabé lembrou-se de Saulo, que fora um dia inimigo, mas agora era seguidor de Cristo. Saulo estava naquele tempo em Tarso, a terra da sua mocidade; e para lá foi Barnabé, à sua procura. Trouxe Saulo para Antioquia, e ali Barnabé e Saulo permaneceram juntos por um ano, pregando ao povo e ensinando os que criam em Cristo. Foi em Antioquia que os discípulos foram, pela primeira vez, chamados pelo nome de cristãos.
Certa ocasião, vieram de Jerusalém a Antioquia alguns homens a quem Deus mostrava coisas que haviam de acontecer. Esses homens eram profetas, que falavam da parte de Deus. Um deles, chamado Ágabo, disse, pelo Espírito de Deus, que uma grande fome, uma escassez de alimentos, logo viria sobre todas as terras. E assim aconteceu, como dissera o profeta Ágabo, nos dias em que Cláudio era imperador em Roma. Em todas as terras o alimento tornou-se muito escasso, e muitos sofreram fome. Quando os seguidores de Cristo em Antioquia souberam que os seus irmãos de Jerusalém e da Judeia passavam necessidade, deram dinheiro, cada um conforme podia, para socorrê-los; e o enviaram por meio de Barnabé e Saulo. Barnabé e Saulo levaram as ofertas da igreja a Jerusalém e ali ficaram por algum tempo. Quando voltaram a Antioquia, trouxeram consigo o jovem João Marcos, filho daquela Maria a cuja casa Pedro foi quando foi libertado da prisão, como lemos na história anterior.
Algum tempo depois de voltarem a Antioquia, o Senhor chamou Barnabé e Saulo para irem pregar as boas-novas de Cristo aos povos de outras terras. Certa vez, quando os membros da igreja estavam orando juntos, o Espírito do Senhor lhes falou, dizendo: "Separai-me Barnabé e Saulo para uma obra especial à qual os chamei."
Então os líderes da igreja de Antioquia oraram e impuseram as mãos sobre a cabeça de Barnabé e de Saulo. E Barnabé e Saulo partiram, levando consigo João Marcos, o jovem de Jerusalém, como auxiliar. Desceram à costa do Grande Mar, em Selêucia, tomaram um navio e navegaram para a ilha de Chipre. Ali encontraram o governador romano da ilha, um homem chamado Sérgio Paulo. Era um homem bom, e mandou chamar Barnabé e Saulo, para aprender deles a respeito de Cristo. Mas com o governador estava um judeu chamado Élimas, que se dizia profeta, e que se opunha a Barnabé e Saulo no seu ensino, e procurava persuadir o governador a não ouvir o evangelho.
Então Saulo, cheio do Espírito Santo, fixou os olhos naquele homem, Élimas, o falso profeta, e lhe disse: "Ó homem cheio de maldade, filho do maligno, inimigo de toda a justiça, não deixarás de opor-te à palavra do Senhor? A mão do Senhor está sobre ti, e ficarás cego por algum tempo, sem poder ver o sol!"
E imediatamente caíram sobre Élimas uma névoa e uma escuridão, e ele andava às apalpadelas, procurando alguém que o guiasse pela mão. Quando o governador viu o poder do Senhor naquele golpe de cegueira lançado sobre o seu inimigo, encheu-se de assombro e creu no evangelho de Cristo.
Desde esse tempo, Saulo deixou de usar o seu antigo nome e passou a ser chamado Paulo. Já não era Saulo, mas "Paulo, o Apóstolo", com todo o poder que pertencia a Pedro, a João e aos outros apóstolos.
Da ilha de Chipre, Paulo, Barnabé e João Marcos navegaram pelo mar até um lugar chamado Perge. Nesse lugar, João Marcos os deixou e voltou para a sua casa, em Jerusalém. Mas Paulo e Barnabé entraram pela terra da Ásia Menor e chegaram a uma cidade chamada Antioquia. Não era Antioquia da Síria, de onde tinham vindo, mas outra Antioquia, numa região chamada Pisídia. Ali entraram na sinagoga, e Paulo pregou tanto a judeus como a gentios. Poucos judeus creram nas palavras de Paulo, mas um grande número de gentios, pessoas que não eram judias, tornaram-se seguidores de Cristo. Isso irritou muito os judeus, que levantaram contra Paulo e Barnabé todos os principais da cidade, e expulsaram Paulo e Barnabé dali. Eles foram para Icônio, outra cidade, e ali pregaram o evangelho com tal poder que muitos, tanto judeus como gentios, creram em Cristo. Mas os judeus que não queriam crer amotinaram a cidade contra Paulo e Barnabé. Reuniram uma multidão, com a intenção de agarrar os apóstolos, maltratá-los e matá-los. Mas eles souberam da vinda dos seus inimigos e, como já haviam terminado a sua obra em Icônio e plantado a igreja, retiraram-se da cidade em silêncio.
Os apóstolos Paulo e Barnabé foram em seguida à cidade de Listra, na terra da Licaônia, e ali pregaram o evangelho. Havia poucos judeus naquela cidade, e eles pregavam ao povo da terra, que era adorador de ídolos. Entre os que ouviam Paulo falar em Listra estava um coxo, que nunca pudera andar. Paulo fixou nele os olhos e viu que tinha fé para ser curado. Disse-lhe em alta voz: "Levanta-te direito sobre os teus pés!"
E, àquelas palavras, o homem deu um salto e começou a andar. Quando o povo viu como o coxo fora curado, encheu-se de assombro, e disse, na língua da sua terra: "Os deuses desceram do céu até nós em forma de homens!"
Pensavam que Barnabé era Júpiter, a quem adoravam como o maior dos deuses; e, como Paulo era quem mais falava, pensavam que ele era Mercúrio, o mensageiro dos deuses. Diante da cidade havia um templo de Júpiter; e o sacerdote do templo trouxe bois e grinaldas de flores, e ia oferecer um sacrifício a Barnabé e Paulo como deuses. Passou-se algum tempo até que os dois apóstolos entendessem o que o povo estava fazendo. Mas quando viram que estavam prestes a oferecer-lhes sacrifício, Paulo e Barnabé lançaram-se no meio do povo, clamando: "Homens, por que fazeis estas coisas? Nós não somos deuses, mas homens como vós. E trazemo-vos a mensagem de que deveis converter-vos destes ídolos, que nada são, ao Deus vivo, que fez o céu e a terra, e o mar, e tudo o que neles há. É Deus quem vos tem feito o bem, dando-vos do céu chuvas e estações frutíferas, enchendo-vos de alimento e de alegria."
E, mesmo com palavras como essas, mal conseguiram impedir que o povo lhes oferecesse sacrifícios. Mas, depois de algum tempo, vieram de Icônio alguns judeus. Esses judeus instigaram o povo contra Paulo, de modo que, em vez de o adorarem, o apedrejaram e arrastaram para fora da cidade o que julgavam ser o seu cadáver. Então o deixaram; e, enquanto os crentes o rodeavam, chorando, Paulo levantou-se vivo e entrou de novo na cidade. No dia seguinte partiu com Barnabé para Derbe. Ali pregaram o evangelho e conduziram muitos a Cristo como discípulos. Depois disso, voltaram às cidades onde tinham pregado — a Listra, na Licaônia, a Icônio e a Antioquia da Pisídia, e a Perge, na Panfília — e visitaram as igrejas que haviam fundado. Encorajavam os crentes, exortando-os a permanecer na fé, e dizendo-lhes que os que quisessem entrar no reino de Deus deviam esperar tribulações, e que Deus lhes daria a plena recompensa.